A ÉTICA DO SUPER-HERÓI

Conforme combinado com meus colegas de Vida & Arte - Astier e André Cananéa, aqui vão umas primeiras impressões de Batman, o Cavaleiro das Trevas, ainda sob o impacto do filme (cinco horas após o término da sessão). André já escreveu no blog dele e Astier também o fará ainda neste fim de semana. É preciso dizer, antes de mais nada, que há uma discussão antiga aqui - que vem desde Batman Begins, precisamente. Resumindo: André odiou porque achou tudo psicológico demais, pouco super-heróico e chato; eu adorei porque psicologicamente é o primeiro filme a entender realmente o Batman, é super-heróico de um jeito adulto e empolgante.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto citado no blog dele e que fala de mim, particularmente. Tem uma frasezinha incômoda lá: "Renato defende o filme antes de vê-lo sustentado nas opiniões ilibadas de críticos como Luiz Carlos Merten. Pô, esses caras são completamente falíveis".

Pode até não ter sido a intenção, mas isso fica parecendo que minha aposta no filme é baseada apenas pelo fato do Merten - ou outros críticos de opiniões ilibadas - dizerem "a" ou "b". Desculpe, não sou tão ingênuo. O Merten é meu crítico preferido, sim, por dois motivos: as opiniões dele costumam bater com as minhas e o texto dele combina talento, fluência e ótima análise.

Mas claro que ele e outros caras são completamente "falíveis" - como eu e como o Cananéa também. E eu entendo por "falível", aqui, o simples fato de que um filme que ele elogie, eu posso não achar tão bom (e posso até achar muito ruim). De vez em quando acontece, não é algo assim tão raro. É óbvio (ou deveria ser) que minha aposta (e não defesa antecipada) em Batman, o Cavaleiro das Trevas vem da conjunção de uma série de fatores, a saber:
- O pedigree da equipe criativa;
- O fato de que esta é um continuação e eu posso usar o anterior como base (já que a equipe criativa é a mesma);
- As notícias em torno do filme, sobre sua filmagem e o desenvolvimento da história;
- Os trailers, fotos e primeiras cenas divulgadas na internet;
- E, sim, as primeiras críticas de profissionais em quem confio.

É claro que eu confio na opinião do Luiz Carlos Merten (ou da Ana Maria Bahiana, ou do Rodrigo Fonseca, ou do Roger Ebert, ou do Ruy Castro, ou de tantos outros) tanto quanto não confio na do Rubens Ewald Filho (que já mostrou que se interessa por um tipo de análise mercadológica que eu dispenso). O que não quer dizer que eu não possa ocasionalmente discordar do Merten e concordar com o Rubens. Minha aposta no filme (e não defesa antecipada, repito) é bem mais embasada do que seguir uns críticos como cordeirinho.

Isto posto, vamos ao filme. É simplesmente uma das experiências cinematográficas do ano. O Coringa de Heath Ledger é mesmo tudo o que andam dizendo: uma força do caos, imprevisível, desconcertante, arrotando um humor nigérrimo que deixa o espectador entre a estupefação e a gargalhada. É diferente do Coringa que Jack Nicholson interpretou com genialidade no Batman (1989) de Tim Burton, que era mais circense, galhofeiro. Este aqui não deixa de ser um palhaço, mas sua periculosidade aumenta em níveis estratosféricos.

Um dos motivos para que esse efeito aconteça é o seguinte: este Batman se passa em um mundo de verdade, palpável. Gotham City é Chicago (como Metrópolis é Nova York nos filmes do Super-Homem) e não uma cidade clamorosamente de mentirinha como nos Batmans de Tim Burton e (deixa eu me benzer) Joel Schumacher. Esse ar de veracidade - que mistura o gênero policial, com suspense e até elementos de espionagem - é ainda maior aqui que no Begins, para benefício deste filme.

