A EMOÇÃO DE SARAMAGO

Vejam que emocionante a reação do Saramago assim que acaba de assistir pela primeira vez Ensaio sobre a Cegueira, em Lisboa, com o Fernando Meirelles do lado.

E, aqui, o e-mail que o próprio Fernando me mandou, respondendo ao meu comentário sobre o vídeo:

"Foi um momento e tanto Renato.
Quanto ao filme, por enquanto o placar é 30% de aprovação contra 70% de rejeição.

Vamos ver o que vc acha.
Valeu

abc

f"
MUSAS DE 2007

9 - Gong Li (Hannibal - A Origem do Mal)

Gong Li é o que faz Hannibal não ser uma perda total. A musa chinesa está linda demais e nos faz esquecer da ruindade do resto. Dá vontade até de ver o filme de novo. Para ver também: Amor e SeduçãoLanternas Vermelhas; 2046; Miami Vice.

Outras musas de 2007: 8910 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15

LEITURAS RECENTES

 

O seqüestro de Julia Kendall, na fuga de um criminoso implacável como tinha sido visto até então na série, conclui nesta edição. O ponto alto é o duelo de nervos entre o assassino e a criminóloga e até mesmo uma certa tensão emocional que rola entre eles. Grande história. Emendei com o terceiro especial da série, com mais uma aventura da Julia ainda estudante. Curiosamente, ela também é seqüestrada aqui.

Falta apenas uma edição para terminar Justiça e já estou com saudades. A versão icônica dos heróis DC é a redenção desses personagens diante de tanta besteira que tem sido feita com eles nos últimos anos. A décima-primeira edição é narrada pelo Lanterna Verde, que chegou a virar vilão e ser morto nas mãos dos roteiristas ruins.

Chavão de propaganda de loja de eletrodomésticos: Albert Uderzo faz 80 anos e quem ganha o presente é o leitor. Perdoem-me, mas é verdade: mais de 30 autores internacionais nos brindam com suas versões curtinhas de histórias de Asterix & Cia. para homenagear um de seus autores (o outro, René Goscinny, roteirista original quando Uderzo fazia só os desenhos, morreu há alguns anos). Depois publico aqui minha crítica que saiu no Jornal da Paraíba.

Leituras anteriores, nesta página

HQ/ 'MULHER-GATO - UM CRIME PERFEITO'

Gata sem máscara

Selina Kyle é uma personagem em busca de uma direção na vida. Ladra de jóias, morre de amores por alguém que está do outro lado - um certo Batman. Selina também usa máscara e uniforme, mas está sem eles em Mulher-Gato - Um Golpe Perfeito (Selina’s Big Score, Panini Books, 228 páginas), a ótima revisão da personagem feita por Darwin Cooke e depois por ele e Ed Brubaker, em 2002.

Esta edição da Panini - a primeira aposta da editora em material inédito de quadrinhos para livrarias - inclui, na verdade, três histórias. Um Crime Perfeito é escrita e desenhada por Cooke. Slam Bradley na Trilha da Mulher-Gato tem texto de Brubaker e arte de Cooke e Cameron Stewart. E Sem Dor é escrita por Brubaker e ilustrada por Cooke e Mike Allred.

As histórias não foram publicadas no Brasil até agora, momento em que Cooke é celebrado pela obra-prima DC - A Nova Fronteira e Brubaker se tornou um dos roteiristas mais disputados do mercado. Eles já mostram grande talento ao criar um clima noir para as histórias da Mulher-Gato, aqui com o Homem-Morcego quase ausente.

Um Crime Perfeito puxa o álbum, com uma história de roubo impossível que poderia estar em um filme como Onze Homens e um Segredo ou similar. O traço cartunesco de Cooke comanda o show, evocando a narrativa cinematográfica ao limite. Slam Bradley na Trilha da Mulher-Gato enfoca o detetive que investiga sua pretensa morte - por boa parte do tempo, a trama anda ao mesmo tempo que a de Um Crime Perfeito. Brubaker se diverte com a narração em off.

E Sem Dor se inspira na origem da ladra contada por Frank Miller e David Mazzuchelli em Batman - Ano Um (1988) para reinventar a personagem - incluindo o novo uniforme. A arte de Cooke fica mais suave e, curiosamente, fraqueja. Mas não compromete a bela edição, que se completa com pin ups da personagem por vários desenhistas.

VOCÊ JÁ FOI AO CINEMA HOJE?

 

PS: Peguei a idéia no blog do Daslei. Ele sempre acha coisas tão legais...

DIA-A-DIA DA CROISETTE

Nunca acompanhei o Festival de Cannes como agora. Graças aos blogues, principalmente, que dão o dia-a-dia da Croisette em detalhes, filme a filme, sem as limitações dos jornais e até dos portais. Diariamente e mais de uma vez por dia dou uma checada no Merten, no blog da redação do G1, no Bonequinho do Globo, e até na Ana Maria Bahiana (que não tá em Cannes, mas sabe de tudo). Um resumo da ópera até agora é que...

