ESTRÉIA/ 'Ó PAÍ, Ó'

A baianidade agita no cinema

Renato Félix

Em 1994, a cineasta Monique Gardenberg assistiu à apresentação de uma peça do Bando de Teatro do Olodum, em Salvador. E viu nascer ali uma semente para, no futuro, tentar um novo passo em seu cinema. “Pela primeira vez, vi que é possível falar de coisas graves sem pesar a mão”, contou ao repórter do JORNAL DA PARAÍBA, do Rio, por telefone. Esse novo passo vem justamente com a adaptação da peça: Ó Pai, Ó (Brasil, 2007) estreou ontem em circuito nacional (duas salas em JP, um em CG), exalando baianidade.

“O filme mostra o jeito baiano que debocha da própria realidade”, diz a diretora. “E leva a vida meio na música, na criatividade para sobreviver”. Ela define o filme como uma comédia dramática e musical: um painel que gira em torno de um cortiço invadido ilegalmente no Pelourinho, onde todo mundo se vira como pode para ganhar a vida. O humor predomina e explode no carnaval. E é justamente no último dia da folia que a síndica resolve cortar a água dos condôminos.

“O filme conduz ao riso, mas ele trata de situações delicadas, de pontos nevrálgicos”, conta Monique, diretora também de Jenipapo (1995) e Benjamin (2004). “Os personagens querem estar inseridos no carnaval, mas á margem dele: como cordeiro de bloco, motorista de trio, catador de latas. Até o Roque (personagem de Lázaro Ramos) batalha para ter dinheiro e comprar um abadá para sair no Araketu. É o outro lado da festa, o carnaval visto ‘de baixo’”.

Ramos participou da montagem da peça, mas, segundo Monique, depois de ea ter assistido. “Ele se considera parte do Bando”, conta ela. É simplesmente o oitavo filme que conta com ele e com Wagner Moura no elenco - este ainda tem Dira Paes e Stênio Garcia, os únicos não-baianos do elenco.

Entre Benjamin e Ó Paí, Ó, Monique Gardenberg estreou como diretora de teatro. Dirigiu Os Sete Afluentes do Rio Ota (2002) e Baque (2005). “Isso foi fundamental. Dirigi 15 atores em Afluentes e isso deu os instrumentos para lidar com um grande elenco e trabalhar os números musicais”, avalia. “O teatro é onde você exercita a direção de atores com mais plenitude. Você tem mais contato com os atores e meos com a equipe técnica. No cinema, é o contrário”, brinca.

Monique é baiana de nascimento. Sua família se mudou do estado com 4 anos, mas esperava o ano inteiro pelas férias em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo Baiano. Voltou a morar na Bahia, mas em Salvador, aos 13 anos. “Foi quando passei a freqüentar o carnaval baiano”, lembra. Captar essa efervescência é o trunfo para, com suas 100 cópias, enfrentar a 500 de 300 no Brasil. “É divertido, mas ao mesmo tempo emociona”.

ESTRÉIA/ 'DREAMGIRLS - EM BUSCA DE UM SONHO'

 

Supremes 'reloaded'

 

Renato Félix

 

Nos passos de Chicago (2002), outro musical lendário da Broadway chegou às telas no ano passado: Dreamgirls - Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, Estados Unidos, 2006, ***1/2), que estréia hoje em JP. Não ganhou o Oscar de melhor filme, como Chicago, mas teve oito indicações e ganhou os de mizagem de som e de atriz coadjuvante (para a impressionante Jennifer Hudson, uma revelação mesmo).

 

O filme traça a trajetória de um trio feminino de música pop dos anos 1960 (Beyoncé Knowles, Anika Noni Rose e Jennifer Hudson, depois Sharon Leal) que, repaginado e suavizado por um empresário (Jamie Foxx), vai às alturas nas paradas de sucesso - de uma maneira inédita até então para artistas negros. Sempre foi muito claro que este girl group - The Dreams - é disfarçadamente (mas só um pouquinho) as Supremes.

 

No caso, Beyoncé estaria no lugar de Diana Ross e a gravadora que cresce ao redor do trio - a Rainbow Records, no filme - é a Motown. Eddie Murphy (indicado ao Oscar de ator coadjuvante) faz as vezes de James Brown, e Keith Robinson é o compositor pau-para-toda-obra C.C. White (na verdade, Smokey Robinson, criador de sucessos como “My girl”, dos Temptations). Reparem que até uma versão do pequeno Michael Jackson, com os Jackson, 5 aparece - com a adoração por sua Diana Ross também presente.