Isto porque as relações humanas também passam veracidade - e é aí que os filmes do Morcego de Christopher Nolan ganham de goleada dos de Tim Burton. Nicholson era um Coringa ótimo num filme que era bonzinho e olhe lá. Ledger é sensacional num filme em que absolutamente tudo dá certo. O elenco contribui com o máximo de seus talentos - Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman são alicerces firmes para que Christian Bale construa o Batman mais humano que já se viu no cinema. Todos, aliás, são beneficiados por construções perfeitas de seus personagens no decorrer do filme.

Se o Begins era o único filme até então a entender bem quem é o Batman e por que ele faz o que faz, O Cavaleiro das Trevas dá um passo adiante: agora ele vai se perguntar se a sociedade precisa mesmo dele, se ele não inspira mais o mal do que o bem, até onde ele pode ir sem se corromper pela violência como seus inimigos, se não é só mais um louco num hospício cada vez maior. Limites que os maus roteiristas de quadrinhos muitas vezes ignoram, transformando o Homem-Morcego muita vezes em um verdadeiro sociopata. O Coringa está no filme para levar os bons ao limite de sua ética. Não só Batman ou o promotor Harvey Dent, mas todos nós na platéia, nos levando a pensar: até onde iríamos?

Ao contrário do que meu amigo Cananéa acredita, essas perguntas são parte fundamental do Batman e não tiram dele seu caráter de super-herói. Se este Batman pede um espectador mais adulto, há outros produtos do personagem por onde as crianças podem começar até chegar neste estágio (a excelente Batman - Animated Series, por exemplo, que não deixa de abordar questões fundamentais do Homem-Morcego, para censura livre).

Há super-heróis e super-heróis. Batman é diferente do Super-Homem, que ajuda a humanidade porque é bom - e isso o define plenamente (porque ele é a matriz do heroísmo). O Super-Homem é um personagem que conserva uma pureza de espírito, um status de símbolo que ainda o permite salvar um gatinho preso em uma árvore mesmo nesses tempos pós-11 de setembro. O Batman pede uma abordagem mais sombria e complexa - do qual este O Cavaleiro das Trevas é o filme mais representativo até agora.

DE EMÍLIA A EMÍLIA

Um dia desses foi aniversário de morte do Monteiro Lobato. Fiz uma matéria pro JP, mas queria ter colocado um post que vem só agora: a Emília através dos tempos:


Lúcia Lambertini foi a Emília na versão da TV Tupi, que ficou no ar de 1952 a 1962 e em 1964 na Tv Cultura.


Zodja Pereira foi a Emíia da versão da Bandeirantes, entre 1967 e 1969.


Dirce Migliaccio estreou a versão da Rede Globo e foi a bonequinha na primeira temporada, em 1977.


A melhor das Emílias foi Reny de Oliveira, que entrou em 1978 e ficou até 1983.


Suzana Abranches assumiu o papel de 1983 até o fim da série em 1986.


Uma nova versão estreou na Globo em 2001, com Isabelle Drummond, sete anos, se tornando a primeira criança a interpretar a bonequinha. Ela deu conta do recado e ficou no papel até 2006.


Tatyane Goulart foi a Emília da última temporada do Sítio até agora, em 2007.

ESTRÉIA NESTA SEXTA, 18/7, EM JP

- Batman, o Cavaleiro das Trevas: Preciso mesmo apresentar? A continuação de Batman Begins traz o Coringa como uma força devastadora do caos que deve ser contida pelo Homem-Morcego e vai até fazê-lo questionar seus métodos. Elenco de primeiríssima: Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman estão de volta; Maggie Gyllenhaal substitui Katie Holmes (ainda bem); Heath Ledger e Aaron Eckhart são os novatos, como o Coringa e o promotor Harvey Dent, que... Ah, se você não sabe, é claro que não serei eu que vou contar. No Box, no MAG e no Tambiá.

