ESTRÉIAS DE 13/6

As estréias nos cinemas nesta sexta, em João Pessoa:

- O Incrível Hulk - Continuação do filme de 2003, embora tenham tentado mudar tudo. Edward Norton colabora no roteiro.

 

- Fim dos Tempos - O novo de M. Night Shyamalan - vamos ver se ele acerta essa depois do fraco A Vila e do muito fraco A Dama na Água.

"VOCÊ NÃO É NADA - NADA SENÃO ADORÁVEL"

--XI--

Um Dia em Nova York (On the Town, 1949). Direção de Gene Kelly e Stanley Donen; roteiro de Betty Comden e Adolph Green; canção "You're awful", de Roger Edens.
* Primeiro, a versão traduzida, para fazer sentido no diálogo, depois a original, ok?

Gabe (Gene Kelly), Chip (Frank Sinatra) e Ozzie (Jules Munchin) são três marinheiros que tem 24 horas para curtir Nova York. Por meio de mil peripécias, eles acabam conseguindo encontros para uma noite na cidade - a dançarina Ivy (Vera-Ellen), a taxista Hildy (Betty Garrett) e a antropóloga Claire (Ann Miller), respectivamente. O encontro para saírem todos juntos é no alto do Empire State, às 20h30. Chip e Hildy são os primeiros a chegar, mas ela está aborrecida porque o namorado só quer olhar os pontos turísticos da cidade pelo telescópio, animado ao ponto de dizer que perdeu todo o dia.

HILDY: Ora, obrigada!

Ela se afasta e ele, se dando conta da mancada, vai até ela.

CHIP: Puxa, desculpe, Hildy. Eu não queria dizer isso...

HILDY: Volte para o seu telescópio! Vocês fazem um belo casal!

CHIP: Eu não quero olhar pelo telescópio, eu prefiro olhar pra você.

HILDY: Você só fica me sussurrando doces bobagens, como qual a população do Brooklyn ou quanto cachorros-quentes foram vendidos no estádios dos Yankees!... Você só liga para esse seu guia!

Chip joga o guia pelo parapeito do edifício.

HILDY: Oh, Chip... Você se importa... Por que nunca disse?

Chip começa a cantar.

CHIP:
Puxa, eu não sei, eu gostaria de sussurrar doces bobagens
Estas palavras que todo mundo conhece,
Mas minhas idéias ficam confusas
E todas as palavras ficam enroladas,
Mas, se você quer, aqui vai:

Você é terrível,
Terrivelmente boa de ser olhar,
Terrivelmente legal para se estar junto,
Terrivelmente doce para ter e abraçar.

Você não é nada,
Nada senão adorável,
Nada senão deslumbrante,
Nada além de ouro puro.

Você é assustadora,
Assustadora quando diz
Que pode ir embora,
Você é chata,
Chata no meu coração para ficar.

Você é barata, querida,
Barata a qualquer preço, querida,
Barata para um diamante,
Barata para uma pérola.

O que eu disse antes, eu digo de novo:
Você é terrível,
Terrivelmente boa para ser minha garota.

HILDY:
Você é velho, querido,
Velho de conhecimento do mundo,
Velho como gorgonzola,
Velho como o melhor champanhe francês.

Você é mais ou menos,
Assim-assim tão, tão charmoso,
Tão, tão inteligente,
Tão que eu não posso explicar!

CHIP:
Não agüento você,
Não agüento você olhando
Para outro rapaz,
Não agüento você
Nos braços de outro cara.

Quem precisa de você?
Precisa de você para se distrair,
Precisa de você para esta loucura,
Precisa de você faça chuva ou faça sol.

AMBOS:
Eu sou quem precisa de você,
E eu acho você terrível,
Terrivelmente legal para dizer que você é meu...

***

A versão original:

CHIP:
Gee I don't know, I'd like to whisper sweet nothings
Those words that everyone knows
But my thoughts gets mangled,
And all the words get tangled,
But since you asked me, here goes:

You're awful,
Awful good to look at,
Awful nice to be with,
Awful sweet to have and hold.

You're nothing,
Nothing if not lovely,
Nothing if not dazzling,
Nothing but pure gold.

You're frightening,
Frightening me when you say
That you might go away,
You're boring,
Boring into my heart to stay.

You're cheap, dear,
Cheap at any price, dear,
Cheap for such a diamond,
Cheap for such a pearl.

What I said before, I'll say again:
You're awful,
Awful nice to be my girl.

HILDY:
You're old, dear,
Old with worldly wisdom,
Old like gorgonzola,
Old like finest French champagne.