 

Dreamgirls, o musical do palco, estreou em 1981 e sua versão para o cinema ficou a cargo justamente do roteirista de Chicago. Ele reutiliza o formato das canções que “comentam” o que se passa na história - e não necessariamente avançam a trama como se fizesse parte dos diálogos, como no musical hollywoodiano clássico. Mas, desta vez, como a história envolve artistas que passam mais no palco e não na prisão, a maioria dos números musicais - vários deles muito bons - aparecem como apresentações ou gravações de discos.

 

O filme passa por vários momentos da música dos anos 1960 ao começo dos 1980, como as músicas de protesto e o advento da discoteca. Um espetáculo visual e sonoro que funciona muito bem.

ESTRÉIA/ '300'

 

Em Esparta, menos é mais

 

Renato Félix

 

Histórias de derrotados - mas de derrotados que perdem com dignidade e orgulho, superando em muito suas limitações iniciais, e se tornam inspiradores de algo maior - sempre são material atraente para o cinema. Nos tempos das cidades-estado da Grécia antiga, o rei Leônidas, de Esparta, arregimentou 300 homens para defender os cidadãos da invasão do gigantesco exército persa em 480 a.C. - e , com eles, ajudou a salvar o Ocidente. É a história contada em 300 (300, Estados Unidos, 2007, ), filme de Zack Snyder, baseado na minissérie em quadrinhos Os 300 de Esparta, de Frank Miller.

 

Baseada? Melhor seria: transposta quase quadrinho a quadrinho. Como em Sin City, a Cidade do Pecado (2005), dirigido por Robert Rodriguez e por Miller, o computador ajudou a recriar o visual que o quadrinhista impôs à história, com os ângulos de câmera copiados e a quase totalidade dos diálogos são recitados fielmente, como estão no gibi. Os fãs, claro, ficam em polvorosa.

 

A história real já havia inspirado um filme em 1962, o até então esquecido Os 300 de Esparta. Foi esse filme que inspirou Frank Miller - então, já uma lenda viva das HQs, pelo trabalho que fez em Demolidor, Ronin e, claro, Batman - O Cavaleiro das Trevas, ainda na segunda metade dos anos 1980.

 

Ele “anabolizou” a história, na qual os gregos lutam com unhas e dentes para rechaçar os persas e, para isso, os enfrentam nas Termópilas: um estreito desfiladeiro onde só poucos homens poderiam passar de cada vez e, assim, as coisas se tornavam um pouco mais equilibradas.

 

Se o filme foi o mais fiel que pôde aos quadrinhos,  por tabela acabou mudando certas coisas em relação à história real. Por exemplo, o visual dos personagens, como o do rei persa Xerxes (Rodrigo Santoro, como você já deve saber), que não deve de forma alguma ter sido careca e cheio de piercings como na obra de Frank Miller. Assim como os soldados espartanos provavelmente não guerreavam quase nus (e, nos quadrinhos, nus mesmo).

 

Licenças poéticas à parte, 300 estreou em primeiro lugar na bilheteria americana e sua rentabilidade é boa, abrindo com mais de US$ 70 milhões arrecadados no primeiro fim de semana - considerando que o orçamento ficou em torno dos US$ 60 milhões, o filme já se pagou.

 

O custo fica bem abaixo da média das superproduções de Hollywood, que há muito já ultrapassam os US$ 100 milhões. A razão, certamente, passa pela economia com cenários e locações, já que o filme foi quase totalmente rodado em frente à tela azul, com os fundos e os “figurantes” adicionados digitalmente depois.

 

Snyder vinha de uma releitura moderninha sobre zumbis, o fraco Madrugada dos Mortos (2004) e, aqui, é roteirista ao lado de Kurt Johnstad e Michael Gordon. Esteve no Brasil com seu protagonista, o escocês Gerard Butler e com Rodrigo Santoro, para lançar o filme por aqui com alarde. É a grande chance de Butler como protagonista - antes, fez tranqueiras como Drácula 2000 (2000) e Reino de Fogo (2002).

 

As primeiras críticas internacionais foram positivas, mas há notas dissonantes. Xerxes, justamente o personagem de Santoro, é citado como um retrato caricato demais do imperador persa - no filme, em pouco mais do que um covarde afetado. O próprio Santoro, como ator, tem escapado, mas até o governo do Irã já declarou seus protestos.

 

Também já se afirmou que 300 incorre no mesmo erro de Sin City: o fanatismo pela fidelidade na adaptação prejudicou a narrativa, com narrações em off demais. Nos quadrinhos, a verborragia de Frank Miller quase sempre funciona, mas no cinema é redundante - para dizer o mínimo. Mas quem adora o que Frank Miller fez nos quadrinhos, deve mais é vibrar a cada palavra que coincida na tela.

