UMA GAROTA E UMA BICICLETA

Paul Newman, testando uma novidade tecnológica e fazendo um número de circo em "Raindrops keep fallin' on my head", de Butch Cassidy:

PAUL NEWMAN, UM DOS MAIORES

Mais um dos grandes se vai. Paul Newman, um dos maiores atores americanos de todos os tempos, morreu ontem, segundo noticiaram hoje o jornal The Oregonian e a Associated Press. Ele sofria de câncer e tinha 83 anos. Newman foi um dos grandes galãs dos anos 1950 e 1960 (os olhos azuis ajudavam bastante). Com a maturidade, ele teve o talento reconhecido de vez, fez fortuna no ramo dos produtos alimentícios (e doou tudo para projetos sociais) e foi chefe de uma equipe de automobilismo (uma de suas paixões). Nos últimos anos, também se dedicava a causas humanitárias. E teve um dos casamentos mais duradouros e felizes do volátil mundo artístico: viveu 50 anos ao lado da grande atriz Joanne Woodward. Era um grande cara.

Na fase jovem de sua carreira, primou pelos personagens confusos, atormentados. Ele era mesmo exigente com seus papéis: não gostou de sua estréia, no épico O Cálice Sagrado (1954), e publicou uma nota de desculpas ao público nos jornais. Mas entrou nos eixos como o boxeador de Marcado pela Sarjeta (1956) e como o marido hesitante (para dizer o mínimo) de uma Liz Taylor subindo pelas paredes em Gata em Teto de Zinco Quente (1958). Depois, vieram Exodus (1960), Desafio à Corrupção (1961), O Indomado (1963), Rebeldia Indomável (1967) e Hombre (1967), até o extraordinário sucesso de Butch Cassidy (1969), faroeste que estrelou ao lado de Robert Redford - e no qual protagoniza a célebre cena da bicicleta, ao som de "Raindrops keep fallin' on my head".

Ele repetiu a parceria com Redford e com o diretor George Roy Hill no ainda melhor Golpe de Mestre (1973), que ganhou o Oscar. Antes, ele foi dirigido por John Huston em Roy Bean, o Homem da Lei (1972). E, depois, liderou o elenco estelar do filme-catástrofe Inferno na Torre (1974). Continuou estrelando filmes contundentes nos anos seguintes, como Ausência de Malícia (1981) e O Veredicto (1982). Já havia sido indicado e perdido o Oscar sete vezes, quando finalmente ganhou, por A Cor do Dinheiro (1986), de Martin Scorsese, interpretando 25 anos depois o mesmo papel de Desafio à Corrupção.

Nos anos 1990, trabalhou com os irmãos Coen em Na Roda da Fortuna (1994) e foi indicado de novo ao Oscar por O Indomável - Assim É Minha Vida (1994). Esteve fantástico em Estrada para Perdição (2002) e sua última intepretação foi a voz do veterano das corridas Doc Hudson em Carros (2006).


Com Pier Angeli, em Marcado pela Sarjeta (1956)


Com Elizabeth Taylor, em Gata em Teto de Zinco Quente (1958)


Em Desafio à Corrupção (1961)


Com Katharine Ross e Robert Redford, em Butch Cassidy (1969)


Com Robert Redford, em Golpe de Mestre (1973)


Com Tom Cruise, em A Cor do Dinheiro (1986)


Com Tom Hanks, em Estrada para Perdição (2002)

Com Joanne, trabalhou 14 vezes. Dividiram a cena em O Mercador de Almas (1958), mesmo ano em que se casaram, A Delícia de um Dilema (1958), Paixões Desenfreadas (1960), Paris Vive à Noite (1961), Amor Daquele Jeito (1963), 500 Milhas (1969), A Sala dos Espelhos (1970), A Piscina Mortal (1975), Meu Pai, Eterno Amigo (1984) e Cenas de uma Família (1990). E ainda a dirigiu em, Rachel, Rachel (1968), no qual ela foi indicada ao Oscar, O Preço da Solidão (1972), À Margem da Vida (1987) e no telefime A Caixa de Surpresas (1980), além de Meu Pai, Eterno Amigo.

NOVO TRAILER DE 'THE SPIRIT'
Saiu o novo trailer de The Spirit. O Omelete, que está com uma promoção com o filme, agora inventou que é uma prévia "muito decente". Para mim, há algum ritmo, mas continuamos seguindo rumo ao desastre certo. Parece que estamos vendo o Spirit das Trevas ou o personagem foi jogado dentro de Sin City. Veja por si mesmo:
14 ANOS DE JEWEL

Provavelmente, a minha cantora preferida, se as contas forem feitas: aqui, uma compilação de trechos de videoclipes da Jewel. Uma passada pela carreira da cantora que vai do folk aos blues como quer. De 1994, com "Who will save your soul?", de Pieces of You, a "Stronger woman", de Perfectly Clear, de 2008.

