PAIS DE CELULÓIDE

Falta só uma semana para acabar a enquete sobre o filme definitivo sobre pais. Por enquanto, alguns votos e comentários que lembraram outros filmes interessantes. Escolha o seu comentando aqui ou indo ao post do dia 27.

 

ARIZONA NUNCA MAIS

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Arizona Nunca Mais.

Raising Arizona. Estados Unidos, 1987. Direção: Joel Coen.
Elenco: Nicolas Cage, Holly Hunter, Trey Wilson, John Goodman, William Forsythe, Sam McMurray, Frances McDormand, Randall “Tex” Cobb, T.J. Kuhn, Lynne Dumin Kitei, M. Emmet Walsh. Ex-presidiário e policial se casam, mas o idílio acaba quando descobrem que ela não pode ter filhos. Então, resolvem levar adiante um plano desesperado: roubar para si um dos quíntuplos de um rico casal dono de uma loja de móveis, o que dá início a uma série de confusões. Brilhante e original comédia dos irmãos Coen (os dois dirigem, mas só Joel costuma ser creditado; ambos são roteiristas e Ethan, produtor), equilibrando muito bem os elementos de comédia maluca e um visual muito inspirado – cuja fotografia combina uma composição cuidadosa dos quadros, repetição de planos e outros em movimento, tudo a cargo de Barry Sonnelfeld (que depois dirigiria – seguindo o mesmo estilo – A Família Addams, 1991). Além disso, há a ótima trilha sonora de Carter Burwell, que escreveu a música de todos os filmes dos irmãos, e, aqui, criou um tema folk antológico. Todo o elenco está ótimo e valoriza ainda mais a comédia, que tem cenas memoráveis como o assalto que acaba resultando uma perseguição em um supermercado e nas ruas, envolvendo caixas, a polícia e vários cachorros. Sem falar no prólogo, com dez minutos, e um dos melhores do cinema.

ANTES/ DEPOIS - ESPECIAL


Karen Allen e Harrison Ford, em Os Caçadores da Arca Perdida (2001)


Shia LeBouf, Steven Spielberg, Ray Winstone, Harrison Ford e Karen Allen, no set do quarto Indiana Jones (2007)

O anúncio na ComicCon de San Francisco me deixou feliz da vida. O próximo filme da série Indiana Jones, 18 anos depois do terceiro, trará da volta a personagem Marion Ravenwood, a namorada definitiva do personagem, que ele reencontra no Tibete em Os Caçadores da Arca Perdida. Ela foi apresentada em uma transmissão ao vivo para o evento (veja aqui). O elenco, aliás, está com tudo. É uma grande pena que Sean Connery não tenha topado deixar a aposentadoria para voltar a ser Henry Jones pai (ainda por cima, apagaria a imagem de seu último filme, o criminoso A Liga Extraordinária, 2003). Mas o britânico John Hurt (que deve ser o pai de Marion) e a maravilhosa Cate Blanchett já estão no time. Na foto aparecem também Shia LeBouf, uma das poucas qualidades de Transformers, e Ray Winstone, de Os Infiltrados. A estréia no Brasil está prevista para maio do ano que vem.

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Atenção! Não deixem de votar no melhor filme sobre pais, hein? Procurem o post aí embaixo.

MICHELANGELO ANTONIONI

Um casal vaga por festas animadas, mas reavalia o próprio casamento.


A Noite (1961)

Uma sensual sessão de fotos entre um fotógrafo e sua modelo, na efervescente Londres sessentista.


Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966)

Um repórter de TV decide viver a vida de um morto parecido com ele.


O Passageiro - Profissão Repórter (1975)

Michelangelo Antonioni é conhecido como o mestre da incomunicabilidade. Seus filmes revelam uma angústia do ser humano consigo mesmo, uma inedaquação que vem de dentro, uma impossibilidade de diálogo entre as pessoas atormentando suas vidas. É um cinema difícil - e chato algumas vezes. Mas uma afirmação autoral muito particular e que brindou o espectador com momentos poderosos em vários filmes. Teve um derrame nos anos 1980, perdendo os movimentos de meio corpo e a fala, mas ainda fez dois filmes - o mestre da incomunicabilidade não podia deixar de se comunicar. Morreu em Roma, segunda à noite.

INGMAR BERGMAN

Um cavaleiro medieval joga xadrez com ninguém menos que a morte.


O Sétimo Selo (1957)

Um velho, viajando por paisagens conhecidas de sua infância, vê imagens de tempos vividos e revive em sua mente aqueles momentos.


Morangos Silvestres (1957)

Dois irmãos de uma família de atores, acostumados à liberdade, são oprimidos pelo novo padrasto, um pastor conservador.


Fanny & Alexander (1982)

Cumes da imensa cordilheira que é Ingmar Bergman para a sétima arte. Ele não se enquadrou em nenhum movimento. Era o seu próprio. O mestre sueco foi fundo no existencialismo humano, mostrando ora o dilema entre homem e Deus e sempre o do homem consigo mesmo. Criou clássicos indiscutíveis dos anos 1950 aos anos 1980 e nos levou a uma dimensão maior a cada história que nos contava. Ele perdeu o jogo de xadrez, no fim - mas olha a quanto tempo ele vinha jogando, ganhando tempo e adiando a derrota para as várias vitórias que cada um de sesu filmes é. Foi levado segunda, pela manhã.

