SÉRIES PREFERIDAS - 24

24. Chaves (El Chavo del Ocho, 1973-1992)

O tempo passa e a graça de Chaves não se perde. Repetitivo como ele só, o seriado consegue entremear diálogos engraçadíssimos no meio de todos os bordões (inúmeros deles memoráveis), com muitas piadas verbais e trocadilhos. E seus personagens são muito carismáticos e bem construídos: Chaves, o órfão atrapalhado e sempre esformeado, que está sempre por ali e ninguém sabe direito onde mora ou quem cuida dele; Kiko, garoto mimado que esnoba um pouco os mais pobres e com a mãe, Dona Florinda, que só o vê como um "tesouro"; Chiquinha, uma menina quase diabólica de tão traquinas; Seu Madruga, o pai dela, sempre com o aluguel atrasado, fugindo do Seu Barriga, o dono da vila, e às turras com a Dona Florinda; o Professor Girafales, o professor que as crianças enlouquecem e que se derrete pela mãe do Kiko; e a Dona Clotilde, ou melhor, "a bruxa do 71" para as crianças. Os melhores episódios são absolutamente impagáveis.

Aqui, uma cena da série.

Série número 25: Smallville

O GRANDE PAULINHO

Em determinado momento de Paulinho da Viola - Paulo César Baptista de Faria, terceiro DVD da série Grandes Nomes, uma surpresa para os paraibanos. Paulinho anuncia: "Eu conheci melhor o choro através dele e o trouxe de Recife para que vocês também o conheçam. Um dos nossos melhores violonistas: Canhoto da Paraíba". E aí o paraibano Canhoto - já vivendo na capital pernambucana - divide com a estrela do show, após essa introdução e tanto, a música "Forró do Xenhenhem", de Cecéu. E é só um dos vários grandes momentos do especial da TV Globo, que chega ao mercado de DVD 26 anos depois de exibido.

As primeiras edições - igualmente impecáveis - foram Elis Regina Carvalho Costa e Rita Lee Jones. Paulo César Baptista de Faria mostra Paulinho aos 38 anos e já autor de músicas que viriam a ser clássicas como "Sinal fechado", que abre o show. Ele já era grande (não é por acaso que esteve na série), mas assume a postura de iniciante ao convidar veteranos do samba para dividir o palco.

Logo no começo, há um pout-pourri em que Paulinho da Viola recebe Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescarzinho do Salgueiro e Nélson Sargento para ajudar a interpretar as canções deles - e depois o acompanham em duas músicas suas, "Pode guardar as panelas" e "Guardei minha viola". No último bloco, a Velha Guarda da Portela o acompanha na linda "Foi um rio que passou em minha vida". Radamés Gnatalli toca piano em "Sarau para Radamés" e "Coração imprudente", mais duas composições de Paulinho (a última, com Capinam).

Zezé Motta divide com ele "Aquela felicidade" e "Senhora Liberdade"; Manacéa canta a sua "Quantas lágrimas" e Casquinha ajuda na sua composição com Paulinho, "Recado" - os dois últimos são portelenses históricos.

Poucas vezes, Paulinho da Viola interpreta músicas sozinho no show. Ele aproveitou para reunir os amigos e prestar reverência a seus mestres. Assim, o show não é só um retrato fiel de si mesmo como artista, como também, avança por suas influências e relações de amizade e carinho.

A elegância acima de tudo, num belo cenário que remete a um roda de samba no morro, é o tom do especial - e da carreira toda de Paulinho da Viola. Com séries como essa, a MPB começa a ter registros de seus momentos antológicos. Um documento precioso.

ESTRÉIAS DA... QUINTA

Por causa da Semana Santa, as estréias foram antecipadas para esta quinta. Milagres da Semana Santa.

 

Caixa Dois - O filme de Bruno Barreto que adapta a peça de sucesso de Juca de Oliveira: uma negociata dá errado e a grana preta que um banqueiro ia levar por fora numa transação vai parar na conta de uma professora honesta. A comédia promete pela atualidade e pelo elenco, que inclui Fúlvio Stefanini, Zezé Polessa, Giovana Antonelli, Daniel Dantas e Cássio Gabus Mendes.

A Família do Futuro - O novo da Disney por computador (sem a Pixar) parece melhor que os anteriores (O Galinho Chicken Little e Selvagem, que não saíram do razoável). O visual é legal e parece ter mais bossa a história do moleque gênio que é levado ao futuro para recuperar o escaneador de mentes que ele mesmo criou. O design dos personagens é bacana. E só o trailer da banda de sapos que manda o público desligar o celular e se comportar no cinema já leva minha simpatia. Só dublado.

As Férias de Mr. Bean - Sim, ele voltou. Desta vez, o atrapalhado e careteiro personagem intepretado por Rowan Atkinson vive suas trapalhadas na França. Dificilmente vai decepcionar os fãs. Só dublado, também.

O Último Rei da Escócia - O filme que deu o Oscar a Forest Whitaker, uma unanimidade quase tão grande quanto a de Helen Mirren em A Rainha. Ele é o sanguinário ditador de Uganda, que simpatiza com um médico escocês que conhece por acaso. O doutor passa a ver de perto como funciona a ditadura do país.

Ah! E tem pré-estréia de As Tartarugas Ninja - O Retorno, de sexta a domingo.

CRÍTICA/ '300'

 

Quase parando

 

Um dia alguém vai ter que estudar 300 (300, Estados Unidos, 2007) e alterar a velocidade de suas cenas para ter uma idéia precisa de qual seria a duração do filme caso elas se passassem na “rotação” normal. Eu aposto em uns 40 minutos. Isto porque a adaptação da HQ de Frank Miller é toda calcada numa famigerada câmera lenta, numa tentativa de tornar cada segundo grandioso, mas que sai clamorosamente pela culatra.

 

Nada contra o recurso que, quando empregado na hora certa, pode realmente tirar o fôlego ou perpetuar a beleza plástica de uma cena. Nem se pode dizer que o diretor Zack Snyder não o usou no momento adequado em 300 - porque ele o usou em praticamente todos os momentos, adequados ou não. Muitas vezes para dar um ar épico em cenas onde isso não fazia o menor sentido, ou exagerando o que já deveria ser épico ou apenas como a visão algo sádica de um adolescente viciado em jogos de violência num videogame.

 

Os créditos finais dão o tom do filme: é o fetichismo pelo sangue espirrando e os detalhes nos membros decepados. O resto é detalhe, com a trama de bastidores na política de Esparta envolvendo a rainha. O que deveria ser um respiradouro nunca deixa de parecer incômodamente supérfluo e forçado.

 

Não que o filme melhore muito nas cenas de batalha, com seus personagens unidimensionais e um inacreditável ritmo clipeiro que vai devagar, quase parando, e com dramaticidade zero. Como previsto, 300 repete os erros de Sin City, a Cidade do Pecado (2005). Centra a força na devoção à obra de Frank Miller, com uma versão palavra-a-palavra da HQ e uma estilização visual também xerocada (mas que impressiona) - escoltados pelos fãs, que querem mesmo é ver a obra nas telas tal e qual leram no gibi, mesmo que não seja o ideal.

 

O resultado é um filme com muito blá-blá-blá, em que um narrador redundante quase sempre conta o que já estamos vendo na tela. Fazer literatura no cinema não é para qualquer um.

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