You're so-so,
So-so, so-so kinda charming,
So-so kind of witty,
So I can't explain!

CHIP:
Can't stand you,
I can't stand you giving
Some fellow the eye,
Can't stand you
In the arms of another guy.

Who needs you?
Need you to distraction,
Need you to this crazy,
Need you rain or shine.

AMBOS:
I'm the one who needs you,
And I think you're awful,
Awful nice to say you're mine...

"MEU CORAÇÃO ARRASADO AMARÁ VOCÊ"

Mais uma declaração...

--XIV--

Simplesmente Amor (Love Actually, 2003). Direção e roteiro de Richard Curtis.

 

Juliet (Keira Knightley) e Peter (Chiwetel Ejiofor) são recém-casados. Apesar de ajudar no que pode, durante a cerimônia de casamento e os dias que se seguem, o melhor amigo de Peter, Mark (Andrew Lincoln), parece ter muitas reservas com relação à noiva. Até o dia em que ela descobre que Mark, na verdade, é apaixonado por ela e, por isso, tenta evitar a todo custo um maior contato com ela. Na noite de Natal, Peter e Juliet estão em casa assistindo tevê, quando a campainha toca. Juliet vai atender. Quando abre a porta, Mark está lá.

JULIET (primeiro surpresa, e depois sorrindo) - Oh. Oi!

PETER (lá da sala) - Quem é?

Com um aparelho de som portátil numa mão e um monte de cartazes na outra, ele faz sinal de silêncio. E mostra um cartaz.

"Diga 'côro de Natal'".

Curiosa, sem entender bem o que está havendo, ela obedece.

JULIET - É um côro de Natal!

PETER (lá da sala) - Dá uma libra pra eles e os mande embora!

Mark põe o aparelho de som no chão e liga. A música é um côro cantando "Silent night" (ou "Noite feliz"). Ela aguarda para ver o que acontece. Ele tira o cartaz da frente e mostra outro, que está atrás. E faz isso sucessivamente.

"Com sorte, no ano que vem..."

"...estarei saindo com uma dessas garotas..."

O cartaz seguinte mostra fotos de supermodelos. Ela dá uma risadinha, mas segura o riso e espera o que vem a seguir.

"Mas, por enquanto, me deixe dizer..."

"...sem esperanças nem planos..."

Ela agora, mais séria, apenas aguarda.

"...só porque é Natal..."

"...(e no Natal se fala a verdade)..."

"...que, para mim, você é perfeita"

Ela olha para ele, algo desconcertada. Ele, ao contrário, está calmo e seguro de si.

"...E meu coração arrasado amará você..."

"...até que você fique assim..."

O cartaz seguinte mostra uma múmia egípcia. Juliet dá outra risadinha.

"Feliz Natal"

Ela sussura de volta.

JULIET - Feliz Natal...

Era o último cartaz. Mark faz apenas um sinal de positivo com as mãos, recolhe tudo rápido e vai embora pela rua. Não demora, Juliet corre atrás dele. E o beija levemente. E, sem palavras, agradece tanto amor. Depois, ela corre de volta para casa. E ele segue seu caminho.

MARK - Chega. Agora chega.

"NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ, CHARLEY"

Relendo a série "Declarações de amor preferidas":

--II e III--

Pacto de Justiça (Open Range, 2003). Direção de Kevin Costner. Roteiro de Craig Storper, do romance de Lauran Paine.

Um grande tiroteiro acontece em uma pequena cidade do Oeste entre a gangue de um poderoso criador de gado do local, aliado a um xerife corrupto, e quatro homens que atravessaram a região com seu rebanho e foram roubados. Os homens saem vencedores, graças principalmente à perícia de Charley Waite (Kevin Costner), que em outros tempos foi um exímio pistoleiro e tentava esquecer seu passado sombrio. Ele fica levemente ferido e se isola no bar. Avisada, Sue Barlow, irmã e auxiliar do médico local que havia atendido o grupo, vai até lá, enquanto uma pequena multidão aguarda do lado de fora.

CHARLEY - Não queria que entrasse nesse lugar na frente de todo mundo.

SUE - Não me importo com que os outros pensam, Charley. Não precisa se preocupar.

CHARLEY - Mesmo assim, queria dizer que vou embora daqui a um ou dois dias.

SUE - (pausa) Gostaria que você ficasse. Acho que os outros também.

CHARLEY - Não posso dizer que não pensei nisso. Mas cada esquina aqui teria uma má lembrança de mim.