CONFIANÇA

Salvatore Cacciola disse em coletiva que confia na Justiça brasileira. É claro. Afinal, não foi a própria Justiça que concedeu o habeas corpus que permitiu que ele, em desabalada carreira, fugisse do país?

E, se ele estivesse lendo os jornais lá de Mônaco, certamente ficou tranqüilo ao ver a performance do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, no caso Daniel Dantas. Viu que a relação da Justiça com os banqueiros não mudou tanto assim.

'NOME PRÓPRIO' EM BUSCA DO PÚBLICO

 

Amanhã, dia em que estréia o aguardadíssimo Batman, o Cavaleiro das Trevas, também é o dia em que estréia o novo filme de Murilo Salles, Nome Próprio, estrelado pela magnífica Leandra Leal. O filme é baseado em dois livros da escritora e blogueira gaúcha Clarah Averburck e é sobre uma escritora paulistana em crise para escrever o primeiro livro. Enquanto não escreve, se entrega ao ao fumo e à bebida. E ao sexo. Ao que me consta são cenas fortes - até surpreendentes para quem se acostumou com uma imagem de certa candura quando se pensa em Leandra. É o que tem sido mais notícia a respeito do filme: Leandra fica nua ou quase por, pelo menos, metade do filme.

O caso é que o confronto de datas com o golias cinematográfico de Gotham City provocou uma curiosa convocação ufanista no blog da produção do filme. O chamado à ação é claro: o filme precisa fazer bilheteria no primeiro final de semana, ou será limado das salas. "É bem assim: se as pessoas forem ao cinema e o filme cumprir a ‘renda média’ ele continua em cartaz por mais uma semana. Se isso não acontecer, o filme será substituído por outro. Serão 4 anos de trabalho apaixonado entregues ao esquecimento", diz a mensagem.

"ESTAMOS PUBLICANDO ESSE POST para dizer que CONTAMOS COM VOCÊS e com a CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO de vocês, que assistiram o filme e gostaram, de vocês fiéis seguidores de nosso BLOGUE, vocês que assistiram nossos clips e acharam bacana. PRECISAMOS DE VOCÊS!

Copiem esse POST, mandem para os amigos, façam seus próprios Flyers, espalhem essa convocatória de militância pela internet!
É militância SIM pela sobrevivência de um cinema autoral, mais pessoal, mais digno.

Esse filme foi feito para essa turma ENORME de gente muito especial, com sensibilidade à flor da pele! Quem é fã da Clarah Averbuck, quem é fã da Leandra Leal, quem tem blog, quem é sensível, inteligente e especial vai gostar do filme!"

Bom, o filme não entra em cartaz neste fim de semana em João Pessoa - só o Morcegão, em cinco salas, mais uma em Campina. Em todo caso, aqui vai a lista de onde Nome Próprio estará em cartaz pelo Brasil neste fim de semana. Pessoal dessas cidades que por acaso estejam passando por aqui, confiram. Parece que o trabalho está muito bom e merece algo mais do que ficar uma semana só em cartaz.

São Paulo: Espaço Unibanco - Rua Augusta; Artplex Unibanco - Shopping Frei Caneca
Rio de Janeiro: Artplex Unibanco - Praia de Botafogo; Armazém Digital do Rio Design Center do LEBLON
Brasília: Casa Park
Belo Horizonte: Belas Artes
Belém: Shopping Castanheira
Campinas: Shopping Jaraguá
Fortaleza: Dragão do Mar

Natal: Praia Shopping
Santos: Espaço Unibanco Miramar
Goiânia: Shopping Bouganville

O filme chega a Recife na semana que vem. A Porto Alegre e Curitiba, após o Festival de Gramado. E a Salvador, no final de agosto. Quando for estrear por aqui (esperamos que chegue), eu aviso.

