MUSAS DE 2007

2 - Scarlett Johansson (Scoop)

A câmera de Woody Allen namora Scarlett Johansson em Scoop. Num papel totalmente diferente da sensual Nola, de Match Point, Scarlett está de óculos bancando a intelectual praticamente o filme todo. Mais próxima das mulheres que povoam os filmes do diretor desde os anos 1970, e das quais Diane Keaton é o exemplo máximo. De óculos, com ar colegial, ela já é um charme, mas Allen ainda arranja uma cena na piscina, em que ela surge num maiô vermelho tão composto quanto sedutor. Uma musa propriamente dita, inspirando Woody e sempre com espaço nessa lista. Para ver também: Match Point; Encontros e Desencontros; Dália Negra; A Outra.

Outras musas de 2007 (procure nestas páginas)3 - 4 -  5678910 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15

ESTRÉIAS DE SEXTA, 11/7, EM JP

- A Outra: Natalie Portman e Scarlett Johansson são as irmãs Bolena, disputando o amor do rei Henrique VIII. Duas jovens, belas e ótimas atrizes credenciam o filme. No Box e no MAG.

- Viagem ao Centro da Terra - O Filme: Nova versão da história de Julio Verne, foi feito para ser o primeiro a usar 100% uma tecnologia de 3-D digital com atores de carne-e-osso. Por aqui, claro que não temos uma sala de acordo. Resta esperar que a história tenha sobrevivido aos efeitos. No Box.

WALL-E/ * * * * *

 

Corações metálicos

Onde a Pixar vai parar? A cada filme o estúdio se supera ou, no mínimo, se mantém em um patamar que os concorrentes simplesmente estão a anos-luz de alcançar. Não só em termos tecnológicos, mas principalmente quanto à qualidade narrativa. Que outro estúdio hoje - de animação ou não - seria capaz de realizar uma obra-prima instantânea como Wall-E (Wall-E, Estados Unidos, 2008)?

A ousadia do filme impressiona logo de saída. O humor da primeira metade surge num contexto muito melancólico: a Terra atulhada de lixo e abandonada pelos humanos há centenas de anos e o robôzinho, o último que restou a cumprir a função de limpar o planeta. Os arranha-céus de lixo empilhado dividindo espaço com os prédios abandonados, já na abertura, é uma imagem para ficar na memória.

Wall-E é curioso sobre os pequenos tesouros que os humanos deixaram para trás - e vai colecionando objetos que encontra em sua jornada diária. É também um solitário, que tem sonhos de romance todas as noites enquanto assiste a um velho VHS de Alô, Dolly (1969) - na verdade a primeira coisa que vemos do filme é o espaço ao som de "Out there", da trilha do musical. Isso não é à toa. Primeiro, porque "lá de fora" (como diz a canção), vamos "para dentro": o planeta, tão poluído, que raras vezes se vê o céu, que encanta o robozinho. Segundo, porque o tema será recorrente no filme, como o leitmotiv das aspirações humanas de Wall-E.

A única companhia do robô é uma baratinha. Nenhum dos dois fala e, assim, não há diálogos propriamente ditos na primeira metade de Wall-E nem mesmo quando a muito mais avançada Eva chega à Terra e o robô-lixeiro se apaixona por ela. O filme é brilhante ao lidar com essa - a princípio - limitação. Wall-E é um Charles Chaplin mecânico, transmitindo toda a gama de sentimentos que se espera dos personagens mais ricos. Eva vem à Terra com uma missão secreta, que naturalmente terá desdobramentos decisivos no filme - e que não convém aqui contar quais são, para não estragar as surpresas.

O que se pode dizer é que quando o filme dá uma reviravolta, a crítica ao comodismo humano, à busca exagerada pelo conforto e à comunicação virtual substituindo o olho no olho ganham força, assim como as referências mais ou menos explícitas a 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968). Mesmo sendo o primeiro filme da Pixar a ostentar uma mensagem explicitamente mais educativa, Wall-E não se ressente disso em momento algum. É cheio de momentos engraçados e românticos (especialmente bela é a cena da "dança" entre os dois robôs) e a ação cresce na reta final. Mas, acima disso, Wall-E é uma impressionante saga de humanidade - onde o que há de mais humano no mundo é feito de metal.