SUE - Já encobri meu amor muito tempo, Charley. Sei que sente algo por mim também.

CHARLEY - Eu sinto. Mas não sou diferente daqueles que vieram nos matar. Você mesma viu.

SUE - Talvez tenha feito coisas ruins, talvez pior que ruins, mas o que aconteceu hoje não foi uma delas.

CHARLEY - Toda essa matança não a assusta?

SUE - (pausa) Não tenho medo de você, Charley.

Ele devolve a ela uma medalha religiosa.

CHARLEY - Me trouxe sorte. Como você disse.

SUE - É seu agora. Fique com ele. (pausa) Não tenho as respostas, Charley, mas sei que as pessoas ficam confusas nesta vida em relação ao que querem e o que fizeram e o que acham que merecem por causa disso. O que elas acham que são ou o que fizeram as oprime tanto que não as deixa ver o que elas podem ser. (respira fundo) Tenho planos para nós, Charley. E não vou esperar para sempre. Mas vou esperar. E quando você estiver longe, quero que pense nisso e volte para mim.

E ela deixa o bar.

***

Depois de se despedir de Charley (Kevin Costner), Sue Barlow (Annette Bening) está cuidando do jardim ao lado de sua casa. Ela olha para trás e vê o cavalo dele na sua porta. Continua trabalhando, mas, de fato, Charley aparece, ainda mancando dos ferimentos do tiroteio. Ela continua trabalhando e de costas enquanto ele começa a falar.

CHARLEY - Eu a amo, Sue. Desde a primeira vez que pus meus olhos em você. Demorei um pouco para ver as coisas claramente. Sei que não sou o tipo de homem que esperava na sua porta. E, se eu fosse o seu irmão, não me escolheria para você.

Sue se levanta e tira o chapéu enquanto olha para ele.

SUE - Charley (limpa o suor e respira fundo), sabe quantos anos eu tenho?

CHARLEY - Não me importa a sua idade.

SUE - Não sou mais uma menina.

CHARLEY - Você é a mulher mais bonita que eu já vi.

SUE - Eu tive muitas decepções, Charley.

CHARLEY - Bem, eu não vou ser uma delas (vai até ela, mancando). Nunca pensei que iria viver até agora, Sue. Do modo que eu vivia, isso não me importava. Mas ir embora pensando que nunca mais iria vê-la foi a pior sensação que já tive na vida. Sei que posso ser um bom marido para você. E sei que não pedi do modo mais adequado, mas estou pedindo agora. (pausa) Quer se casar comigo, Sue?

SUE - (pausa, antes de abrir um sorriso) Charley, sim, quero me casar com você.

CHARLEY - (dá mais dois passos, meio sem saber como agir) Posso beijar você?

Ela diz que sim acenando com a cabeça e eles se beijam.

"EU TE AMO QUANDO VOCÊ LEVA UMA HORA E MEIA PRA PEDIR UM SANDUÍCHE"

Relembrando algumas das minhas declarações de amor preferidas, que foram elencadas por algum tempo neste blog.

--IX--

Harry & Sally, Feitos um para o Outro (When Harry Met Sally..., 1989). Direção de Rob Reiner; roteiro de Nora Ephron.

Primeiro, eles se odiaram. Anos depois, se reencontraram e ele quase não lembrou dela. Mais alguns anos, um novo reencontro e eles se tornaram amigos. Harry (Billy Crystal) e Sally (Meg Ryan) foram amigos inseparáveis por anos. Mas um dia transaram e por isso brigaram e se afastaram. Na noite de ano novo, que eles haviam prometido passar juntos caso nenhum deles estivesse com alguém, Sally está solitária em meio à multidão de uma festa e Harry perambula pelas ruas. À medida em que se aproxima a meia-noite, eles vão ficando cada vez mais incomodados. Ela resolve ir embora, enquanto ele corre para encontrá-la. Ele chega segundos antes que ela saísse. Ela o vê chegar e ele, na porta, a vê no meio da multidão e vai até ela.

HARRY – Andei pensando um monte de coisas, e a verdade é que eu te amo.

SALLY – O quê?

HARRY – Eu te amo.

SALLY – E como você espera que eu responda?

HARRY – Que tal: “eu também te amo”?

SALLY – Que tal: “estou indo embora”?

E passa por ele para sair. Mas ele prossegue e ela pára.

HARRY – O que eu disse não significa nada pra você?

SALLY – Sinto muito, Harry. (Começa a contagem regressiva no salão) Sei que é noite de ano novo, sei que está solitário, mas você não pode aparecer aqui, dizer que me ama e esperar que fique tudo bem. Não é assim que funciona.