Trailer Nome Próprio
BRASILEIROS E BRASILEIRAS

Caros funcionários e funcionárias,

A diretoria comunica que está satisfeita com o empenho dos senhores e das senhoras para se adequarem às novas normas de tratamento definidas em reunião, com vistas a colocar em pé de igualdade e importância homens e mulheres. Todos e todas sabemos que nossas colegas defendem que a generalização no masculino é uma atitude machista e primitiva, até. Assim, funcionários e funcionárias devem adotar o novo tratamento, que os membros e as membras da diretoria consideram o politicamente correto.

Lá fora, a sociedade dá passos lentos para esse avanço. A humanidade e a mulheridade precisam vencer séculos de diferença entre os sexos. Todos nós e todas nós precisamos nos envolver nessa campanha. Convencer o colega e a colega, mesmo que ele ou ela se mostre reticente quanto à idéia. Nesta empresa,  diretores e diretoras, secretários e secretárias, office-boys e office-girls, faxineiros e faxineiras e até o moço do cafezinho e a moça do cafezinho já demonstram que todos e todas abraçaram a idéia.

Eles e elas estão adequando seus discursos às necessidades dos tempos modernos. Os que decidirem não se adequar infelizmente terão que ser demitidos. E as que decidirem também: serão demitidas.

Atenciosamente,
Os diretores e as diretoras

PS: O começo do texto contém um erro. O correto é "caros funcionários e caras funcionárias".

KUNG FU PANDA/ * * *

Golpe básico

Kung Fu Panda (Kung Fu Panda, Estados Unidos, 2008) entrega o que promete: uma comédia sobre artes marciais. Nem vai muito além disso e nem é especialmente engraçado, embora funcione a maior parte do tempo. Mas, no conjunto, não há nada que já não tenhamos visto antes - e melhor - em Mulan (1998).

A sacada do filme é a união improvável de dois ícones chineses: o urso panda e o kung fu. Não deve ter sido difícil criar a partir daí a trama do gordinho que quer aprender a lutar, mas parece não levar jeito para a coisa. E interessante é a idéia de criar um grupo de lutadores inspirado em estilo de lutas de kung fu. Mas os “cinco furiosos” carecem de personalidade e expressão.

A humanização dos animais parecem ter sido feitas sem muita preocupação. Se personagens precisam ser grandes, são rinocerontes; se precisam ser pequenos e frágeis, são patos. Um momento de ousadia é colocar um pato como o pai do panda sem maiores explicações.

É dos poucos momentos em que Kung Fu Panda arrisca. No mais, se contenta em reproduzir o estilo visual do gênero - muito mais dos requintados épicos recentes de Zhang Yimou do que dos filmes trash da Hong Kong dos anos 1970. Entre câmeras lentas mais recorrentes do que o necessário e um roteiro preguiçoso, o filme se apóia no colorido, em algumas piadas e em seu protagonista, bem dublado no Brasil por Lúcio Mauro Filho.

Aliás, ponto contra para a distribuidora brasileira: nos créditos finais, o espaço reservado para os dubladores originais (Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu...) foi ocupado na versão nacional apenas pelos famosos Lúcio e Juliana Paes. Poderiam colocar também o nome dos demais, já que o espaço para isso está lá.

Kung Fu Panda. (Kung Fu Panda). Estados Unidos, 2008. Direção: Mark Osborne, John Stevenson. Vozes originais: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Ian McShane, Jackie Chan, Seth Rogen, Lucy Liu, Michael Clarke Duncan, Wayne Knight. Vozes na dublagem brasileira: Lúcio Mauro Filho, Juliana Paes. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e Tambiá Shopping, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

O GUERREIRO DIDI E A NINJA LILI/ * ½

Drama de época

Em outros tempos, um filme de Renato Aragão que tivesse elementos de artes marciais seria uma anárquica sátira em que essa cultura pop estrangeira seria devidamente carnavalizada por ele e seus companheiros Dedé, Mussum e Zacarias. Hoje, O Guerreiro Didi e a Ninja Lili (Brasil, 2008) passa longe disso. Não se pode nem mesmo dizer que o filme é uma comédia ruim porque, curiosamente, há muito pouco de comédia nele. Aragão e o diretor Marcus Figueiredo preferiram investir um pouco na ação e muito no sentimentalismo.