OSCAR DE ANIMAÇÃO/ 1932: 'MICKEY'S ORPHANS'

Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney, John Sutherland.
Indicado em 1932.

Mickey em pessoa foi indicado pela primeira vez nesse curta em preto-e-branco, co-estrelado por Minnie e Pluto. Na época de Natal, eles encontram em sua porta um cesto com um bebê - um só não, uma ninhada, uma multidão de gatinhos endiabrados. A figura desconhecida que abandona os bebês no começo do desenho tem um tratamento triste, num desenho tão traquinas. Burt Gillett, que dirige o curta, também dirigiu Flores e Árvores, o vencedor do ano, que está alguns posts abaixo.

Oscar de animação anterior: It's Got Me Again, nesta página.

ESTRÉIAS DE SEXTA, 26/9, EM JP

- Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto: Finalmente estréia o elogiadíssimo filme de Sidney Lumet sobre dois irmãos que precisam de dinheiro e arriscam tudo em um plano: roubar a joalheria dos próprios pais. Como costuma acontecer, algo sai dos trilhos e a situação passa a ser o pai buscando vingança contra os bandidos que não sabe serem os próprios filhos. A discussão da ética é uma constante no cinema do diretor (que estreou com o antológico Doze Homens e uma Sentença, 1957, e dirigiu Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto aos 83 anos). O elenco é demais: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney e Marisa Tomei. Só no Tambiá.

- Caçadores de Dragões: Animação francesa sobre um reino ameaçado por um dragão e uma garotinha que sai em busca de caçadores - que se revelam grandes trapalhões. O visual parece interessante. Só no Box, e dublado.

Veja trailers, cenas de filmes e muito mais

- E a pré-estréia de Os Mosconautas no Mundo da Lua: O título boboca que deram a esta animação no Brasil assusta (o original Fly Me to the Moon, citando a canção imortalizada por Sinatra, é muito melhor - mas intraduzível). Produção belga, a animação parece bem feita. Talvez seja melhor do que a distribuidora brasileira fez parecer. Só no Box, e dublado.

JOVENS COM TUDO

O Movietone lançou pela segunda vez uma lista com os 25 nomes mais quentes de Hollywood abaixo dos 25 anos. Na lista:


Ellen Page
- Aparecia pouco, mas bem, como a Kitty Pride de X-Men - O Conflito Final. Mas depois do fortíssimo papel em Menina Má.Com e da belísima construção do papel título de Juno, ela se tornou o principal nome dessa geração. Um dos seus próximos papéis será o de Jane Eyre.

 
Dakota Fanning -
Ela não sumiu: vem aí em três filmes (um deles, dublando a personagem principal da animação quadro-a-quadro Coraline). Aos 14 anos, ela já demonstrou várias vezes que é um talento muito acima da média no cinema, estando à altura ou acima dos atores consagrados com quem já contracenou (Robert De Niro, Denzel Washington, Sean Penn - Tom Cruise, então...). E mostrou muita coragem num papel carregado em Hounddog (2007). Querer que ela seja uma das melhores atrizes do mundo em breve pode ser uma grande exigência - mas não duvido que ela chegue lá, seguindo os passos de Jodie Foster.

 
Megan Fox
- A melhor coisa de Transformers é a atriz mais sexy a aparecer em Hollywood nos últimos três anos. E sabe disso - não só sua carreira é baseada nesse aspecto - vem aí Jennifer's Body, para não desmentir - como sua capa para a Maxim (a Vip dos Estados Unidos - e que agora tem uma edição nacional) está aí para provar.


Michael Cera
- Da série Arrested Development, ele fez Superbad e, principalmente, Juno.


Emma Watson
- Por enquanto, ela ainda é só a Hermione da série Harry Potter. Mas tem carisma para chegar bem longe.


Shia LaBeoulf
- Não, ele não vai substituir Indiana Jones - preste atenção ao final do filme! Mas já tem luz própria e amigos como Spielberg para ajudar.


Keira Knightley
- Especializada em papéis de época e filmes de ação (de Orgulho & Preconceito e Desejo e Reparação à trilogia Piratas do Caribe), ela já é um nome do primeiro time. Só vamos torcer para não ficar ainda mais magra.


Saoirse Ronan
- Bastou seu primeiro papel em Desejo e Reparação para saber que essa mocinha - 14 anos, atualmente - promete muito.


Zac Efron
- Ok, ele começou pelo High School Musical (um sucesso de público, mas exclusivo para fãs). No entanto, mostrou em Hairspray que tem fôlego para ir bem mais longe. Vamos ver como se sai em Me and Orson Welles.