HARRY – Então, como funciona?

SALLY – Eu não sei, mas não é assim.

É ano novo. Todos no salão começam a cantar "Auld Lang Syne" (nossa popular "Adeus, amor, eu vou partir").

HARRY – E que tal assim? Eu amo quando você diz que está com frio, mesmo quando está 22º lá fora. Eu amo quando você demora uma hora e meia para pedir um sanduíche. Amo quando você faz essa ruga na testa quando olha pra mim como se eu fosse doido.

É exatamente assim que ela está olhando para ele.

HARRY – Eu amo, depois depois de passar o dia com você, poder sentir o seu perfume nas minhas roupas. E eu amo que você seja a última pessoa com quem eu falo antes de ir dormir, de noite. E não é porque estou solitário, e não é porque é noite de ano novo. Eu vim aqui esta noite porque quando você acredita que quer passar o resto da sua vida com alguém, quer que o resto da sua vida comece o mais rápido possível!

Ela fica pasma por dois segundos, antes de conseguir esboçar uma reação.

SALLY – Está vendo? Isso é tão você, Harry! (Quase chorando) Você diz coisas como essa e faz ser impossível pra mim odiar você! E eu odeio você, Harry! Eu odeio mesmo você.

Ele olha para ela com um meio sorriso.

SALLY – (quase sem sair a voz) Eu odeio você.

E eles se beijam.

O AMOR ESTÁ NO AR

Feliz Dia dos Namorados a todos! Para os que têm sua cara-metade e também para quem ainda está em busca de uma (eles podem ter um dia feliz, não é?). Do alto dos meus dois anos, quatro meses e dez dias de namoro com a minha própria Lois Lane, vou comemorar o dia com vocês em posts especiais ao longo do dia. Podem começar por aqui: uma matéria especial do Universo HQ com os romances nos quadrinhos. Há os eternos namorados (como Super-Homem & Lois), amores estranhos (como Coringa & Arlequina), os "irredutíveis" (como Mickey & Minnie), os que escondem o jogo (como Cebolinha e Mônica), os amores fatais (como o Homem-Aranha & Gwen Stacy), os indecisos (como o Rolo) e os insistentes (como a Rita Najura com o Jotalhão). Ótimo texto assinado por Marcus Ramone.

CINEMA/ 'O SONHO DE CASSANDRA'

O castigo do crime

Segundo a mitologia grega, Cassandra sonhou e, resumindo, disse: “Vai dar merda”. Como ela vivia em Tróia, sabemos o que aconteceu. Assim, a simbologia do título O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007), filme de Woody Allen, é muito clara: são personagens em rumo certo para o desastre. Mas há outra, que está no personagem de Colin Farrell, um apostador: a boa sorte pode até ser uma fase, mas um dia ela acaba e se você não tiver pulado fora antes...

A tragédia do apostador é que ele não consegue pular fora quando a maré vira, acreditando que ela vai mudar de novo antes da derrocada final. Por isso, os irmãos Terry (Colin Farrell) e Ian (Ewan McGregor) aceitam o trabalho proposto pelo tio Howard (Tom Wilkinson): porque apostaram alto na vida e agora estão precisando muito de dinheiro, topam eliminar o sujeito que pode levar o parente à cadeia. Considerando que não são dois assassinos profissionais, será esta última aposta alta demais para o cacife da dupla?

O Sonho de Cassandra é um filme de expectativas. A impressão de que tudo dará errado sublinha todo o filme nessa ótima volta de Allen à tragédia policial, que marcou Match Point (2005). O prêmio para o crime é alto, mas também há um preço a ser pago pelos dois irmãos. Ambos estão no fio da navalha em seus relacionamentos e qualquer detalhe que fuja do previsto pode trazer o castigo do crime (citando aqui Dostoievsky, que Allen adora).

Desde Tudo o que Você Gostaria de Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar (1972) o diretor não usava uma trilha sonora original em seus filmes. Os temas de Philip Glass substituem as árias de ópera de Match Point, mas aparecem discretamente em um filme bem seco. Seco até demais: o final lembra o desfecho de um conto policial, mas poderia ser menos abrupto.

GAUCHADA

 

Hoje tem entrevista minha com Kledir Ramil no Jornal da Paraíba. Kleiton & Kledir fazem sohow hoje, em João Pessoa, no Seis e Meia (amanhã é em Campina). Como o espaço físico do jornal tem um limite, publico depois uma versão maior aqui porque o papo foi bom. Por enquanto, fiquem com o vídeo "Capaz" aí em cima. A gente se vê no show.

