ESTRÉIAS DE SEXTA, 8/8, EM JP

- Casamento em Dose Dupla: Diane Keaton bancando a mãe superprotetora, que chega para visitar o filho bem no dia em que ele perdeu o emprego. Só no Box.

- O Grande Dave: Eddie Murphy é o capitão de uma nave de extraterrestres diminutos que vêm estudar nosso planeta. Para poder circular entre a população, a nave tem a forma de... Eddie Murphy. A princípio, parece uma mistura de 'Viagem Fantástica' com 'Power Rangers'... No Box e no Tambiá, só dublado.

- Mais do que Você Imagina: Meg Ryan é a mãe balofa de uma gente do FBI. Quando ele volta de uma missão, ela emagreceu e está namorando Antonio Banderas. O filho logo passa a desconfiar do amante latino. Só no Box.

- Pequenas Histórias: Marieta Severo vai costurando retalhos enquanto conta quatro histórias para crianças, estreladas por Patrícia Pillar (uma sereia), Paulo José (um Papai Noel pouco usual) e Gero Camilo (o ingênuo dono de um burrico). O diretor é Helvécio Ratton, do ótimo Menino Maluquinho - O Filme. Só no Box.

- Romance do Vaqueiro Voador: Documentário do paraibano Manfredo Caldas, a partir do poema homônimo, mostrando a história (e, muitas vezes, a tragédia) dos candangos: os trabalhadores que construíram Brasília (na maioria, nordestinos). Só no MAG.

PROSTITUTAS EM DESFILE

Começo neste domingo com amigos uma mostra de filmes cujo tema é prostitutas. Divido com vocês cenas e trailers dos filmes que estarão lá para votação e poderão ser assistidos nos três domingos de exibição.



A Dama das Camélias (1936)
Greta Garbo é a cortesã que fica dividida entre o amante rico e o jovem pobre por quem se apaixona. Foi indicada ao Oscar de melhor atriz e foi eleita a melhor do ano pelo Círculo de Críticos de Nova York.


A um Passo da Eternidade
(1953)
Donna Reed ganhou o Oscar de atriz coadjuvante como a prostituta que se realciona com um soldado da base havaiana de Pearl Harbor. O filme ganhou oito Oscars, incluindo melhor filme.


Noites de Cabiria (1957)
Cabiria (Giulietta Masina) é uma prostituta romana que sonha com dias melhores, mas a vida sempre lhe passa a perna. Melhor atriz no Festival de Cannes e o filme ganhou o Oscar de melhor filme de língua não inglesa.


Gigi (1958)
Na França, espevitada garota é treinada pela própria avó para ser cortesã. Leslie Caron foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e o filme ganhou nove Oscars, incluindo melhor filme.

Disque Butterfield 8 (1960)
Elizabeth Taylor ganhou o Oscar de melhor atriz e foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática como a modelo que também é garota de programa.


Bonequinha de Luxo (1961)
Em Nova York, escritor conhece a vizinha de baixo: uma garota de programa com uma visão particular da vida e fixação na joalheira Tiffany's. Audrey Hepburn foi indicada ao Oscar de melhor atriz e ao Globo de Ouro de atriz em comédia ou musical.

 


Irma La Douce (1963)
Policial ingênuo é transferido para uma rua onde trabalham prostitutas. Shirley MacLaine foi indicada ao Oscar e ao Bafta de melhor atriz e ganhou o Globo de Ouro de atriz em comédia ou musical.

 
Matrimônio à Italiana (1964)
Comerciante começa um romance com uma prostituta, o que terá vários desdobramentos futuros. Sophia Loren foi indicada ao Oscar de melhor atriz e ao Globo de Ouro de atriz em comédia ou musical.


A Bela da Tarde (1967)
Mulher aproveita que o marido está no trabalho e vira prostituta às tardes, em um bordel. Catherine Deneuve foi indicada ao Bafta de melhor atriz e o filme ganhou o Leão de Ouro em Veneza.


Susie e os Baker Boys (1989)
Dupla de pianistas em crise resolve contratar uma vocalista. A escolhida é uma sensual prostituta, dona não só de uma bela voz, mas de um belo corpo. Michelle Pfeiffer foi indicada ao Oscar e ao Bafta de melhor atriz, e ganhou o Globo de Ouro de atriz em drama e foi eleita a melhor do ano pelo Círculo de Críticos de Nova York.