Curiosidade: no ano passado, estavam na lista do Movietone - e não estão este ano - Abigail Breslin (embora Três Vezes Amor e A Ilha da Imaginação sejam bons filmes), Alice Braga (que está fora por ter feito 25) e Emile Hirsch ( o fracasso do horrível Speed Racer deve ter contribuído para sua ausência), AnnaSophia Robb (de Ponte para Terabitia) e Scarlett Johansson (que, lembremos, tem só 23). Eu acho que todos esses seguem firmes como apostas para o futuro.

OSCAR DE ANIMAÇÃO/ 1932: 'IT'S GOT ME AGAIN!'

Direção: Rudolf Ising. Produção: Leon Schlesinger.
Indicado em 1932.

Da série Merry Melodies, é a história de uma festa de ratinhos durante a madrugada em uma casa cheia de instrumentos musicais - e ameaçada por um gato feroz que aparece. Friz Freleng era um dos animadores. O que logo chama a atenção é que tanto o design de personagens quanto a trilha sonora lembra muito o que a Disney fazia na época (os camundongos parecem demais o Mickey Mouse). Porém, o impagável momento em que um ratinho encurralado imita Al Jonson (cantor que estrelou O Cantor de Jazz, também da Warner, cinco anos antes) mostra a irreverência que seria a marca do estúdio na animação.

Oscar de animação anterior: Flowers and Trees, nesta página.

VOCÊ ME CONHECE?

Então, prove!

Sobre esta vida de cinéfilo
1) Se estes filmes estivessem passando ao mesmo tempo na TV, qual deles eu assistiria?
Juno
Todo Mundo em Pânico
X-Men - O Filme
Dogville
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OSCAR DE ANIMAÇÃO/ 1932: 'FLOWERS AND TREES'

Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar em 1932.

Da série Silly Symphonies, o primeiro desenho animado em Technicolor não deixa barato e aproveita bem seu enredo para usar as cores. O desenho dá consciência a plantas, animais e, em um pequeno momento, até ao fogo, para contar um romance entre duas árvores, assim que a primavera chega. Mantém o charme até hoje e é até, para a época, experimental. Foi o primeiro de 32 Oscars que Disney recebeu.

CINTURÃO VERMELHO

½

A ética de Mamet

Como roteirista ou diretor-roteirista, David Mamet se preocupa em falar sobre um tema: a ética. E levou isso para o universo do jiu-jitsu, esporte do qual é praticante, em Cinturão Vermelho (Redbelt, Estados Unidos, 2008).  Aqui, ele opõe a filosofia da arte marcial ao negócio de competições.

Terry (Chiwetel Ejiofor) é o professor que mantém a duras penas a sua academia. É casado com uma brasileira, Sondra (Alice Braga), que possui dois irmãos também envolvidos com o jiu-jitsu: o lutador Ricardo (John Machado) e o produtor Bruno (Rodrigo Santoro). Um acidente na frente de sua academia o faz ter contato com a advogada Laura (Emily Mortimer) e dá a partida para a série de acontecimentos que colocará o protagonista confrontando seus próprios valores pessoais.

Terry salva um astro de cinema (Tim Allen) de um espancamento e pode ter uma chance no cinema. Por outro lado, sua qualidade como lutador acaba fazendo com que seja pressionado pela esposa e por empresários para que lute em competição e fature alto. É um questionamento que Mamet quer levar não só aos lutadores, mas ao público de uma maneira geral, e que pode ser aplicado a qualquer vida.

Mamet já teve momentos melhores no cinema - até porque teve momentos verdadeiramente sublimes, como o roteiro de Os Intocáveis (1987) e a direção/ roteiro de filmes como As Coisas Mudam (1988) e O Assalto (2001) -, mas Cinturão Vermelho é um exemplar bastante digno do que move o seu cinema. Até pequenas pontas soltas e o final que parece simplista demais acabam sendo menos importantes que o simbolismo geral do filme. No final, Cinturão Vermelho não chega a ser uma obra-prima, mas consegue contar bem a história que desejava.

Cinturão Vermelho. (Redbelt). Estados Unidos, 2008. Direção: David Mamet. Elenco: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Rodrigo Santoro, Tim Allen, Joe Mantegna, Rebecca Pidgeon, Jennifer Grey. Atualmente em cartaz em JP, no Tambiá Shopping.

ABERTURAS DE NOVELAS/ POR AMOR

Como Regina Duarte e Gabriela Duarte, mãe e filha na vida real, interpretariam mãe e filha também na ficção, a abertura de Por Amor (1997/ 98) usou uma idéia de gênio: fotos reais das duas, juntas e separadas, para ilustrar os créditos iniciais. Mas não só isso: a execução foi uma beleza. A abertura flui, fundindo os rostos de uma na outra, através de movimentos delicados e cheios de graça, até o beijo final entre as duas. Tudo ao som do MPB-4 e do Quarteto em Cy cantando "Falando de amor", de Tom Jobim, uma gravação das mais lindas.

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