CRÍTICA/ 'DURO DE MATAR 4.0'

 

Herói ánalógico

 

Uma idéia muito difundida é que Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, Estados Unidos/ Inglaterra, 2007), exageradíssimo como é, segue o estilo da série. Mas isso não é bem verdade. O terceiro filme, Duro de Matar - A Vingança (1995), é assim, mas os dois primeiros nem tanto.

 

O Duro de Matar original (de 1988) é um filme de ação espetacular e, como tal, tem cenas grandiosas e de tirar o fôlego. Ali, John McClane (Bruce Willis) é um sujeito comum, que tem medo e tenta resolver as coisas do jeito que dá. Não faltam tiros e explosões. Mas tudo dentro de um certo limite, que o quarto filme da série - seguindo fielmente a “estética do exagero” - desconhece. A regra é tentar ser o mais grandiloqüente possível, a qualquer custo.

 

Agora, McClane é um super-policial, sempre com o domínio  da situação. Ele derruba helicópteros com carros e consegue escapar de um jato militar em um caminhão pesadíssimo. Nada pode detê-lo e ele sabe disso. Essa postura pode significar uma “evolução” do personagem ou uma descaracterização daquilo que tornava o primeiro filme tão bom.

 

É uma pena que o vilão (Timothy Oliphant) não tenha carisma suficiente - Willis já enfrentou Alan Rickman e Jeremy Irons, para se ter idéia. Poderia melhorar o filme e tornar mais crível um plano que é tão absurdo quanto as motivações para que ele aconteça.

 

Não chega a ser um filme ruim. É divertido ver McClane, um homem de outro tempo, tentando vencer o terrorismo tecnológico de uma maneira “analógica”, digamos assim. Ou quando ele enfrenta uma oriental boa de briga e diz: “Chega dessa porcaria de kung fu”. São os únicos momentos em que parece estarmos vendo um filme com um personagem bem definido - e não um festival de pirotecnia que poderia ter qualquer um no papel principal.

45 ANOS SEM MARILYN


Os Homens Preferem as Loiras, 1953


Com Montgomery Clift, em Os Desajustados, 1961

Por que Marilyn Monroe não foi feliz? Vai saber. Ela tinha direito a uma compensação, não tinha? Sua infância foi um inferno, sem ter conhecido o pai e uma mãe louca. Entrava e saía de orfanatos e seu primeiro casamento, aos 16 anos, foi para escapar de voltar pra um. O segundo foi com um herói do esporte, Joe DiMaggio - o glamour -, e o terceiro com um dramaturgo, Arthur Miller - a profundidade. Nenhum deu certo. Se envolveu não com um Kennedy, mas com dois - John e o irmão Bobby.

Era insegura no trabalho - suas atuações eram ridicularizadas. Pura maldade: ela era boa comediante e boa cantora. Acho que foi Billy Wilder que disse que a luz era atraída por Marilyn. Com certeza foi ele que disse que ela dava muita dor-de-cabeça - mas como valia a pena quando o resultado era visto a tela! Tentou virar atriz séria, tentou o "método" do Actor's Studio e usou a tiracolo uma consultora, Paula Strasberg. Isso atrapalhou o que ela tinha de melhor, que era sua graça natural, mas que não se diga que ela não conseguiu ter uma atuação "séria": está linda, madura e comovente em Os Desajustados (1961), seu último filme.

Apareceu morta, aos 36 anos, nua em uma cama, com 40 comprimidos de tranquilizante ingeridos. Uma perda tão desconcertante que ninguém consegue afirmar com certeza o que aconteceu. Suicídio proposital? Suicídio acidental? A CIA a matou porque ela era uma ameaça aos Kennedy? Ela foi morta porque a máfia descobriu a ligação dela com os Kennedy e estava usando a informação para chantageá-los? Não faltam hipóteses. Nenhuma vai aplacar a perda.

Marilyn não foi feliz, mas nos faz feliz. Foi única. E foi única em cada imagem definitiva que nos deixou: cantando "Diamonds are a girl's best friend", em Os Homens Preferem as Loiras; com o vestido levantado pelo vento encanado do metrô, em O Pecado Mora ao Lado; sem enxergar direito (para os óculos não a enfeiarem) em Como Agarrar um Milionário; preguiçosa, cantando "Lazy", em O Mundo da Fantasia; em cada fotograma de Quanto Mais Quente Melhor...

(1/6/1926-5/8/1962)

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