Os Imperdoáveis (1992)
Quando uma prostituta é ferida por um cliente, as outras contratam um grupo de pistoleiros para vingá-la - entre eles, está um lendário bandido, há muito aposentado. Oscar de melhor filme.


Los Angeles, Cidade Proibida (1997)
Nos anos 1940, uma investigação criminal acaba envolvendo uma prostituta que faz parte de um elenco que foi moldado para parecer atrizes de Hollywood. Kim Basinger ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de atriz coadjuvante.

CIRCUITO DOS BLOGUES

As novidades nesse mundo blogueiro de meu Deus:

*Novas aventuras do Capitão Capitalista e do Tony Jampada, no Eu Odeio Isso Aqui!...

*...a visita do Luiz Carlos Merten ao Rancho Skywalker!...

*...no Blog do Bonequinho, uma entrevista do Rodrigo Fonseca com o Márcio Simões, que é a voz do Coringa na versão dublada de Batman, o Cavaleiro das Trevas (só pra lembrar, ele é a voz habitual do Will Smith e foi o gênio de Aladdin)...

*...uma declaração de amor muito lindinha no Livro dos Dias...

*...no blog da Comic House, uma pequena análise de Watchmen, clássico das HQs disponível lá na loja...

*...Cássio Starling Carlos comenta os novos DVDs restaurados da trilogia O Poderoso Chefão, no Ilustrada no Cinema...

*... o Gibizada traz muita coisa: os novos livros da Zarabatana, Maurício falando da Mônica Jovem e novidades de Fábio Moon e Gabriel Bá (aguardem entrevista minha com eles)...

*...o Rafinha Bastos, do CQC, disponibiliza um áudio dos tempos em que ele apresentava um programa de sexo no rádio!...

*...um bom blog sobre cinema e quadrinhos: Viver e Morrer no Cinema (o nome também é ótimo!).

CURVA DO DESTINO

Por baixo da pobreza

Curva do Destino (Detour, Estados Unidos, 1945) ganhou um espaço generoso no documentário (e livro) de Martin Scorsese sobre o cinema americano. Está entre os filmes comentados por Roger Ebert em seu livro A Magia do Cinema. Peter Bogdanovich é admirador declarado do diretor Edgar G. Ulmer. E François Truffaut também fala dele em seu Os Filmes da Minha Vida. Quem assistir ao filme e depois souber dessas referências certamente vai se perguntar, desconcertado: por quê?

Um produção B menos, Curva do Destino deixa transparecer a todo momento sua pobreza franciscana. Foi rodado em seis dias e, para uma história que se passa basicamente na estrada, há muitas cenas de projeção de fundo – e os efeitos são especialmente ruins. Uma das personagens, que a partir de certo ponto da trama só aparece ao telefone, surge sempre no mesmo cenário e ângulo de câmera. E, perto do fim, a grande reviravolta da trama – que, em termos de roteiro, é mesmo muito boa – parece que precisava de um planejamento melhor para se tornar mais convincente. 

Isso, sem falar no protagonista: Al Roberts (Tom Neal), um pianista talentoso, mas fracassado, e que vive se lamuriando de que a vida não dá a ele uma chance. Para o espectador, inclusive, já que o filme é narrado por ele em off e em flashback. Ele está visivelmente na pior, em uma lanchonete, e uma música acaba trazendo as más recordações. Trabalhando numa boate de calibre baixo em Nova York, namora Sue (Claudia Drake), a cantora do local. Mas ela quer fazer carreira no cinema e, depois de semanas separados, resolve cruzar o país de carona para encontrá-la.

Pensa dar sorte quando um sujeito chamado Haskell (Edmund McDonnell) o pega no Arizona e diz que vai até a Califórnia. Mas quando o dono do carro adormece e morre no meio da estrada, Roberts se vê em apuros: quem vai acreditar que ele não matou o homem? “O destino está sempre pronto para esticar o pé e fazer você tropeçar”, diz, numa frase definitiva do filme noir. E mal sabe como está certo.

