'MAMMA MIA!' SÓ EM SETEMBRO

Mamma Mia!, o filme que adapta o musical dos palcos ingleses inspirado em canções do Abba já estreou lá fora, iria passar aqui em agosto, mas foi adiado para setembro. Como consolo, dá para ver a esfuziante Meryl Streep neste terceiro e mais completo trailer do filme:

DE OLHOS BEM FECHADOS?


Condoleeza e Hu: ah, os bons tempos...

Já estava demorando. Eu vinha estranhando que, depois daquela comoção mundial durante a volta ao mundo da tocha olímpica e faltando uma semana para a abertura dos Jogos Olímpicos, ninguém mais protestou contra os abusos da China contra os direitos humanos. Parecia até que o Tibete estava, enfim, livre. Faz tempo que o Dalai Lama não aparece nos noticiários e até o Richard Gere anda sumido.

Pois bem, aconteceu. Os Estados Unidos receberam em Washington dissidentes chineses e Pequim não gostou nadinha da afronta. O mal estar gerou uma situãção inusitada - e bem chinesa, politicamente falando: hoje, o presidente da China concedeu pela primeira vez uma entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros. Só pra manter as aparências, claro. Pela matéria do Bom Dia Brasil, o presidente Hu Jintao só respondeu o que quis - já que as perguntas tiveram que ser enviadas antes e as minimamente polêmicas foram obviamente descartadas.

Não é só o céu poluído que está feio em Pequim. Outra polêmica diz respeito à censura à internet para os jornalistas credenciados. Parece que isso já foi resolvido - para os jornalistas que vão cobrir as Olimpíadas, não para o resto do país, que continua tendo o acesso restrito a sites "ameaçadores".

Pode não acontecer nada, mas há uma boa chance de vermos um sururu diplomático durante os Jogos. Os chineses já disseram, durante aqueles protestos nos desfiles da tocha, que protestos serão permitidos - desde que seja no cercadinho que eles vão preparar em um local que, certamente, não vai atrapalhar o bom andamento dos trabalhos e nem chamar a atenção. Mas se é da natureza das manifestações atrapalhar e aparecer, o que vai acontecer quando o primeiro sujeito gritar "Free Tibet" na frente de um estádio ou numa rua?

Vão prender o cidadão? As embaixadas se ouriçarão no Ocidente? Vai tudo pra baixo do tapete? Os chineses vão fechar ainda mais seus olhos, engolir em seco e deixar passar?

ESTRÉIAS DE SEXTA, 1/8, EM JP

- Amar... Não Tem Preço: comédia francesa com Audrey Tautou, envolvendo trapaças, hotéis de primeira classe e romance.

- A Múmia - Tumba do Imperador Dragão: A terceira parte da série, com o mesmo elenco, exceto Rachel Weisz (substituída por Maria Bello), e se passando na China.

- O Signo da Cidade: O filme escrito e estrelado pela Bruna Lombardi e dirigido pelo Carlos Alberto Riccelli. Ela é uam astróloga de rádio, que acaba se envolvendo com os dramas de seus ouvintes.

LADEIRA ABAIXO?


Globo.com

A coisa ainda não está feia, mas está cada vez mais perto de ficar.

Já são cinco jogos sem vitória e nenhuma solução à vista para as saídas de Marcinho e Renato Augusto - o Sousa, convenhamos, já vai tarde. Se o time ficar dependendo de colocar o Obina no primeiro tempo (ele rende mesmo é quando entra no segundo tempo, mesmo que ele diga que não) ou do (até agora, pelo menos) inútil do Maxi.

Pior, já perdemos para São Paulo, Vitória e Palmeiras - três concorrentes diretos pelo título. E para o Coritiba, que está mais atrás, mas está ali, em sétimo. Agora, é preciso virar o jogo contra o Cruzeiro, domingo, no Maracanã. O Grêmio ainda joga hoje à noite, e ainda pode confirmar a liderança, se vencer justamente o Coritiba.

Uma coisa tem que ser dita: que campeonato! Pra calar de vez os bobalhões que ainda defendem a volta ao sistema de quartas-de-final, semifinal e final (embora eles não se calem, mesmo).

A CASA AO LADO

½

Mistério em Joinville

A Casa ao Lado (HQM, 56 páginas) não quer inventar nada: é basicamente uma trama de mistério que se desenrola numa rua comum de Joinville, em Santa Catarina. Inspirada em tantos filmes e HQs do gênero e alguns elementos históricos para dar o molho, é um HQ nacional correta e que se configura em um bom começo para seus criadores.

Diogo César é o roteirista e Pablo Mayer o ilustrador. Eles foram selecionados pelo edital de apoio à cultura da Fundação Cultural de Joinville e produziram a história de Jorge, um recém-divorciado que, numa manhã, descobre que seu filho desapareceu junto com a filha de uma vizinha. E a principal suspeita da vizinhança é a casa abandonada, ao lado da sua, que tem fama de assombrada.

