CRÍTICA/ PODECRER!

Tempos sonhadores

A nostalgia dos anos 1980 no Brasil já havia chegado à música, aos livros e até na moda, mas faltava um filme-assinatura - apesar de Cazuza - O Tempo Não Pára (2005) se passar na época. Sem pretensão e com bastante graça, Podecrer! (Brasil, 2007) tenta preencher o espaço - mas, com o desafio de, falando dos adolescentes de 1981, se comunicar também com os de hoje.

Os jovens de Podecrer! parecem mais sonhadores do que os de hoje, em sua libido à flor da pele e ideais de montar uma banda de rock. Embora pare disso possa ser verdade, certamente a sensação é acentuada pelo próprio tom do filme, que procura retratar um Rio de Janeiro idílico - um anti-Tropa de Elite.

A trama também não possui muita pretensão. Trata do último ano no colégio de um grupo de amigos. Os meninos com sua banda de rock e as meninas recebendo uma nova amiga: Carol (Maria Flor), que acaba de voltar ao Brasil com os pais, ex-exilados. Logo surge o clima de paquera entre ela e o líder da banda, João (Dudu Azevedo). Ao mesmo tempo, as dúvidas sobre o futuro de cada um da turma começam a aparecer.

Essas pequenas informações de época vão pontuando o filme de leve: a abertura política, o brinquedo genius, as discotecas tocando Frenéticas, o walkman. O filme começa com imagens captadas realmente no começo dos anos 1980 em super-8 (o “vídeo caseiro” da época), e Carol tem sua camerazinha, na qual registra cenas e depoimentos dos amigos.
O recurso é um interessante lance do filme: o “documentário” de Carol serve para explicitar o pensamento jovem de classe média do período e apresenta os modismos de maneira rápida e sem perder tempo. Simpático e divertido, Podecrer! é competente em deixar um sorriso no rosto - não importa a idade do rosto.

CRÍTICA/ BAILA COMIGO

Terapía no salão

A melancolia permeia Baila Comigo (Marilyn Hotchkiss’ Ballroom Dancing & Charm School, Estados Unidos, 2005): numa cena, sintomaticamente, a maior parte dos homens no salão são viúvos, freqüentadores de uma terapia em grupo, em busca de um novo ânimo para viver. O filme não dá a mesma informação do lado das mulheres (Sonia Braga entre elas, num pequeno papel), mas não deve ser muito diferente.

O próprio salão de baile já é mais o que era. O glamour não é mais o mesmo que o dos tempos em que a própria Marilyn Hotchkiss - e não sua filha (a sempre ótima Mary Steenburgen) - comandava o lugar e treinava os filhos das mães de classe média em dança e etiqueta. Essa história é contada por um homem à beira da morte (John Goodman) ao padeiro Frank (Robert Carlyle) que o encontra na estrada. Ele marcou para aquele dia um encontro com um amor de infância há 40 anos e envia o padeiro em seu lugar.

Frank, por sua vez, não conseguiu superar a morte da esposa. No salão, acaba conhecendo Meredith (Marisa Tomei), outra que leva uma vida sem muitas luzes. A dança com uma espécie de terapia já foi usada em outros filmes recentes - como Dance Comigo (2004), com Richard Gere - mas nunca com uma atmosfera tão sofrida.

No entanto, o filme é hábil em nunca cair no dramalhão. É um pequeno drama feito de pequenos momentos, contido. Mas é encantador quando supera a tristeza. Mas que ao mesmo parece dizer que é preciso pouco para que essa melancolia seja abandonada. “A dança é uma droga poderosa. Se usada com sabedoria, pode exorcizar demônios, acessar emoções adormecidas e colorir sua vida com tons de magenta que você nem sabia existirem”, ensina a professora. Baila Comigo é um pequeno filme com um coração.

MEUS OSCARS - 1934


Filme: Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra
As outras indicações: O Conde de Monte Cristo, de Rowland V. Lee; O Homem de Aran, de Robert Flaherty; O Atalante, de Jean Vigo; Rainha Cristina, de Rouben Mamoulien.

Direção: Frank Capra (Aconteceu Naquela Noite)
As outras indicações: Robert Flaherty (O Homem de Aran); Rouben Mamoulien (Rainha Cristina)

Ator: Clark Gable (Aconteceu Naquela Noite)
As outras indicações: Michel Simon (O Atalante); Robert Donat (O Conde de Monte Cristo)


Atriz: Greta Garbo (Rainha Cristina)
As outras indicações: Claudette Colbert (Aconteceu Naquela Noite); Dita Parlo (O Atalante)

Ano anterior: 1933

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