CINEMA/ 'SEX AND THE CITY'

Middle-age and the city

Quem assistiu por seis temporadas as aventuras e desventuras de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte provavelmente nem vai ligar para o fato de que o quarteto merecia uma passagem para a tela grande bem melhor do que Sex and the City - O Filme (Sex and the City, Estados Unidos, 2008). Mas o fato é que merecia. O filme está longe da desgraça que muitas críticas têm apontado por aí, é verdade, mas também está longe do pique e da verve do seriado.

Começa pela duração: enquanto cada episódio contava histórias para cada uma das protagonistas e as resolvia em menos de 25 minutos, o filme tem inacreditáveis 2 horas e meia de duração. A aparente falta de ritmo se confirma quando o que se vê é que nem há uma história direito a ser contada - mas há muito enchimento de linguiça, com seqüências inteiras que estão presentes apenas para, a princípio, invocar glamour, mas servem mais para uma infindável série de merchandising. O desfile ostensivo de marcas chega a ser irritante.

A trama em si caberia tranqüilamente na duração de um episódio do seriado: Carrie (Sarah Jessica Parker) vai casar com Mr. Big (Chris Noth), mas ele de novo resiste a dar um passo adiante no relacionamento; Samantha (Kim Cattrall) está monogâmica, mas seus hiperinstintos sexuais a colocam num conflito; Miranda (Cynthia Nixon) é supreendida por uma confissão do marido e se separa - mas ele implora perdão; e Charlotte (Kristin Davis) está feliz e casada. Voltam a acontecer os discursos de que ninguém entende os homens, de que nada como comprar sapatos de 400 dólares para alegrar o dia, de que o mundo é um lugar hostil para as solteiras que já não são mais garotinhas e, no fim, que uma considerável parte dos problemas dessas garotas são criações das cabecinhas delas mesmas.

Tudo como na série - mas agora elas precisam também de férias no México, um desfile de bizarrices da semana da moda de Nova York (ambos são longas seqüências que não contribuem em quase nada para a história), clichês de novela das oito e algumas piadas que estariam mais adequadas a American Pie do que a um filme inspirado por uma série de TV que tinha a inteligência como uma marca importante. Teria a idade das personagens afetado a produção inteira? É possível: agora, elas não são mais trintonas - são quarentonas (e, pelo menos uma, quase cinqüentona). A vida parece não ser mais diversão e a busca por um relacionamento sério, se já estava no topo da lista de preocupações da espécie, agora é uma questão urgente. E aí, tudo ganha um tom um pouco mais dramático.

Por sorte, o carisma do elenco ainda funciona, depois de quatro anos de separação. As atrizes seguem confortáveis em seus papéis e o filme começa bem, com uma contextualização na abertura que é movimentada e divertida. Para os fãs (sim, todos falam nas mulheres que adoram a série, mas há homens que também gostam muito), é uma alegria rever os elementos familiares - como o momento especial reservado para o drink cosmopolitan (possivelmente não por acaso, o mesmo nome da revista Nova nos Estados Unidos). E há pelo menos uma cena para levar consigo para casa: a que acontece na Ponte de Brooklin.

É de espantar que, tendo à frente um diretor-roteirista que esteve em pelo menos uma dessas funções em grande parte dos episódios de Sex and the City não tenha conseguido realizar bem essa transição. Ou será que Sarah Jessica Parker e suas amigas é que não funcionam mesmo em tela grande (considerando que nenhuma delas emplacou grande coisa após a série)? Ah, Jennifer Hudson está lá. Mesmo não tendo muito a fazer, ainda mostra um pouco do carisma que conquistou meio mundo em Dreamgirls (2006).

LIBERDADE PARA O CQC!

Um dos melhores programas da TV brasileira atualmente, o CQC, comandado pelo Marcelo Tas, colocou parlamentares contra a parede em uma de suas primeiras edições e, agora, está impedido de entrar no Congresso Nacional, vejam vocês.

Ontem, o programa anunciou a criação de uma página para um abaixo-assinado eletrônico exigindo que se cumpra a liberdade de expressão no país e que os repórteres do programa possam fazer seu trabalho e perguntando o que ninguém tem coragem de perguntar na lata. Não custa lembrar que, engraçadíssimo, o CQC é relevante como poucos programas hoje.

Eu já assinei. Faça a sua parte e assine também!

É FAN-TÁS-TI-CO!

Olha aí a participação do nosso Jessier Quirino no Fantástico de ontem:

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