O andamento da história alterna entre o cotidiano da rua, agitado pelos desaparecimentos, e o ar de sátira de filme de terror e reserva mais mistérios e desaparecimentos. E também uma reviravolta importante. As explicações que surgem a partir daí acabam soando meio forçadas e apresssadas, mas a HQ compensa com o belo final. A arte de Mayer é ousada, apostando num grafismo, traços simples e predominância da cor verde. Um coquetel que não funciona em 100%  da HQ, mas sem dúvida, dá a ela personalidade.

A edição, em si, é simplesinha, mas com um papel de boa qualidade e um preço médio bem razoável (R$ 14,90). A crescente ascensão dos quadrinhos nacionais no mercado das livrarias e comic shops é resultado de uma postura bem vinda de editoras como, principalmente, a Devir, Conrad, Desiderata, Pixel e a própria HQM. Em outros tempos (nem tão distantes), dificilmente veríamos o trabalho de Diogo César e Pablo Mayer ou acompanharíamos seus projetos que certamente vêm por aí, no futuro próximo.

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA - O FILME

½

Viagem descartável

O próprio Brendan Fraser disse que, se fosse o público, não assistiria a Viagem ao Centro da Terra - O Filme (Journey to the Center of the Earth, Estados Unidos, 2008) se a sessão não acontecesse numa sala com a tecnologia do 3-D digital. Ele podia apenas estar promovendo o novo modelo (trata-se do primeiro filmes com atores a ser filmado 100% no processo), mas acabou dizendo o seguinte: é um filme feito para os efeitos especiais, que não se sustenta sem eles.

E tem razão. O filme até parte de uma idéia simpática: não é uma refilmagem exata da obra de Júlio Verne, mas reconta os mesmos passos da história com personagens modernos. Que, inclusive, seguem o livro original como um guia para a aventura. Fraser é um geólogo que vai, com o sobrinho (Josh Hutcherson) e uma guia (Anita Briem), em busca do irmão desaparecido na Islândia - ele descobre que Verne descreveu mesmo o centro da Terra em seu livro e o irmão também chegou lá.

Movimentado, o filme se concentra em utilizar os efeitos 3-D como pode: é um festival de objetos atirados em direção à tela, deixando completamente a história em segundo plano. Não há o menor conflito entre o trio de personagens, que apenas desfila entre os seres fantásticos - pássaros luminosos, plantas carnívoras, dinossauros. O filme não gasta qualquer esforço para criar uma trama interessante entre eles.

Um mínimo de dedicação à trama - em vez de apenas usá-la como muleta para os efeitos 3-D - tornaria esta nova versão de Viagem ao Centro da Terra um filme muito melhor (há uma versão de 1959, com James Mason). Do jeito que está, é um passatempo ralo e com pretensões que não se cumprem - ao menos, não sem os efeitos 3-D. Com eles, a sensação de montanha russa deve ser infinitamente maior - mas tão descartável quanto.

Frase
SEAN: (para o tio, ambos correndo de um tiranossauro) Você nunca tinha visto um dinossauro antes?
TREVOR: Não com pele nele!

Viagem ao Centro da Terra - O Filme. (Journey to the Center of the Earth). Estados Unidos, 2008. Direção: Eric Brevig. Elenco: Brendan Fraser, Josh Hutcherson, Anita Briem, Seth Meyers. Atualmente em cartaz no Box Manaíra, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

PAIXÃO DOS FORTES

 

Filme-se a lenda

John Ford dizia a propósito de Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, Estados Unidos, 1946) que tinha ouvido a história de Wyatt Earp da boca do próprio. Não se sabe o que exatamente o ex-xerife contou a ele, mas parece mais ser uma bravata de Ford, na linha da frase assinatura do filme que faria 16 anos depois, O Homem que Matou o Facínora (1962): “Quando a lenda é mais interessante que a verdade, publique-se a lenda”. Mas não é uma bravata: o diretor conheceu mesmo Earp, nos seus primeiros tempos de diretor em Hollywood.

Ford não está interessado na verdade, e, sim, na lenda. Considerado o Homero do cinema, ele construiu uma mitologia sobre o velho oeste americano. Por isso, as polêmicas em torno da vida de Wyatt Earp são deixadas de lado aqui. O vemos, com seus irmãos, chegando aos arredores de Tombstone, conduzindo gado. Embora o nome da cidade seja icônico (significa “tumba” ou “lápide”), ela existe mesmo – a dublagem brasileira a traduziu de modo bem curioso: Cemitério.

Ele não está interessado em confusão, apenas em fazer a barba sossegado na cidade. Mas nem isso ele consegue: um bêbado atirando no saloon em frente mostra que a polícia, ali, é incapaz de resolver até o mais simples problema – ainda de espuma na cara, é ele que domina o atirador e o arrasta pelos calcanhares. Mas só aceita o convite para ser xerife quando está emocionalmente envolvido: os Clanton, pai e filhos, barões de gado locais, roubam seu rebanho e matam James, o mais novo dos Earp, que ficou tomando conta enquanto os três mais velhos foram a Tombstone.