CRÍTICA/ 'HARRY POTTER E A ORDEM DA FÊNIX'

Magia negra

Até agora, a série criada por J.K. Rowling segue uma escalada constante rumo à tragédia. Assim, não surpreende que Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of Phoenix, Inglaterra/ Estados Unidos, 2007) seja o mais sombrio dos - até agora - cinco filmes. Os problemas na vida de Harry se sucedem e quase não há espaço para momentos alegres neste quinto ano em Hogwarts.

Mesmo o tão comentado beijo de Harry (Daniel Radcliffe) e Cho Chang (Katie Leung) é só uma pequena exceção em meio a um turbilhão de tensões emocionais. Aos 15 anos, o bruxo está inquieto e rebelde. Tem pesadelos terríveis, o que pode indicar Voldemort em sua mente. Sem querer, vai se isolando de seus amigos Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint). Também não entende a frieza de Dumbledore (Michael Gambon).

Para piorar, existe a desconfiança generalizada de que ele viu mesmo Voldemort (Ralph Fiennes) e Hogwarts sofre uma intervenção do Ministério da Magia, que transforma a escola quase no governo Médici em níveis de repressão. Cabe a Harry liderar os alunos num grupo clandestino para treinar escondido.

É mais um passo no amadurecimento do personagem, finalmente a caminho de se tornar um líder. É um dos pontos positivos do filme, que traz as cenas mais assustadoras da série até aqui e seus momentos dramáticos mais intensos. Uma bela estréia para o diretor David Yates.

Nitidamente um filme de transição, Harry Potter e a Ordem da Fênix só tem problemas mesmo com a duração, que não dá muito espaço para Helena Bonham-Carter e a novata Luna Lovegood, além de outros grandes atores sem muito a fazer (como Maggie Smith e Emma Thompson). Imelda Stauton, pelo contrário, brilha com sua doçura ameaçadora.

DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA

Doze Homens e uma Sentença. 12 Angry Men. Estados Unidos, 1957. **** Direção: Sidney Lumet. Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Martin Balsam, Joseph Sweeney, Jack Warden, E.G. Marshall, Robert Webber, Ed Begley. Na reunião em que um júri vai decidir sobre a condenação de um jovem por assassinato, apenas um dos homens vota inocente – e tenta fazer com que os outros reavaliem sua decisão,embora haja forte pressão para que ele mude a sua. O filme transcorre quase todo em uma sala, dirigido com habilidade e com direito a uma longa seqüência inicial sem cortes. Os jurados são identificados apenas pelos números – dois deles dizem seus nomes apenas no final do filme. Roteiro original de Reginald Rose. Oscar 3 indicações: Filme, Direção (Sidney Lumet) e Roteiro adaptado. Globo de Ouro 4 indicações: Filme/drama, Direção (Sidney Lumet), Ator/drama (Henry Fonda) e Ator coadjuvante (Lee J. Cobb). Bafta 2 indicações, 1 prêmio: Ator não britânico (Henry Fonda); a outra indicação: Filme de qualquer procedência. Berlim 2 prêmios: Urso de Ouro e Prêmio Ocic.

BAIXIO DAS BESTAS

Baixio das Bestas. Brasil, 2007. *1/2 Direção: Cláudio Assis. Elenco: Maruah Teixeira, Fernando Teixeira, Caio Blat, Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Conceição Camaroti, Marcélia Cartaxo, João Ferreira, Hermila Guedes, Irandhir Santos. Numa cidadezinha do interior nordestino, uma adloescente é explorada sexualmente pelo avô. Enquanto isso, jovens da cidade vivem de farras violentas com as prostitutas do lugar. Mais uma vez, Assis usa e abusa de elementos chocantes – a maior parte deles, puramente gratuitos. Um cardápio variado de estupros, palavrões, nudez e consumo de drogas. Brasília 6 prêmios: Filme, Atriz (Mariah Teixeira), Ator coadjuvante (Irandhir Santos), Atriz coadjuvante (Dira Paes), Trilha sonora e Prêmio da crítica.

TRANSFORMERS

Transformers. Transformers. Estados Unidos, 2007. **½ Direção: Michael Bay. Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Rachael Taylor, Tyrese Gibson, Jon Voight, John Turturro, Bernie Mac. Vozes originais: Peter Cullen, Hugo Weaving. Adolescente compra seu primeiro carro e logo descobre que ele é um robô alienígena disfarçado, envolvido na guerra entre dois grupos que estão na Terra em busca de um objeto que pode dar vida a outras máquinas. Filme baseado na série animada Transformers (1984-1987), que, por sua vez, foi criada para promover uma série de brinquedos. Os efeitos especiais são de primeira, mas o mesmo não se pode dizer da história: a trama é frouxa, mera desculpa para o coquetel de destruição característico do diretor Michael Bay. Há um bom ator no papel principal, mas alguns dos bons coadjuvantes (Voight, Turturro) não tem chance mostrar muita coisa. O dublador do Optimus Prime é o mesmo do desenho animado; já a voz de Megatron ficou com o agente Smith, de Matrix (1999).

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