CINEMA/ 'JUNO'

Juno está em pré-estréia há duas semanas, já, e é o caso de conferi-lo agora mesmo. O filme está indicado a quatro Oscars - mas essas categorias são as de Filme, Direção, Atriz e Roteiro original. Todas bem nobres. O caso é que o filme de Jason Reitman é o Pequena Miss Sunshine deste ano no prêmio: pequeno, mas muito inteligente e encantador, cavando seu espaço entre as superproduções.

E isso não é à toa. Desde a largada Juno já mostra que é uma iguaria a ser saboreada devagar, para que dure mais. Os diálogos são espertíssimos e sua protagonista-título, irresistível. Ellen Page, que completa 21 anos no próximo dia 21, já havia conseguido chamar a atenção em meio à multidão no elenco de X-Men - O Confronto Final e arrasado em Menina Má.Com. Aqui confirma que seu talento não é pouco. O frescor de sua atuação é fundamental para o grande carisma do filme todo, muito bem conduzido pelo inspirado Reitman (também confirmando que o excelente Obrigado por Fumar não foi obra do acaso).

O roteiro é da estreante Diablo Cody, de 29 anos, que é bem capaz de beliscar um Oscar para o filme (já ganhou o Bafta, o prêmio do sindicato e o National Board of Review, entre outros). Não seria a primeira vez que uma mulher estreante chegaria lá - aconteceu com Callie Khouri, por Thelma & Louise, em 1991. Diablo é uma ex-digitadora que resolveu virar stripper, contou suas aventuras num blog, chamou a atenção de editoras e emendou o primeiro livro com o roteiro de Juno.

Na trama, Juno tem 16 anos e descobre que está grávida. Com consciência de que não possui maturidade para ser mãe, resolve doar o bebê para um casal ainda no começo da gravidez. O filme conta o que acontece nos meses seguintes entre ela, o garoto que é pai do bebê e a família que ela escolheu para receber a criança. Ao seguir a história da garota, também acompanhamos sua visão de mundo e os comentários desconcertantes - ora super "pés no chão", ora muitíssimo descolados.

O filme é, por assim dizer, uma comédia. Se ri muito em Juno, mas o filme lida com verdades e não com bobagens. Há algum drama, também, e algum romance, mas Reitman evita dourar a pílula. É tudo muito simples e exemplarmente eficaz. Um dos grandes filmes deste começo de ano por aqui - e certamente para ver mais de uma vez. Portanto, não perca tempo.

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