Wall-E. (Wall-E). Estados Unidos, 2008. Direção: Andrew Stanton. Vozes originais: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver. Vozes na dublagem brasileira: Cláudio Galvan, Sylvia Salustti, Carlos Seidl, Eduardo Borgueth. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e no Tambiá Shopping, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

* Versão expandida da crítica publicada no JP, na sexta passada.

JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS

Preguiça mental

Você nem precisa assistir a Jogo de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas, Estados Unidos, 2008), se não quiser. Afinal, provavelmente já conhece a história toda. O que há de mais surpreendente na comédia-romântica estrelada por Cameron Diaz e Ashton Kutcher é sua total inabilidade para escapar do previsível - ou isso, ou sua completa preguiça mental, que prefere seguir uma fórmula manjadíssima nos mínimos detalhes.

Os dois astros vivem personagens com seus problemas pessoais e que resolvem afogar as mágoas em Las Vegas. Lá, se conhecem, se estranham, e, após um a bebedeira olímpica, acordam casados no dia seguinte. Mas também ganham uma bolada em dinheiro e são obrigados por um juiz a viver juntos para botar a mão na grana.

Começa a situação de dois personagens acorrentados um ao outro que se sabotam mutuamente e que vão acabar descobrindo que se gostam. Já não é nada original, mas fica pior, com o espectador adivinhando em que momento virão as cenas já esperadas: Cameron descobrindo que Ashton não é tão ruim, Ashton se arrependendo das tramóias, Cameron descobrindo o que ele planeja e se magoando, alguém dando força a ele para correr atrás da garota...

Pedir originalidade a uma comédia-romântica pode parecer muito severo, mas Jogo de Amor em Las Vegas chafurda na falta de criatividade, situações inverossímeis e muito mal explicadas, além de personagens estereotipados (ela, a certinha; ele, o relaxado) e mal construídos. Há dois momentos de bom cinema, ligados a um objeto (o sutiã roxo) e uma frase (“Você está à minha altura”) que reaparecem sem alarde, numa sutileza que o resto do filme não tem. Melhor procurar os originais do que Jogo de Amor em Las Vegas copia.

Jogo de Amor em Las Vegas. What Happens in Vegas... Estados Unidos, 2008. Direção: Tom Vaughan. Elenco: Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Rob Corddry, Lake Bell, Treat Williams, Dennis Farina, Queen Latifah. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e no MAG Shopping.

FILMES SUGERIDOS NOS COMENTÁRIOS DE JUNHO:


O Labirinto do Fauno

Por Bárbara Santos
- Três Enterros - O drama "meio faroeste" com Tommy Lee Jones.
- O Labirinto do Fauno - O popular filme-fantástico de Guillermo del Toro.

Por Audaci Junior:
- Teeth - Paródia de filme trash sobre uma garota que descobre ter uma... hã... vagina dentada, que a protege dos caras mais saidinhos. É engraçado de propósito, mas às vezes passa o limite do bom gosto. (Junior, se foi uma piada, desculpa, mas foi você que começou)

Por Alana:
- A Rosa Púrpura do Cairo - A deliciosa declaração de amor de Woody Allen ao cinema.
- Labirinto - A propósito de Jennifer Connelly na lista das musas de 2007: aqui, nesta fantasia, ainda está uma menina, ao lado de um David Bowie quase fantasmagórico.
- Se Meu Apartamento Falasse - O clássico de Billy Wilder, que saiu em DVD um dia desses.

Por Phelipe Caldas:
- Perfume de Mulher - Suponho que seja a versão com Al Pacino. Ou é a italiana, com Vittorio Gassman?


Teeth


Labirinto

NOVOS BLOGUES NA ÁREA

Meu Blog na Web: André Cananéa, colega do JP, manda ver nas suas opiniões sobre música e assuntos afins.

Comic House: As novidades da loja especializada em quadrinhos de João Pessoa.

Carrinho por Trás: Phelipe Caldas é outro - como nós, aqui - nos quadros do Paraíba1 e escreve sobre futebol.

*Atualizado em 14/7, às 11h08, com o link correto para o blog do Cananéa.

NOVO TRAILER DE 'ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA'

 

Acaba de sair o novo trailer de Ensaio sobre a Cegueira, pessoal. Mais detalhes da história aparecem e (creio) todos os atores principais estão lá:

A Fox mantém a data de estréia por aqui para 12 de setembro.

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