CRÍTICA/ 'SCOOP - O GRANDE FURO'

 

Namorando Scarlett

 

Depois do ótimo Ponto Final - Match Point (2005), muita gente esperava que Woody Allen seguisse em frente com a mudança radical em seu estilo. Mas, Scoop - O Grande Furo (Scoop, Inglaterra/ EUA, 2006) é uma volta do diretor à comédia ligeira e intelectual, passeando por vários de seus assuntos preferidos. E isso não é ruim.

 

Scoop é uma comédia policial, com um enredo que une mágica de palco, citações à mitologia grega, a mestres do cinema, e a musa da vez - Scarlett Johansson. É o Woody Allen familiar de novo, reinventando os ingredientes para criar uma comédia divertida e nada mais, sem as preocupações ou ambições de sua fase de ouro.

 

Ou seja: que não se espere de Scoop um filme da altura de um Hannah e Suas Irmãs (1986). Informalíssimo, trata-se de um Woody Allen relax. Como em Trapaceiros (2000), ele interpreta um tipo não necessariamente intelectual: um mágico que ajuda uma estudante de jornalismo (Scarlett) a investigar um aristocrata (Hugh Jackman), que pode ser um assassino serial - segundo a dica do fantasma de um jornalista morto recentemente (Ian McShane).

 

Alguma informação cultural ainda é necessária para curtir melhor certas piadas - como a citação da barca da morte da mitologia grega, por exemplo, mas o tom é bem mais acessível. Dentro disso, ainda há a ótima química entre Woody e Scarlett, formando um dupla inspirada nas comédias malucas dos anos 1930.

 

E repare na cena em que a atriz, num tipo bem menos sexy do que o de Ponto Final - Match Point, senta-se à beira da piscina com um maiô vermelho. O diretor - através da câmera - a namora, num dos bons momentos visuais de Scoop, em um filme que é bem mais de diálogos do que de imagens.

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