A SUTILEZA DE MAX OPHULS

Marcelo Janot comenta o magnífico Carta de uma Desconhecida no Cultblog:

O filme ainda passa amanhã, às 16h25, no Telecine Cult.

MUSAS DE 2007

9 - Naomi Watts (O Despertar de uma Paixão)

Naomi, a musa máxima de 2006 por King Kong (eu não publiquei a lista, mas fiz o levantamento), volta a mostrar sua leveza sexy em O Despertar de uma Paixão. Ela trai o marido (Edward Norton) e sofre um bocado até reconquistá-lo. Alguém duvida que acabaria conseguindo? Para ver também: King Kong; 21 Gramas; Cidade dos Sonhos.

Outras musas de 2007: 10 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15

CINEMA/ 'HOMEM DE FERRO'

Por baixo da lataria

Robert Downey Jr. faz de Homem de Ferro (Iron Man, Estados Unidos, 2008) um filme de super-heróis muito particular entre os que têm aparecido a cada temporada. Não teve seu destino traçado desde o nascimento ou infância (como o Super-Homem, o Batman, o Homem-Aranha ou os X-Men). É adulto, arrogante e um fabricante de armas. É uma ironia do destino que o faz criar uma armadura para combater o mal.

Stark é preso por terroristas afegãos que usam as armas que sua empresa criou. Eles o obrigam a desenvolver uma arma de última geração para eles - ao invés disso, ele desenvolve a primeira versão da armadura. E não só escapa, como toma consciência do mal que ajudou a produzir - e resolve acabar com ele pessoalmente.

A personalidade de Stark - seguro de si, meio cínico e engraçado - garante boa parte da diversão e a interpretação de Robert Downey Jr. é a alma por baixo da carapuça metálica. Mas ponto também para o diretor Jon Favreau, que imprimiu o tom certo no filme - que é divertido sem cair na palhaçada e trata de coisas sérias sem cair no melodrama.

Assim, enquanto o Homem de Ferro destrói uns terroristas (e suas próprias armas) e dribla os militares americanos, ainda atende o celular dentro da armadura! Sua relação com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) é que segue a linha tradicional dos heróis clássicos: mal resolvida, cheia de “quases” e subentendidos.

Gwyneth, aliás, está encantadora como há muito não se via. Jeff Bridges, como o vilão do filme, também evita a superatuação e se sai muito bem. Tudo se equilibra em prol de um filme que não é só para os fãs das HQs (que deliram com as referências e piadas internas e vão ficar até depois dos créditos para ver a cena final), mas também agrada em cheio quem nunca ouviu falar no Homem de Ferro.

MOMENTO OITENTISTA: THE BANGLES

 

The Bangles é uma das minhas bandas preferidas dos anos 1980. Elas têm um charme despojado típico daqueles dias, com um clima meio Cyndi Lauper um tantinho só mais contido. Também são garotas que só querem se divertir.

Elas seguem a linha iniciada com as Go-Go's no comecinho da década, mas com um som mais puxado pro puro rock (ei, não exijam muito de mim, não sou crítico de música. O grupo nasceu em Los Angeles, em 1981, como The Supersonic Bangs, depois só The Bangs. Como havia uma banda em Nova Jersey com o mesmo nome, finalmente viraram The Bangles.

A banda surgiu com Susanna Hoffs (guitarra e principal vocalista), Debbi Peterson (bateria, vocal e baixo), Vicky Peterson (guitarra, vocal e baixo). De 1981 a 1983, Annette Zilinskas fez baixo e vocal, mas saiu antes de gravarem o primeiro disco, deixando o posto para a baixista Michael Steel - e essa foi a formação clássica.

A banda lançou três álbuns e um greatest hits, antes de se desfazer, em 1990. Susanna lançou sua carreira solo, mas não foi longe (apesar de boas músicas do seu primeiro disco). A banda voltou em 2000, na carona da nostalgia oitentista e lançou disco novo, mas também revive os velhos sucessos nos shows: "Walk like as Egyptian", "Manic Monday", "Eternal flame"... "If she knew what she wants", a música do clipe que selecionei não costuma ser citada entre os grandes sucessos, mas é a minha favorita.

HQ/ 'TEM ALGUMA COISA BABANDO EMBAIXO DA CAMA'

 

Depois de lançar o álbum com as últimas tiras de Calvin & Haroldo - O Mundo É Mágico - e relançar o que tinha as primeiras tiras - rebatizado como Calvin & Haroldo - E Foi Assim que Tudo Começou - a Conrad mantém, agora, a ordem cronológica das tiras com Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama (Conrad, 128 páginas). É - como o anterior - a republicação de mais um álbum que saiu originalmente pela Cedibra (em 1989, com o nome Algo Babando Embaixo da Cama).

A Cedibra publicou os quatro primeiros da série, e a Best News os cinco seguintes (dividindo-os sempre em duas partes) - faltavam os dois finais, um dos quais é O Mundo É Mágico. Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama ainda traz elementos que mostram a criação de Bill Watterson em ebulição - o traço ainda ficaria mais firme, as tiras dominicais ainda seguiam o formato padrão dos jornais americanos (com os dois quadrinhos iniciais “extras” que poderiam ser cortados) e o quociente de filosofia ainda aumentaria nos anos que viriam.

É como se Calvin estivesse na pré-escola - mas já mostrasse ser superdotado. Afinal, a maioria das qualidades que tornaram a série uma das melhores das HQs em todos os tempos já estão aqui: a combinação de traquinagens devastadoras, imaginação além do alcance e uma ociasional e doce ternura. Não é à toa que a tira, que começou a ser publicada em 18 de novembro de 1985 e foi encerrada por Watterson em 31 de dezembro de 1995, sem apelação, continue sendo republicada pelo mundo, 12 anos depois.

E o Brasil foi dormir feliz!...

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