BETE MENDES EM CAMPINA

O docinho de coco Bete Mendes foi jurada no Comunicurtas, em Campina Grande, e hoje colocou um post no blog dela mostrando-se muito encantada com a cidade e o festival. E promete voltar.

E, olha, ela volta mesmo. Ficou tão encantada quando veio ao Fenart que, numa edição seguinte, ela estava em Recife para o Cine-PE e fez questão de dar uma passadinha aqui. Na ocasião, aliás, fiz uma entrevista com ela que, antes de tudo, foi um bate-papo maravilhoso. Acho que ficamos, sem brincadeira, umas duas horas conversando.

DOSE DUPLA NOS CINEMAS

Alguns atores acabam tendo mais de um filme em cartaz por aqui ao mesmo tempo, já repararam? Os casos atuais:

 
Thiago Martins, em Era uma Vez... e Show de Bola

 
Morgan Freeman, em Batman, o Cavaleiro das Trevas e Banquete de Amor

 
Jet Li, em A Múmia - Tumba do Imperador Dragão e O Reino Proibido

...Mas ninguém supera a gracinha da Selma Blair:


Hellboy II - O Exército Dourado


Banquete de Amor


Mais do que Você Imagina

NOVO CURSO

   

A quem interessar possa, vou ministrar um novo curso de cinema lá no Zarinha Centro de Cultura, em outubro e novembro: os cineastas. São oito aulas (divididas em dois módulos), cada uma analisando a obra e a trajetória de um diretor. Nada impede que outros módulos, com outros diretores, venham no futuro.

No primeiro módulo, os diretores são: Federico Fellini, Billy Wilder, Ang Lee e Walter Salles.

No segundo: Ingmar Bergman, Howard Hawks, Krzysztof Kieslowski e Pedro Almodóvar.

Informações lá em Zarinha: 4009.1111.

   

ESTRÉIAS DE SEXTA, 5/9, EM JP

- Hellboy II - O Exército Dourado: Depois de O Labirinto do Fauno, Guillermo del Toro está com tudo. O novo Hellboy vem com muito mais cartaz e atenção que o primeiro filme e ele pôde dar vazão a seu mundo de fantasia e mosntros à vontade. A trama gira em torno de um outro mundo que quer retornar e tomar o lugar do nosso - e só o filho do Inferno e seus parceiros do Bureau de Investigação e Defesa Paranormal podem evitar. No Box e no Tambiá.

- Show de Bola: O diretor alemão Alexander Pickl veio ao Brasil para contar a história do rapaz que quer ser jogador de futebol, mas tem problemas com o líder do tráfico de drogas em sua favela. Só no Box. 

SEÇÃO DE CARTAS

Livia, obrigado pela visita! Volte sempre! ("Você não é nada - nada senão adorável", 12/6; "Eu te amo quando você leva uma hora e meia pra pedir um sanduíche", 12/6)

Thiala, obrigado pelos elogios! ("Batman, o Cavaleiro das Trevas", 21/7)

Astier, eu lembro desse gibi da Turma do Gordo. Acho que era do Ely Barbosa, que fez a Turma da Fofura também e aqueles personagens do Amendocrem... (...) Pronto, chequei e é isso mesmo. Inclusive, ele morreu no ano passado. Aqui tem uma matéria do Universo HQ sobre a morte e a carreira dele. ("Turma da Mônica - Coleção Histórica - 6", 22/8)

Ju, que bom que você gosta de musicais! Temos que conversar mais sobre isso, hehe! Olha, não vou pro show da Madonna. Nem tentei ir, na verdade. Gosto muito dela, mas mais na fase anos 1980 e 1990. Dessa fase eletrônica, não gosto muito. Agora, pro show da Cyndi Lauper em novembro, eu iria na hora se tivesse grana! ("Núpcias Reais", 30/8) 

ESTÔMAGO

Para repetir o prato

Uma das qualidades de Estômago (Brasil, 2008) evidencia uma deficiência histórica do cinema brasileiro que está felizmente sendo superada: o roteiro. Bem armado, o filme arma duas narrativas paralelas que se alternam mostrando dois tempos do protagonista Raimundo Nonato (João Miguel): em um, ele está chegando a São Paulo, sem eira nem beira e descobre que tem talento culinário ao trabalhar num boteco fritando pastéis e coxinhas; no outro, ele está chegando a uma penitenciária e usa o talento para “ganhar conceito” com os colegas de cela. A questão é: por que ele foi preso?

Manter essa curiosidade no ar até o fim é o grande trunfo de Estômago. O que assistimos é, por um lado, o aprendizado de Nonato dos segredos da cozinha, através do dono de um restaurante italiano, e seu romance com uma prostituta, Íria (Fabiula Nascimento); por outro, é o aprendizado de como esse conhecimento pode ajudá-lo socialmente. Sendo levados de um ponto a outro através da narração de Nonato - e é importante que o filme seja narrado por ele em primeira pessoa - não há como não simpatizar com o nordestino que seduz a mulher pelo estômago. Até impressiona que este seja o primeiro filme do diretor Marcos Jorge.

