SEM RESERVAS

 

Sem Reservas. No Reservations. Estados Unidos/ Austrália, 2007.  ***½  Direção: Scott Hicks. Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patrícia Clarkson, Jenny Wade, Bob Baladan. Chef de um restaurante, dedicada exclusivamente ao trabalho, precisa lidar com a sobrinha, que vai morar com ela após perder a mãe, e ao mesmo tempo com um novo ajudante, que ela vê como uma ameaça. Com um elenco acima da média – a menina Abigail Breslin foi indicada ao Oscar de coadjuvante por Pequena Miss Sunshine (2006) e Eckhart estrelou Obrigado por Fumar (2006) –, o filme equilibra bem a comédia, o drama e o romance. Refilmagem de Simplesmente Martha (2001).

CRÍTICA/ CIDADE DOS HOMENS

 

Crônica do morro

 

Se Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) surgiram num curta-metragem teste para Cidade de Deus (2002) e o sucesso do longa-metragem tornou viável a série de TV dos personagens, é natural a comparação entre o filme de Fernando Meirelles e este Cidade dos Homens (Brasil, 2007), de Paulo Morelli.

A principal diferença é que Cidade de Deus, ao mesmo tempo em que mostrava o jovem que vivia à sombra do tráfico, mostrava também as engrenagens da bandidagem. Cidade dos Homens é bem mais centrado nos dramas pessoais de Laranjinha e Acerola, ambos envolvendo questões de paternidade - o primeiro quer encontrar o pai que nunca conheceu; o segundo, que teve um filho muito cedo, precisa aprender a ser um de verdade.

 

O tráfico é pano de fundo para a história que, no seu decorrer, põe a amizade da dupla (acompanhada ano a ano na TV) em xeque. O rito de passagem para a fase adulta é bem mais definitivo quando explode uma guerra pelo controle do morro em que a trama acontece. Nesse ponto, a montagem também dá ao espectador uma idéia mais clara dos acontecimentos, numa narrativa mais convencional do que a de Cidade de Deus.

 

Darlan Cunha e Douglas Silva estão, claro, muito entrosados e comandam o filme sem esforço. Morelli e roteiro de Elena Soarez usam bem a história do seriado, voltando a cenas de anos anteriores de Laranjinha e Acerola como lembranças do passado. Isso dá mais peso à história da dupla e coloca o filme como o ponto culminante de uma saga.

 

Não é um filme revolucionário, como Cidade de Deus foi, mas também não precisa ser. A tônica de Cidade dos Homens é diferente, está mais para a crônica da vida desses personagens - e nisso o filme é muito bom.

INTERNET COM MODERAÇÃO

Esse negócio de internet às vezes mais atrapalha do que ajuda. Já antes de Superman - O Retorno estrear eu senti o excesso de informação. Eram tantos vídeos do filme aparecendo na rede que chegou um momento em que eu não quis mais ver nada, pra não ter elementos suficientes para praticamente montar o filme na cabeça!

E está acontecendo de novo. Primeiro, com Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (é este o título do próximo filme da série). Todo dia tem uma notícia nova, trazendo junto a ameaça de alguma antecipação indesejada da trama - os famigerados spoilers. E segundo, com Harry Potter. Depois de assistirmos ao quinto filme, Lalá e eu, que não somos leitores da série, entramos de cabeça nos livros (ela no quinto e eu no sexto) para poder ler logo também o sétimo, que acabou de sair, antes que alguém nos conte o final! E quando o livro saiu, paramos de ler qualquer coisa sobre a série na internet, para não ler por acidente nada que não deveríamos.

Trabalhoso pacas.

A VIDA EM PRETO-E-BRANCO

 

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A Vida em Preto-e-Branco.

Pleasantville. Estados Unidos, 1998. Direção: Gary Ross. Elenco: Tobey Maguire, Reese Witherspoon, Joan Allen, Jeff Daniels, William H. Macy, J.T. Walsh, Don Knotts, Marley Shelton, Paul Walker. Casal de irmãos adolescentes é magicamente transportado para Pleasantville, fictícia cidade de um antigo seriado de tevê, na qual tudo é em preto-e-branco. As atitudes modernas da garota darão início à liberação de emoções reprimidas e o conseqüente surgimento de cores, causando um tumulto na cidade. Ross (também roteirista) escreveu o roteiro de Quero Ser Grande, por isso não surpreende que, apesar do ponto de partida absurdo, tudo seja tratado com bom gosto e inteligência, traçando um belo painel humano em que os personagens vão revelando suas verdadeiras cores no decorrer da história. A metáfora é bem engrendrada e tudo é valorizado pelas boas interpretações, notadamente a de Joan Allen. Oscar 3 indicações: Trilha sonora para não musical, Direção de arte e Figurino.

OS SIMPSONS - O FILME

Os Simpsons – O Filme. The Simpsons Movie. Estados Unidos, 2007.  ****  Direção: David Silverman. Vozes originais: Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer, Hank Azaria, Joe Mantegna, Albert Brooks, Tom Hanks. Vozes na dublagem brasileira: Carlos Alberto Vasconcellos, Selma Lopes, Flávia Saddy. Homer provoca um desastre ecológico em Springfield, o que leva o governo americano a isolá-la do mapa e os habitantes da cidade a perseguir a família Simpson. Depois de 18 temporadas na televisão, os personagens da série animada ganham a tela grande em plena forma: humor corrosivo alternando com o puro pastelão, referências inteligentes e algumas liberdades que a TV não permite. Algumas das melhores piadas dizem respeito ao próprio filme (como Homer assistindo a um longa de Comichão & Cocadinha e perguntado por que está pagando para ver algo que passa de graça na TV ou Bart escrevendo no quadro-negro “Não vou fazer download ilegal deste filme”, na versão da abertura). Não tem nada de diferente do seriado – ainda bem. Baseado na série de TV Os Simpsons (1989-ainda em produção).

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