CRÍTICA/ 'RATATOUILLE'

 

O grande número de animações por computador lançadas anualmente faz com que esqueçamos algo que Ratatouille (Ratatouille, Estados Unidos, 2007) faz lembrar em 30 segundos: a Pixar está anos-luz à frente dos estúdios concorrentes. A aventura do ratinho que deseja ser um cozinheiro mostra isso tanto em relação à qualidade técnica quanto nas construção dos personagens e desenvolvimento da história. É nada menos que uma obra-prima imediata.

 

A ousadia de situar o filme na cozinha de um restaurante de Paris e colocar um rato como protagonista é só o ponto de partida. Remy, o protagonista, é um estranho entre seus iguais, pelo paladar apurado, a postura de não roubar e a higiene (anda em duas patas e as lava antes de tocar na comida). O destino o separa da sua família e o joga na cozinha de um restaurante parisiense. Ali, em parceria com Linguini, o desastrado lixeiro do local, pode viver o sonho de criar pratos elaborados e deliciosos.

 

São tantas as cenas memoráveis, todas dirigidas com absoluto primor por Brad Bird, que é difícil até enumerá-las. Há a fuga em massa dos ratos no começo do filme, a seqüência em que Remy se esgueira por dentro das paredes,  sua corrida alucinada, perigosa e sem rumo, pelo chão da cozinha do restaurante, a bela cena em que o pacto entre Remy e Linguini é selado, e toda a seqüência brilhante em que o crítico gastronômico Anton Ego prova a comida até depois, quando narra sua crítica, entre inúmeros outros.

 

Muito inteligente, o filme foge da mesmice das referências pop, acerta a mão nas piadas e estabelece em um segundo porque ouvimos Remy falando com outros ratos, mas não com Linguini. Aí, são só os gestos e os olhares, e, com isso, Remy possui uma dimensão emocional que eleva Ratatouille a um milagre da animação.

VENCEDOR DA HISTÓRIA

Numa lista de cinco dias mais tristes da minha vida, certamente um lugar está reservado para o 5 de julho de 1982. Naquele fim de semana, meu pai e eu fomos ao calçadão da Praça Saens Peña e ele me comprou uma camisa da Seleção Brasileira. O Brasil já tinha ganho quatro jogos naquela Copa do Mundo. O próximo era a Itália.

O final, quem viu não esquece: Brasil 2 x 3 Itália.

O Esporte Espetacular, ontem, exibiu matérias durante todo o programa sobre aquele dia fatídico, em que não só eu chorei (jogado em cima da cama dos meus pais, com a camisa atirada embaixo da cama - camisa que nunca mais vesti). O Brasil inteiro chorou.

São matérias que devem ser vistas, porque são históricas: depoimentos dos principais jogadores da época, jornalistas e uma entrevista com o carrasco Paolo Rossi. Entre outras coisas, a matéria mostra que aquele time, que os espíritos-de-porco uma vez chamaram de "geração de perdedores", na verdade é de vencedores. Mesmo tendo perdido, são mais lembrados pelo mundo que os campeões daquela Copa - justo a Itália. Representa o fuitebol-arte, o que deve ser jogado, mesmo que perca numa fatalidade dessas.

Ou você prefere ganhar com um timinho que não joga nada e não dá prazer algum de ver, como esse da Copa América?

Assista os vídeos aqui.


Em pé: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho, Junior;
Agachados: Sócrates, Cerezzo, Serginho, Zico, Éder.
(agora lembra aí a escalação de 1994...)

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