VAMOS DANÇAR?

 

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Vamos Dançar?

Shall We Dance. Estados Unidos, 1937. Direção: Mark Sandrich. Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Edward Everett Horton, Eric Blore, Jerome Cowan, Harriet Hoctor. Bailarino americano, que finge ser russo para convencer na dança clássica, se apaixona por sapateadora famosa e uma confusão a bordo do navio que os leva de Londres para a América faz imprensa e público pensarem que eles se casaram recentemente, aumentando o imbróglio entre eles e seus respectivos empresários. Antológica comédia de erros, típica dos filmes de Fred Astaire e Ginger Rogers, mas ainda acima da ótima média da dupla: um roteiro afiado (de Ernest Pagano e Allan Scott) e Astaire-Rogers em estado de graça e em alguns de seus melhores momentos juntos. E, claro, as esplêndidas canções de George e Ira Gershwin, escritas especialmente para o filme: entre elas, “Let's call the whole thing off”, feita para a dupla e inspirada pela maneira diferente que Fred e Ginger tinham de pronunciar certas palavras, e que eles dançam de patins; “They can't take that away from me”, que Fred voltaria a cantar para Ginger em Ciúme, Sinal de Amor, 1949; “They all laughed”, em que o estilo falsamente clássico do personagem de Fred dialogua com o sapateado de Ginger; e “Shall we dance”, na qual Fred dança com várias mulheres usando máscaras de Ginger. Uma delícia. Oscar 1 indicação: Canção original (“They can't take that away from me”).

CRÍTICA/ 'NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO'

 

Duelo de categoria

 

O grande trunfo de Notas Sobre um Escândalo (Notes in a Scandal, Inglaterra, 2006) não é nenhum segredo: as duas atrizes fenomenais que lideram o elenco: Judi Dench e Cate Blanchett - não por acaso, ambas já vencedoras do Oscar e novamente indicadas por este filme. E elas não decepcionam por um segundo sequer, num embate memorável.

 

Judi é Barbara Covett, uma rígida e amarga professora de uma escola britânica. Enquanto desdenha em seu diário da nova e sexy professora de artes, Sheba Hart (Cate Blanchett), faz amizade com ela. E quando descobre que Sheba tem um caso com um de seus alunos, usa o fato para criar uma velada chantagem e ficar ainda mais próxima.

 

Um jogo de manipulação que o filme trata desde o início com uma aura de suspense - reforçada pela música sempre presente de Philip Glass. O filme dirigido por Richard Eyre, com roteiro de Patrick Marber (baseado em livro de Zoe Heller), ganha em apostar na honestidade das motivações dos personagens (ou falta delas). A espiral dramática cresce a cada minuto, sempre pontuado pela narração em off do diário de Barbara.

 

A condução da trama só peca na transformação repentina da reação da família de Sheba à presença de Barbara, que pula das boas-vindas para uma violenta repulsa contra o fato de ela estar sempre lá - mas este “sempre lá” não é bem mostrado pelo filme, que se dedica mais à pressão de Barbara sobre Sheba e o caso desta com seu aluno (o ótimo Bill Nighy, aí, poderia ser melhor aproveitado).

 

Mas o duelo entre Judi Dench e Cate Blanchett eleva um filme que já seria bom a uma outra categoria. Curiosamente, não apenas as duas, mas uma terceira atriz do filme (Anne-Marie Duff, que aparece na última cena) interpretaram Elizabeth I, em filmes ou na TV. Só faltou a Helen Mirren.

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