É aí que o filme começa de verdade. E mais ainda quando ele assume a identidade do morto e seus pertences e dá carona a uma garota mais à frente, Vera (Ann Savage) – e ela não demora a desmascará-lo. Nas mãos dela, uma dominadora que não dá folga, ele só quer ver-se livre de tudo isso e reencontrar a namorada, mas o destino já se prepara para esticar a perna de novo.

Essa descrença no mundo, de uma maneira geral, remete ao expressionismo alemão das décadas de 1910 e 1920, e não por acaso. O diretor Ulmer foi assistente de F.W. Murnau em A Última Gargalhada (1924), na Alemanha, e Aurora (1927), quando os dois já tinham se refugiado do nazismo na América. Ele driblou como pôde o baixíssimo orçamento. Às vezes, perdeu a bola. Mas em outras até que conseguiu ir à linha de fundo e fazer o cruzamento.

A dinâmica entre o protagonista fraco de espírito (na vida real, o ator Neal nunca teve sucesso e ainda foi acusado do assassinato de sua terceira mulher) e a salafrária sem um pingo de piedade funciona e faz a história caminhar. E a desorientação de Roberts quando se vê numa encrenca sem solução é a cena exemplar. Sua narração em off se desenrola enquanto a câmera vaga sem rumo pelo quarto, entrando e saindo de foco durante a trajetória. Há outros momentos assim em Curva do Destino, nos quais Ulmer se debate contra a falta de dinheiro e arrisca tudo para mostrar um pouco de ousadia e criatividade. 

É nessa postura que está a razão de tantas menções honrosas para este filme. Na idéia de que as limitações não podem ser desculpa para um trabalho medíocre – Curva do Destino pode até não ser um filme bom de verdade, mas medíocre ele não é.

Frase
AL ROBERTS: "Sim. O destino, ou alguma outra força misteriosa, pode colocar o dedo em você ou em mim sem nenhuma razão especial".

Curva do Destino. (Detour, Estados Unidos, 1945). Direção: Edgar G. Ulmer. Elenco: Tim Neal, Ann Savage, Claudia Drake, Edmund McDonnell. Disponível em DVD pela Aurora.

SEÇÃO DE CARTAS

Juliana, eu diria que as críticas estão divididas, e não apenas detonando o Ensaio sobre a Cegueira. Em todo caso, estou torcendo pro Meirelles, que sempre me atendeu muito bem. E sobre a Mônica Jovem, por mais mudanças que tenha a nova revista, acho que posso afirmar com certeza que não vai substituir a velha turminha (que ainda resiste em algumas transgressões). ("Novo trailer de 'Ensaio sobre a Cegueira'", 7/7; "Aos 16", 25/7)

Sérgio, é como já dizia o Chacrinha: "Nada se cria, tudo se copia". Ou foi Lavoisier? Bom, bem-vindo ao blog! ("Jogo de Amor em Las Vegas", 8/7)

Alana, os dois labirintos são, cada qual a seu modo, meio fantasmagóricos, não? ("Filmes sugeridos nos comentários de junho", 7/7)

Felipe, quem teria competência suficiente para levar O Cavaleiro das Trevas do Frank Miller ao cinema? Certamente não ele mesmo, pelo que se vê dos primeiro trailers de The Spirit... ("A ética do super-herói", 19/7)

Michel, bem-vindo a esta casa, onde cabem blockbusters e clássicos - de preferência que ambos sejam de verdade. Lelei, você é um danado. Seu único defeito é não gostar de Cantando na Chuva. ("Pacto de Sangue", 20/7)

Sílvio, respondendo no contexto das nossas brincadeiras, enquanto você diz que Hollywood me faz mal, tem gente que diz que eu não gosto do que o "público normal" gosta. Assim, me sinto num saudável equilíbrio. Mas você, como sempre, resistindo aos novos (Batman pode ser velho, mas a visão dos filmes do Christopher Nolan sobre o personagens são totalmente novas no cinema - o Tim Burton passou longe), hehe. Mas assista, rapaz, assista. ("Batman, o Cavaleiro das Trevas", 21/7)