Pela trama, já dá para ter uma idéia. Lívian, filha de Renato, é a protagonista: uma menina cujo pai foi para a guerra e desapareceu. No Japão, ela é treinada por um mestre das artes marciais, mas acaba indo morar com a tia na Europa. Um ninja se oferece para acompanhá-la e protegê-la secretamente - este é Didi, que, ainda por cima, foi separado da namorada pela guerra. A tia (Vanessa Lóes) odeia crianças desde que foi abandonada no altar pelo noivo médico (Marcelo Novaes), porque ele teve que fazer um parto urgente.

Por fim, na Europa, Lili conhece um menino de rua órfão, obrigado a roubar por um patife que recolhe crianças e as ensina a bater carteiras para ele. Esta parte é nitidamente e confessadamente uma citação de Oliver Twist, de Charles Dickens. Aragão disse ao Luiz Carlos Merten, no Estadão, que não poderia fazer Oliver Twist pra valer porque é muito triste e seus filmes são "para cima". Nem tanto neste filme. Todo mundo sofre muito em O Guerreiro Didi e a Ninja Lili.

É um filme de época, se passa no começo do século 20. Como tal, a produção é requintada, para os padrões brasileiros. Talvez isso também tenha contribuído para a sisudez do filme, mas é só uma especulação. Há coisas que poderiam ser melhor explicadas, também: o que tantos ocidentais faziam juntos naquela região do Japão - Lili, seu pai (Werner Schunemann) que estava lutando na tal guerra, e o ninja Didi? E porque Danielle Suzuki aparece justamente na parte da Europa, e não no Japão? Ela é japonesa na trama?

E as cenas de luta são esforçadas, assumindo uma estética mangá (aliás, a abertura do filme, em quadrinhos, é boa), mas não chegam a ir muito além disso. A idéia da ambientação veio de uma pesquisa que mostrou que uma boa parcela do público infantil de Aragão queria ver uma aventura de artes marciais. O ator, que recebeu uma justíssima homenagem na cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro deste ano, decidiu atender seus pequenos fãs.

O Guerreiro Didi e a Ninja Lili. Brasil, 2008. Direção: Marcus Figueiredo. Elenco: Renato Aragão, Lívian Aragão, Cadu Fávero, Danielle Suzuki, Vanessa Lóes, Marcello Novaes, Werner Schünemann. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e no Tambiá Shopping, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

BAT-AQUECIMENTO

Batman, o Cavaleiro das Trevas estréia sexta-feira e seguimos no aquecimento. Ontem, o SBT exibiu Batman Begins para quem não comprou o DVD duplo por 20 reais ou não resistiu e assistiu de novo (eu vi uma boa parte, mas como já tinha visto com Lalá na semana passada, não fui até o fim). Bom, na semana passada aconteceu a primeira sessão para a imprensa brasileira. E aqui vai um pouco do que colhi de opiniões por aí:

"Amei. (...) É um filme essencialmente político, sobre a ética, a democracia. Uma tragédia sobre a renúncia e a perda, e o que se ganha com elas, além de danação eterna. Desculpem fazer este texto meio cifrado, mas vocês vão entender dia 18, quando o filme estrear. (...) Quero dizer que é possível se divertir com outros super-heróis, com o 'Iron Man', por exemplo, mas como tragédia, não têm como o Homem-Aranha de Sam Raimi nem o Batman de Christopher Nolan".
Luiz Carlos Merten, do Estadão

"De volta à sua zona de conforto, Nolan faz tudo o que não pôde fazer em Batman Begins. O pessimismo é quase insuportável, as cenas de ação (rodadas no sistema Imax, que lhes confere excepcional profundidade e nuance) são uma expressão do caos, e os reveses de Gotham se acumulam até o descontrole. Também o elenco encontra terreno mais bem preparado em que exercitar seus muitos pontos fortes".
Isabela Boscov, Veja