O filme ganhou os prêmios do júri popular e de melhor ator no Festival do Rio. Fabiula ganhou o prêmio Contigo! de atriz coadjuvante. O elenco é mesmo outra qualidade e tanto, contando com Carlo Briani (muito natural como o dono do restaurante), o sempre eficiente Babu Santana e Paulo Miklos repetindo o tipo consagrado de O Invasor (2001). A narrativa combinada com o talento dos atores garante bons momentos de comédia e não causa estranheza quando o drama entra em cena. Estômago é um filme que, pelo final, inclusive, é para repetir o prato.

Frase
RAIMUNDO NONATO: (dizendo por que as garrafas de vinho ficam guardadas deitadas) Pra caber mais na parede, né não?

Estômago. Brasil, 2007. Direção: Marcos Jorge. Elenco: João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Paulo Miklos. Atualmente em cartaz em João Pessoa, no MAG Shopping.

ERA UMA VEZ...

½

O romance e a mensagem

Filmes como Era uma Vez... (Brasil, 2008) podem ser avaliados de mais de uma maneira. Quando entrevistei o diretor Breno Silveira (o mesmo do supersucesso de público 2 Filhos de Francisco (2005), é sempre bom lembrar), ele falou muito de como desejava passar uma mensagem de cunho social, um alerta sobre como a falta de compreensão mútua tem levado o Brasil em geral e o Rio de Janeiro em particular ao confronto generalizado. Você não precisa conversar com o diretor para saber disso, porque o próprio filme deixa isso muito claro, ao colocar seu ator principal dando um depoimento ao final, como ele mesmo.

Thiago Martins nasceu e vive até hoje em uma favela - curiosamente, um final "documental" também é o desfecho de 2 Filhos de Francisco). No filme, ele é Dé, que mora no morro do Cantagalo, em Ipanema, e trabalha em um quiosque na avenida Vieira Souto. Viu um irmão ser morto pelos bandidos locais e outro ser preso injustamente. Não é uma vida fácil, mas ele tenta se manter na honestidade. Valéria Frate é Nina, que mora na Vieira Souto. O pai é muito bem de vida, mas ela sente uma solidão e uma certa inadequação a esse mundo. Os dois estão frente a frente, mas só Dé sabe que ela existe, até que ele a salva de um assalto iminente.

A partir daí, desenvolve-se o romance entre o rapaz do morro e a moça do asfalto. Um Romeu & Julieta carioca, onde Breno Silveira faz um paralelo entre as classes sociais e as famílias rivais de Verona. Não é bem assim, claro, afinal se o Rio é hoje uma "cidade partida", como se diz, os motivos vão muito além de uma rixa que ninguém lembra como começou.

Em todo caso, o recado é dado - o de que todos nós temos uma parcela de culpa pela situação ter chegado onde chegou - e a opção pelo final que assistimos é um sinal de que o filme quer mesmo que a platéia saia refletindo. Quem prefere olhar o filme ideologicamente, vai entender o simbolismo, a imagem forte que o diretor procurou estampar ali.

Em termos de cinema, mesmo, narrativamente falando, é difícil de engolir. A busca por essa imagem leva o filme a forçar a mão e achar, surpreendentemente, que um final tradicional seria até mais fácil de acontecer na vida real. Deixa um gosto de certa decepção para um filme que, até ali, vinha bem, muito bem narrado e com um casal central de muito carisma e bastante convincente em seu romance adolescente.

São eles que sustentam o filme, que escorrega um pouco no maniqueísmo, embora ironicamente tente fugir dele o tempo todo. A figura do pai, por exemplo, vivido por Paulo César Grande é compreensivo e tenta passar por cima de seus preconceitos – mas não deixa de compactuar com atitudes pouco éticas por “necessidade da profissão”. Ou seja, a força de Era uma Vez... é mesmo o amor jovem dos protagonistas. Poderia até se pensar que é um amor idealista como o próprio filme, mas, logo no final, Silveira acaba colocando o romance em segundo plano para privilegiar uma causa - e, assim, coloca o que o filme tem de melhor em segundo plano também.

Ou o coloca a serviço dessa causa, o que é a mesma coisa.

Frase
DÉ: "Minha mãe sempre dizia que rico é rico e pobre é pobre. Mas toda vez que eu via ela esquecia disso".

Era uma Vez... Brasil, 2008. Direção: Breno Silveira. Elenco: Thiago Martins, Vitória Frate, Paulo César Grande, Cyria Coentro, Rocco Pitanga. Atualmente em cartaz em João Pessoa, no Box Manaíra e no Tambiá.

DANÇANDO NO TETO

Se alguém ficou curioso, aí está Mr. Astaire em "You're all the world to me". Queria ver os irmãos Wachowski fazerem isso sem computador...

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