Felix, eu não sei, não, se o universo desse Batman casaria bem com o do Super-Homem ou dos outros heróis da Liga da Justiça. Eu já papeei bastante sobre isso com amigos. Acho que quando criam o tom do filme (ou desenhos) do Batman, ele é difícil demais de ser mantido em conjunto com outros heróis. É só ver as séries Animated. O Batman é que teve que se adequar ao tom dos desenhos do Super-Homem para a série Liga da Justiça, e não o contrário. ("Batman, o Cavaleiro das Trevas", 21/7)

Pois é, Linaldo, no caso do Batman, acho que esse perfil mais psicológico só enriqueceu o personagem e o filme. ("Batman, o Cavaleiro das Trevas", 21/7)

Gilmara, como você viu num post mais abaixo, não é só um número, não. A proposta da Turma da Mônica Jovem é ser uma série paralela às demais revistas da Maurício de Sousa Produções. Dá uma lida na historinha que está no site e depois diz o que achou. ("Aos 16", 25/7)

Oi, Sarah! Que legal você por aqui! Se a Mônica ficou parecida com uma menina que começa com La e termina com Rissa, eu não vou discutir, mas espero que essa menina não arrume um coelhinho por aí (ou pegue o da minha sobrinha Bebel), hehehe. ("Aos 16", 25/7)

ROMANCE DO VAQUEIRO VOADOR

½

Poema-verdade

Romance do Vaqueiro Voador (Brasil, 2008) não é um filme de fácil definição - como muitas críticas pelo país têm apontado. Tem alma de documentário, isso não se pode negar. Mas é um documentário “poético”, a partir de sua espinha dorsal, o poema de João Bosco Bezerra Bonfim que é declamado por Luiz Carlos Vasconcelos e tem trechos interpretados por cantadores ao longo do filme.

Mas não é só por aí. O lado do filme que se afasta de uma narrativa tradicional se estende quando Romance do Vaqueiro Voador começa a propositalmente confundir o que é documentário e o que é ficção dentro dele. Vasconcelos recita o poema épico que foi inspirado em Brasília Segundo Feldman, documentário de outro paraibano: Vladimir Carvalho. Conta a história de um vaqueiro que trocou o sertão nordestino pelo cerrado do Centro-Oeste e as vaquejadas por um canteiro de obras - gigante, o da construção de Brasília. Em condições sub-humanas, um acidente o faz cair - voar - em direção à morte.

A história desse vaqueiro fictício, essa lenda, representa a história de todos os outros que morreram naquelas obras. Depoimentos contundentes de ex-operários dão a sutentação de veracidade para o poema central, misturando o real e o imaginário.

Nova mistura acontece quando o diretor Manfredo Caldas e o ator Luiz Carlos surgem em cena como eles mesmos, se preparando para o papel e conhecendo a história dos candangos. Em certo momento, começa a recitar o poema - tudo muito dirigido, provavelmente até ensaiado.

Vale ressaltar também, a habilidade do filme em viajar do presente ao passado e de volta, numa analogia inteligente entre a Brasília construída e aquela ainda por existir - à custa de muitas vidas anônimas.

Romance do Vaqueiro Voador. Brasil, 2008. Direção: Manfredo Caldas. Elenco: Luiz Carlos Vasconcelos. Exibido em João Pessoa e Campina Grande apenas em pré-estréia.

MÔNICA JOVEM GANHA SITE OFICIAL

A Turma da Mônica Jovem ganhou um site. Lá dá para ver os personagens com mais detalhe, ler as mudanças que sofreram - sim, tudo aquilo que você já leu aqui é verdade - e ainda é possível ler a edição número zero, que apresenta essas novidades todas. Eu li e as primeiras impressões são as seguintes: não é tão mau quanto parece.

O estilo mangá está lá discretamente - em boa parte, parece uma história normal da Mônica. Na capa, ela está uma gatinha, mas na páginas internas nem sempre. Como tudo é uma apresentação (ela conta ao diário as mudanças pelas quais passou e as dos amigos), não deu pra sentir como será uma história normal.

De repente, se encararmos a coisa como um "túnel do tempo" (série da DC com histórias especiais que jogam os personagens clássicos da editora em uma abientação diferente, como "e se o Batman surgisse na Idade Média?"), e não como o futuro marcado dos personagens, a coisa acabe funcionando. Por enquanto, é curioso, mas ainda um risco.

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