"Esse é um dos dramas do herói: um criminoso como Coringa só existe em Gotham City porque lá há um Batman. 'Bruce Wayne tem muita raiva dentro dele, e é tênue a linha entre o crime e a justiça feita fora da lei. A grande pergunta do filme é: quão longe se pode ir?', diz o co-roteirista Jonathan Nolan. Trazer essas questões morais para um blockbuster não é usual nem fácil – e, diga-se, só foi possível porque os efeitos especiais não sufocaram a história".
Marina Monzillo, IstoÉ

O INCRÍVEL HULK/ * * * ½

Pensando como o Hulk

Quem não gostou do Hulk de Ang Lee, de 2003, deve ficar satisfeito com este O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, Estados Unidos, 2008). Afinal, Louis Leterrier eliminou  quase toda a densidade psicológica em prol da ação sem parar. Mas isso não é bem um ponto positivo porque esta nova versão não é um mau programa, mas está longe de ser um grande filme.

As reclamações sobre o Hulk de 2003 eram fundamentalmente duas. Uma, de que era muito “cerebral”. Outra, de que o verdão feito por computador não convenceu. A ousadia de Lee teve seu preço e muita gente não entendeu sua proposta - ou não estava a fim de pensar. Aí, a Marvel resolveu mudar tudo e chamou Letterier - de filmes acelerados, mas descerebrados, como Carga Explosiva e Cão de Briga - para dirigir. As notícias de discussões acerca da montagem final entre Norton e o estúdio parece ter um ponto claro: o ator e co-roteirista queria mais drama, tudo o que a Marvel preferia esquecer aqui. Ela quis um filme que pensasse como o Hulk e não como Bruce Banner.

Então, o filme se torna uma aventura que entretem, mas não vai muito além disso. Os efeitos estão naturalmente melhores (não existia captura de movimento em 2003), mas o monstrão continua parecendo um boneco de borracha. A luta final com o Abominável lembra os piores momentos de Transformers. Tim Roth é um oponente bem mais interessante antes de virar efeito especial.

O que há de melhor são as referências a histórias clássicas nos quadrinhos e as homenagens ao antológico seriado de TV de 1978: está lá Norton pedindo carona, com aquela musiquinha ao fundo, Lou Ferrigno em participação especial e até a transformação é parecida. Além das referências a outros elementos do universo Marvel que só os fãs - e quem assistiu a Homem de Ferro - vão pegar.

O Incrível Hulk. (The Incredible Hulk). Estados Unidos, 2008. Direção: Louis Letterier. Elenco: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson, Ty Burrell, Lou Ferrigno, Robert Downey Jr. Atualmente em cartaz no Tambiá Shopping.

HANCOCK/ * * ½

Reviravolta infeliz

O crítico americano Rober Ebert escreveu que Hancock (Hancock, Estados Unidos, 2008) é o filme pelo qual esperava há anos: um em que os atos dos super-heróis teriam reflexo na sociedade. Se um prédio é parcialmente destruído na perseguição a bandidos, quem paga? Os moradores ficariam tão felizes com o herói? É dessa premissa que parte o filme estrelado por Will Smith.

É um bom começo, mostrando o herói beberrão causando desastres a cada aterrissagem e a cada crime resolvido. Não é amado por ninguém e tenta mostrar que não se importa com isso. Só quando salva Ray (Jason Bateman), um relações públicas, é que as coisas mudam: Ray, um idealista, oferece trabalhar para mudar a imagem do herói, mesmo que a esposa Mary (Charlize Theron) torça o nariz.