 
- Blindness (ou melhor: Ensaio sobre a Cegueira) dividiu opiniões. Na sessão para a imprensa, frieza após a exibição, mas, na coletiva, nenhuma crítica. Na sessão de gala da abertura do festival, oito minutos de aplausos. Uma hora aparece uma notícia de que o filme está entre os piores do festival; outra, a de que é o melhor filme de abertura do evento nos últimos cinco anos.


- Waltz with Bakshir, do israelense Ari Folman, é um documentário animado. A definição pouco usual faz lembrar os quadrinhos jornalísticos como Gorazde ou Palestina, de Joe Sacco - ou até mesmo Persépolis, que já rendeu um elogiado longa de animação (que ganhou em Cannes o prêmio especial do júri e com o qual este filme andou sendo comparado no festival). Marjane Satrapi, aliás, está no júri de Cannes.

- Leonera, do argentino Pablo Trapero, tem Rodrigo Santoro no elenco. O ator discutiu com um jornaoista na cletiva quando o repórter parabenizou o diretor por fazer um "cinema nacional", enquanto brasileiros e mexicanos fazem filmes tipo-exportação.

- Tarantino dá hoje a tradicional aula magna do festival e já anunciou que vai fazer um Kill Bill - Volume 3. Nada contra os outros dois, que são ótimos, mas cada vez mais ele mostra que só está a fim de brincar de ser cineasta.


- Un Conte de Noël joga pesado. Tem, no elenco, a maior diva do cinema francês: Catherine Deneuve. E também sua filha com Mastroianni, Chiara Mastroianni (que, infelizmente, puxou ao pai).


- Quem diria: Mike Tyson em Cannes. O ex-boxeador é a figura central do documentário Tyson, de James Toback. Está na seleção competitiva da mostra Un Certain Regard.


- Vicky Cristina Barcelona, o novo Woody Allen, conquistou quase todo mundo. Não teve a tão comentada cena erótica entre Scarlett Johansson e Penélope Cruz (rola um beijo que já aparece num primeiro trailer que anda circulando por aí), mas diz-se que o filme é muito engraçado e Penélope rouba a cena. Só o Merten é que não gostou.


- Linha de Passe, de Walter Salles e Daniella Thomas, arrancou lágrimas e foi aplaudido de pé por nove minutos. Beleza: bola dentro da dupla.


- Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (fora de concurso por lá e com estréia mundial amanhã) cumpre seu papel: diverte muito e se mantém na média alta da série - mesmo não sendo o melhor. Andaram comparando com o terceiro, Indiana Jones e a Última Cruzada (1988). (Em tempo: tem matéria minha hoje no JP). Todo mundo foi a Cannes, como se vê na foto: Cate Blanchett, Harrison Ford, Spielberg, Karen Allen e George Lucas.


- Os irmãos Dardenne (do chatinho A Criança, que ganhou a Palma de Ouro em 2005) estão na briga por seu terceiro prêmio de melhor filme, com La Silence de Lorna.


- Sangue Pazzo nos presta o serviço de ser mais um filme com a deslumbrante Monica Bellucci. É uma superprodução que se passa na Itália dos anos 1940 e tem a ver com fascismo e o mundo do cinema. Foi ovacionado.


- The Changeling, o novo Clint Eastwood (com Angelina Jolie), arrasou. O Merten (de novo) é que não gostou muito. Clint esteve também na homenagem ao centenário de Manoel de Oliveira. E, sim, o cineasta português foi lá recebê-la.

- Serbis é o esquisito do ano. O filme filipino, de Brillante Ma. Mendoza, fala de uma família que tem como sustento um cinema pornô. E tome sexo explícito, pelo jeito bem na onda a que me refiro no post anterior, sobre Anjos Exterminadores. O Rodrigo Fonseca comparou com os filmes de Claudio Assis. Para ele, isso é bom. Pra mim, nem um pouco.


- Gomorra, de Matteo Garrone, leva um olhar politizado sobre a máfia italiana. Foi outro elogiado.

 
- Two Lovers traz Gwyneth Paltrow e Joaquin Phoenix em filme de James Gray (que já o dirigiu em Os Donos da Noite, que passou nos cinemas daqui este ano). Rodrigo Fonseca, do Globo, o comparou a uma mistura de Beijos Roubados, de Truffaut, com Manhattan, de Woody Allen. Bom, hein?


- Maradona by Kusturica (fora de concurso) enche a bola do craque argentino, mas parece que o diretor bósnio não estava muito a fim de mais do que isso.


- Lucrecia Martel (à direita, com a atriz Maria Onetto) aresentou ontem La Mujer sin Cabeza, uma possibilidade de prêmio num ano em que o cinema latino-americano chega forte. Mas o filme foi vaiado e acusado de "não chegar a lugar nenhum".

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