Uma cidade onde um adolescente é morto covardemente por causa de gado precisa de redenção. É o plano maior de Wyatt Earp, embalado na rivalidade entre os Earp e os Clanton e na espera até que o inevitável ajuste de contas aconteça – no agora famoso Ok Corral. Entre esses momentos, se constrói a história da amizade entre Wyatt Earp e John “Doc” Holliday, pistoleiro e médico (na verdade, dentista) que comanda o jogo em Tombstone (um relacionamento ao qual inúmeros faroestes voltariam pelas décadas seguintes). Se a princípio, os dois deveriam estar em lados opostos, logo o respeito mútuo põe a casa em ordem. O xerife deixa claro a Holliday que o enfrentaria se fosse preciso, mas não é nele que está interessado.

Henry Fonda interpreta Wyatt Earp como um homem cansado da violência de outras épocas e procura um novo estilo de vida. Embora não fuja da ação, não a procura: gosta de ficar balançando sobre as pernas traseiras de uma cadeira na varanda em frente à delegacia, vendo o movimento de uma cidade ainda em construção. A chegada da civilização ao Oeste é um tema caro a Ford e o cotidiano de Tombstone rumo ao progresso ganha muito espaço no filme: como na cena da dança, no tablado da igreja que ainda em construção, e o cômico personagem do ator shakespeariano (Alan Mowbray, ainda por cima inglês) que chega com sua trupe à cidade.

Victor Mature é Doc Holliday – provavelmente o tuberculoso mais em forma do mundo (o ator seria Sansão na superprodução de Cecil B. DeMille, dois anos depois). É outro personagem que encontrou em Tombstone um local ideal para fugir do passado. Arranjou até uma garota: Chihuahua (Linda Darnell, que faz jus ao nome), a mexicana que faz as vezes de cantora do saloon de Doc – e que, no filme, substitui a verdadeira mulher de Doc, Katie Elder. É violento e bêbado, mas há mais neste homem desesperançado: não é qualquer um que recita Shakespeare de cor, como faz quando salvam o inglês de ser atormentado pelos Clanton.

A Clementine do título não existe na história verdadeira. É mais um elemento icônico que Ford e os roteiristas xxxxxxx puseram em Paixão dos Fortes. A mulher distinta que contrasta com a aparência mundana de Chihuahua. O filme vai mostrar que isso não é à toa: Clementine (Cathy Downs) parece um oásis de delicadeza na aridez do Oeste (Ford filmou tudo no seu querido Monument Valley). Se os homens maus não abalam Wyatt Earp e Doc Holliday, é Clementine quem consegue desconcertar os heróis e levá-los a momentos impensáveis: o xerife dança com ela na cena do baile da igreja, uma cena memorável de toda a filmografia de John Ford. A cena final mostra que a professora é mais um elemento da chegada da civilização àquela região dos Estados Unidos. Não é à toa que é ela quem está no título do filme.

Da mesma forma, o filme é cheio de cenas icônicas: o juramento por dias melhores que Wyatt faz na lápide de James; o confronto moral entre Earp e Holliday, um medindo o outro antes que sua aliança não declarada seja firmada; a determinada caminhada dos heróis até o local do duelo, para os “negócios de família”. Tudo isso mesclando o cotidiano na barbearia, no saloon e na missa com a viva sensação de que algo maior está acontecendo nas entrelinhas daquelas ações tão casuais.

Talvez Ford não estivesse contando a história de Wyatt Earp e Doc Holliday, mas, em um nível maior, a história dos Estados Unidos. Ou então, como conta o historiador John Mack Faragher no livro Passado Imperfeito, o historiador do cinema John Tuska perguntou uma vez a John Ford o motivo de, tendo conhecido pessoalmente o velho Wyatt Earp, descartar os fatos como exatamente aconteceram. Com a rabugice que lhe era peculiar, Ford devolveu: “O senhor gostou do filme?”. Tuska não teve outra opção a não ser admitir que Paixão dos Fortes era um de seus filmes favoritos. “Que mais quer, então?”.

Frase
WYATT EARP: (na lápide do irmão) "Eu vou ficar aqui por um tempo. Não sei dizer quanto. Talvez quando nós deixemos esta terra meninos como você possam crescer e viver a salvo".

Paixão dos Fortes. (My Darling Clementine). Estados Unidos, 1946. Direção: John Ford. Elenco: Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature, Walter Brennan, Tim Holt, Cathy Downs, Ward Bond, Alan Mowbray, John Ireland, Roy Roberts, Jane Darwell, Grant Withers, Mae Marsh. Disponível em DVD pela 20th Century-Fox.

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