De mal-humorado e grosseirão, ele vai aprendendo a colaborar com a polícia, planejar melhor suas ações e tomar mais cuidado com seus poderes. Ou seja: aprende a ser um herói. Poderia continuar assim, mas há uma reviravolta - que realmente surpreende, mas muda tanto a história de rumo, que o filme não consegue mais encontrar o caminho de volta.

O humor, que vinha funcionando bem, some e Charlize - que, claro, jamais seria apenas a “esposa do amigo do herói” neste ponto da carreira - ganha novas tintas. E isso nem é exatamente bom, porque o que acontece após a reviravolta, numa explicação da história e origem da amargura de Hancock, é duro de engolir.

É uma pena, porque o filme tinha um bom potencial, começando por uma boa idéia. Infelizmente, os roteiristas Vincent Ngo e Vince Gilligan e o diretor Peter Berg não acreditaram que era o suficiente para um filme razoável e acabaram dando um passo maior do que as pernas.

Hancock. (Hancock). Estados Unidos, 2008. Direção: Peter Berg. Elenco: Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman, Jae Head. Atualmente no Box Manaíra, MAG Shopping e Tambiá Shopping, em João Pessoa, e Shopping Iguatemi, em Campina Grande. 

BATMAN ESSENCIAL

Hoje, no JP, uma matéria especial feita por este seu criado como aquecimento para Batman, o Cavaleiro das Trevas, que estréia sexta-feira. Vocês podem ler no site ou direto na página aí acessando a edição digital do jornal (basta um cadastrinho de nada).

O MELHOR AMIGO DA NOIVA/ * 1/2

Clone defeituoso

A pessoa que protagoniza este filme tem outra que é uma grande amiga há anos, mas só quando sabe que a outra está prestes a se casar é que percebe a paixão que sente. Para piorar ainda é convidada para madrinha, mas resolve usar essa proximidade para mudar as coisas e conquistar o alvo de sua paixão. Responda rápido: que filme é esse? Se respondeu O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997), acertou, mas estamos falando aqui é de O Melhor Amigo da Noiva (Made of Honor, Estados Unidos, 2008), o “clone” do filme com Julia Roberts.

“Clone” para não dizer “cópia”, mesmo. A falta de criatividade em Hollywood chegou, enfim, a este ponto: o uso em detalhes da trama de outro filme realizado há pouco mais de dez anos, sem que se trate nem mesmo de uma refilmagem. Há variações em O Melhor Amigo da Noiva, claro, mas sempre para pior. Como o estereotipadíssimo personagem de Patrick Dempsey, que usa como regra não dormir com a mesma mulher duas vezes seguidas – um adepto do amor descartável, que simplesmente não vê que sua cara-metade está ali na frente, na pela da graciosa Michelle Monaghan.

Se em O Casamento do Meu Melhor Amigo havia uma trama que justificava bem a personagem de Julia Roberts ser colocada como madrinha da noiva, quando era amiga do noivo, e assumisse deveres de padrinho, a “nova versão” não gasta tanta massa cinzenta para que Dempsey seja a madrinha de Michelle. E nem para mostrar o personagem se dando conta do amor que sente: basta tentar repetir com as conquistas os mesmos programas que fazia com a amiga, de quem já conhece todos os gostos, e nenhum deles ser como antes. Assim, levando o espectador pela mão como se fosse uma criancinha, o filme vai descartando qualquer sinal de inteligência.

Dempsey é a madrinha? Então é claro que até o fim do filme alguém vai achar que ele é gay. É claro que ela brigará com ele, quando souber de suas intenções. E é claro que ele correrá para reconquistá-la. Nem mesmo a simpatia do casal central ou locações na Escócia, na segunda metade da história, salva um quadro tão pouco inspirado.

O Melhor Amigo da Noiva. (Made of Honor). Estados Unidos, 2008. Direção:Paul Weiland. Elenco:Patrick Dempsey, Michelle Monaghan, Kevin McKidd, Kadeem Hardison, Chris Messina, Richmond Arquette. Atualmente em cartaz no MAG Shopping.

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