TURMA DA MÔNICA - COLEÇÃO HISTÓRICA - 6

Clássicos mensais

Dificilmente há outra publicação de quadrinhos atualmente no Brasil com a importância desta. Chegando ao sexto volume, Turma da Mônica - Coleção Histórica (Panini, cinco revistas, 238 páginas no total) é um passeio único pela trajetória de sucesso de Maurício de Sousa.

Republicando número a número as cinco revistas principais das criações de Maurício, a coleção mostra como elas eram em quatro épocas distintas: 1970, no grande passo das tiras para as revistas; 1972, já estabelecidos, mas ainda em seu princípio; 1982, já conhecidos em todo o país; e 1989, enfrentando a primeira mudança de editora.

O carro-chefe, claro, são as edições de Mônica, apresentando um ou dois clássicos a cada número. Aqui, são três: "A ermitã", "O menino de borracha" e "O mundo de sonho" - esta última estrelada pelo Astronauta - e ainda a estréia da Tina, na época como coadjuvante do irmão, Toneco.

Os primeiros números de Cebolinha era uma fase de histórias mais cotidianas, mas aqui há a estréia do Super-Horácio e as curiosidades de ver o Chico Bento falando corretamente, “sem sotaque”, e a hiponga Tina morando em Salvador. Cascão e Chico Bento traz a turma mais redondinha e num grande momento narrativo: "O príncipe encantado" é uma obra-prima. E Magali traz o batismo do nome do gatinho da personagem, Mingau.

Além das histórias, os textos explicativos do roteirista Paulo Back são verdadeiras aulas de história. Fundamental para entender a HQ nacional - ou só para se divertir.

  

  

HÁ JUSTIÇA NO MUNDO?

"Meu Deus, o que eu fiz de errado?", perguntou Marta, no mais comovente close da partida entre Brasil e Estados Unidos, que decidiu a medalha de ouro do futebol feminino nas Olimpíadas. As brasileiras lutaram desde o final do primeiro tempo, e durante todo o segundo, mas o jogo permaneceu 0 a 0. No começo da prorrogação, o castigo: um a zero pras americanas, aos 6 minutos.

A partir daí, esgotadas fisicamente, Marta & cia. extraíram de si cada gota de força que ainda tinham para pressionar ainda mais no ataque. Tentaram de tudo. Foi uma infinidade de "quase-gols", de bolas que passaram raspando, de passes que quase chegaram, bolas de longe, cruzadas na área... Um Brasil valente (como o Galvão Bueno gosta de dizer nessas horas) que não desistiu até o último minuto.

Valente, não. Guerreiras, heroínas. Quem disse que os heróis sempre ganham?

Essas meninas foram vice-campeãs olímpicas em Sidney, em Atenas e, agora, em Pequim. Em todas, mereciam ganhar. Foram também vice-campeãs na Copa do Mundo, e também mereciam ter ganho. "Meu Deus, o que eu fiz de errado", perguntou Marta.

É, Deus, o que ela fez de errado?

BANQUETE DO AMOR

Freeman observador

Banquete do Amor (Feast of Love, Estados Unidos, 2007) não tão leve quanto faz crer à primeira vista. É um drama romântico, e não uma comédia romântica, sob a estrutura de um painel de personagens - linha que se tornou a marca registrada de Robert Altman, aqui usada por outro Robert, o Benton, diretor-roteirista de Kramer Vs. Kramer (1979).

Aqui, ele novamente vê o montar e desmontar cotidiano de relacionamentos, mas Kramer era sobre uma família só. Aqui, Morgan Freeman é Harry Stevenson, o velho professor que observa essas movimentações românticas em sua vizinhança. Bradley (Greg Kinnear), o dono do café que se apaixona fácil, e acaba sempre sendo passado para trás; Diana (Radha Mitchell), a corretora de imóveis que resolve namorar um cara por sua “ausência de defeitos”, mas continua a manter um ardente caso com um homem casado; e o nascimento do amor entre um jovem casal, Chloe (Alexa Davalos) e Oscar (Toby Hemingway), ambos sem dinheiro e sem poder contar com qualquer tipo de apoio paterno.

As pequenas histórias vão se cruzando e se desenrolando, defendidas por um elenco com garra. Talvez Radha Mitchell seja a que tem o melhor desempenho, graças a um papel ambígüo e difícil. Os casal jovem também conseguem a simpatia da platéia. E Morgan Freeman cristaliza uma função narrativa em que tem se especializado: a de narrador.

Benton (que, aqui, não é roteirista; o filme foi escrito por Allison Burnett, baseado em livro de Charles Baxter) não se esquiva das cenas de nudez, mas elas são comedidas como, em geral, é o tom do filme inteiro. O grande senão é o final conciliador em excesso, uma utopia que não convence muito em um filme que se pretende uma honesta visão dos relacionamentos. Mas o filme tem seus momentos e o bom elenco garante o interesse.

Frase
HARRY: Às vezes você não sabe que atravessou uma linha até estar do outro lado.

Banquete do Amor. (Feast of Love). Estados Unidos, 2007. Direção: Robert Benton. Elenco: Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Billy Burke, Selma Blair, Alexa Davalos, Jane Alexander, Fred Ward. Atualmente em cartaz em João Pessoa.

FILMES SUGERIDOS NOS COMENTÁRIOS DE JULHO


Cliente Morto Não Paga

Por Alana:
- Perfume de Mulher - Para ela, é a primeira versão, italiana, do Dino Risi.
- Cliente Morto Não Paga - A engraçadíssima paródia dos filmes noir, onde, através da montagem, Steve Martin contracena com os astros do gênero nos anos 1940.
- Quero Ser Grande - Tom Hanks interpreta um garoto que cresceu magicamente, nesta delicada comédia.

