CINEMA/ 'CLOVERFIELD - MONSTRO'

Cloverfield – Monstro surge como a primeira grande fraude do ano. Os marqueteiros do filme marcaram um gol ao criar o oba-oba na internet em torno de como seria o tal monstro do filme produzido por J.J. Abrams – também produtor de Lost e mestre em criar mistérios (e, tendo em vista a série, sem a mesma destreza para resolvê-los). O suspense fabricado em torno da figura continua durante o filme, graças a uma pegadinha: a narrativa do filme finge que é um vídeo dos arquivos das forças armadas, encontrado no Central Park (ou melhor, como diz a abertura, no que antes era conhecido como Central Park).

Assim, o filme é todo visto através da câmera de vídeo de um grupo de amigos que estava em uma festa de despedida quando Nova York é atacada. O que está atacando é visto apenas de relance até perto do fim. Sim, você já viu isso antes: em A Bruxa de Blair (1999), que também foi sucesso a partir do oba-oba na internet – e igualmente não correspondeu à expectativa.

Retirado o aspecto da originalidade de sua narrativa, que não há, o que sobra em Cloverfield? Não muito. Se a intenção é mostrar a grande catástrofe pelo olhar dos habitantes que só não são anônimos porque são os protagonistas da história, Guerra dos Mundos (2005), de Spielberg, fez isso muito melhor e sem precisar se apoiar na muleta do falso vídeo – que reduz a narrativa à câmera balançando, atores repetindo “Oh, my God” e cenas que beiram o ridículo para mostrar a obsessão de alguém filmando tudo sem parar – pelo menos três vezes algum personagem está distraído sem perceber que o monstro gigantesco está bem atrás dele.

A narrativa, que pretende ser frenética e asfixiante, é só aborrecida. E o filme de Spielberg ainda leva outra vantagem: o diretor transformou sua ficção científica num comentário sobre a era Bush. Cloverfield quer aparentar ser, mas não é nada além de um filme de monstro adolescente. E mal filmado.

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