Por Audaci Junior:
- Alucinações do Passado - Para mostrar que nem tudo está perdido no cinema de Adrian Lyne: aqui, ele dirige este suspense sobre o desajuste de veteranos do Vietnã.

Por Sérgio Spellmann:
- Amnésia - Christopher Nolan está na crista da onda e lembraram do filme em que se destacou primeiro.

Por Phelipe Caldas:
- Melhor É Impossível - Jack Nicholson e Helen Hunt no máximo de suas formas - ele, como o rabugento cheio de TOCs.

Por Larissa:
- Batman, o Cavaleiro das Trevas - Quem não viu ainda, corra que ainda está no cinema. Você já leu aqui: é um magnífico filme policial e apresenta um Coringa absolutamente desconcertante.

Por Felix Maranganha:
- A Morte Pede Carona - É a versão dos anos 1980, com Rutger Hauer, ou a nova de alguns anos atrás? Espero que seja a dos anos 1980...

Por Felipe Gesteira:
- Falcão Negro em Perigo - Ainda não sou muito chegado a esse filme, acho confuso e centrado demais na ação. Mas a edição é bem eficiente, é verdade. Uma revisão pode mudar meu conceito.

Por Sarah Falcão:
- Um Beijo Roubado - Wong Kar-Wai já fez coisa melhor, mas ainda assim é recheado de beleza e dor.


Batman, o Cavaleiro das Trevas


Um Beijo Roubado

AINDA TEM JOGOS PELA FRENTE

 
Por um lado, a frustração com Fabiana; por outro, a medalha inédita de Fernanda e Isabel na vela

O Brasil está - segundo a última contagem - em 38º lugar nas Olimpíadas. Estamos pior do que a Mongólia (37º), o Azerbaijão (31º) e a Etiópia (24º). Mas também estamos melhor do que muita gente boa, graças à nossa solitária (pelo menos até agora) medalha de ouro. A Suécia, por exemplo, está em 45º (três pratas). A Grécia, mãe dos jogos, amarga o 47º lugar (uma de prata, duas de bronze). Os hermanos argentinos e os mexicanos estão piores ainda: dividem o 50º lugar com Egito, Lituânia, Marrocos, Tadjiquistão e Togo - ou seja, têm uma de bronze, e olhe lá.

A nossa lista de decepções parece crescer a cada dia, é verdade. O judô - que sempre traz um ourinho aqui, outro ali, e onde temos campeões mundiais - desta vez parou nos bronzes. Nem isso pra Diego Hipólito, também campeão mundial, na ginástica. Será que não agüentamos a pressão? Hoje, foi a Fabiana Murer, coitada, que provavelmente não venceria mesmo a Isinbayeva, mas estava na briga por medalhas, até sumirem com a vara adequada para o salto que ela acabou errando três vezes. 

Não faltam espíritos de porco para gritar o primeiro "eu não disse?" a cada não-ouro (incluindo aí as pratas e bronzes). Se Kaio Márcio foi o sétimo na final dos 200m borboleta, lá vem o "eu não disse?". Ou seja: o fato de ele ser, entre todos os nadadores dos mais de 200 países do mundo (faça suas estimativas de quantos são), o sétimo melhor é o mesmo que nada. Pelo jeito, o complexo de vira-latas de que Ñélson Rodrigues falava antes da Copa de 1958 não foi totalmente superado.

O Brasil está em 38º? Ok, se terminar assim, será muito ruim. Em Atenas, terminamos em 16º (5 ouros, 2 pratas, 3 bronzes), nosso melhor resultado na história. Em Sidney, em compensação, foi muito pior do que agora: um lamentável 53º lugar (nenhum ouro, 6 pratas, 6 bronzes). Em Atlanta, 25º (3 ouros, 3 pratas e 9 bronzes). Em Barcelona, também 25º (mas com apenas 1 ouro e 2 pratas). Em Seul, 24º (1 ouro, duas pratas, três bronzes).

Ou seja, estamos abaixo da nossa média dos últimos 20 anos, que é ficar ali pelo 24º, 25º lugar. Mas os Jogos ainda não acabaram. Se ganharmos mais um ouro, já pulamos exatamente para o 25º posto. Com duas, chegamos ao 17º. Não é fácil, mas também não é um delírio. O futebol feminino está na final. O vôlei de praia masculino está com suas duplas na semifinal - como jogam entre si, uma estará na final com certeza. O futebol masculino joga a semifinal pela manhã. Renata e Talita, no vôlei de praia feminino, disputam a semifinal hoje à noite. Também tem Maureen Maggi no salto em distância hoje à noite. O vôlei feminino está indo muito bem, o masculino também segue em frente, ambos nas quartas-de-final (as mulheres jogam nesta madrugada). E ainda há a vela (que poderia estar indo melhor, mas as chances ainda são reais para Robert Scheidt e Bruno Prada).

Ou seja, ainda há muito para acontecer. Inclusive nada. Mas, também, inclusive tudo.

ESTRÉIAS EM JP NA SEXTA, 15/8

Desculpem o atraso.

- Era uma Vez...: De Breno Silveira (de 2 Filhos de Francisco), conta a história de um rapaz do morro e uma garota rica do asfalto que se apaixonam.

- Quebrando Regras: um lutador de artes marciais tenta vencer na vida e superar traumas do passado.

- Star Wars - The Clone Wars: O sétimo filme da saga é o piloto de uma série de animação para a TV e se ´passa entre Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith.

E ainda, a pré-estréia de Estômago, durante toda a semana.

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