ESTRÉIAS DA SEXTA


- Dreamgirls - Em Busca de um Sonho: O musical que recria a trajetória do trio de cantoras negras The Supremes - aqui "disfarçado" como The Dreams. O elenco tem Beyoncé Knowles fazendo as vezes de Diana Ross, Edddie Murphy numa versão de James Brown e mais Jamie Foxx, Danny Glover e a revelação Jennifer Hudson, que ganhou o Oscar de coadjuvante.

 
- Ó Paí, Ó: Da diretora Monique Gardenberg, a mesma de 'Benjamin', o filme é uma comédia que se passa em Salvador, no carnaval. A síndica de um cortiço corta a água dos condôminos porque não gosta da farra deles na folia. Com Lázaro Ramos, Wagner Moura e Dira Paes.


- 300
: A essa altura, todo mundo já sabe. É o épico sobre a batalha de 300 soldados de Esparta contra uma infinidade de persas, na qual Rodrigo Santoro faz o imperador persa (com voz modulada e efeitos especiais para parecer maior). Quase todo com cenários digitas, para repetir fielmente o visual da minissérie em quadrinhos de Frank Miller.

- Turistas: Sim, é ele. O filme de tortura física (como Jogos Mortais ou O Albergue) em que jovens americanos no Brasil são seqüestrados e têm ses órgãos roubados.

CAROLA MESMO
Boas novas: a Carolinha voltou a escrever com mais freqüência no Há Controvérsias!. E com historinhas saborosas dela mesma - começando pela fatídica visita de Luciano Huck! PS: As palavras 'novas' e 'carolinha' não estão aqui à toa...
CINEMA É NO CINEMA
No Usando o Caos para Chegar à Ordem, um brilhante texto do Daslei sobre as razões para continuar indo ao cinema, mesmo com um maxi-mega-plus home theater em casa (No post "Acabo de entrar para a solidão a cabo?). Ele defende, como eu defendo, o cinema como uma experiência coletiva por excelência e que as condições da sala escura são inimitáveis em casa. E com a verve que lhe é característica.
MOÇA-DE-AÇO

Parece que está mesmo nos planos da Warner um novo filme da Supermoça. Houve um em 1984, com a loirinha Helen Slater no papel, lembram? Não, claro que não. Então, olha aí.

A informação do site americano Jo.Blo.com, devidamente repercutida aqui pelo Omelete e pelo Universo HQ, é que já estão pensando na atriz para o papel principal: seria Tricia Helfer, de Battlestar Galactica. Você pode conferir a magreza da moça aqui.

Por aqui, ficamos com o espetacular cartaz teaser da nova produção. Uau!

CRÍTICA/ PONTE PARA TERABITIA

 

Fantasia e delicadeza

 

As comparações com As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005) só existem porque o ponto de partida é semelhante: crianças que vivem um cotidiano triste encontram uma passagem para um mundo encantado. Mas o que se faz a partir dessa premissa em Ponte para Terabitia (Bridge to Terabitia, Estados Unidos, 2006) é muito diferente.

 

O filme do húngaro Gabor Csupo, baseado no livro de Katherine Paterson, começa mostrando o cotidiano sem cor de Jesse (Josh Hutcherson), um garoto que tem problemas com meninos maiores na escola e, em casa, não se sente adaptado à família, que passa por dificuldades financeiras. As únicas coisas que faz por prazer é desenhar e correr.

 

Até que na escola aparece Leslie (AnnaSophia Robb), que corre tão bem quanto ele e tem um dom para as letras. E também é considerada esquisita. Eles também são vizinhos e a amizade que nasce entre eles os leva a buscar um refúgio no bosque perto de casa. Um lugar só deles, onde enfrentariam perigos e encontrariam criaturas fantásticas. E onde valentões podem ser derrotados e não há professores severos. E assim surge Terabitia.

 

Leslie ajuda Jesse a ver esse novo mundo e os dois solitários encontram seu refúgio diário depois da aula. Mas, quando você tem 10 anos, sempre existe um novo dia na escola. E as aventuras em Terabitia os fazem ter novas atitudes para lidar com os valentões da escola.

 

É a grande qualidade do filme: se concentrar no drama das duas crianças e no laço de amizade que muda suas vidas. Além disso, Terabitia é filmado com muita delicadeza, possui roteiro firme e conciso, e dois protagonistas ótimos (AnnaSophia é luminosa e Hutcherson, um grande ator), com uma coadjuvante que rouba algumas cenas: Bailee Madison. Uma conjunção muito feliz.

MÔNICA AOS 15

Histórinhas da Turma da Mônica são sempre um prazer ler. Tanto nos gibis quanto... na internet!

Ou vocês não sabiam que tem um monte delas no site da Mônica? Uma nova está em andamento, com uma página liberada por dia: Os Adolescentes. Olha só a versão da turminha nos seus, digamos, 15 anos:

E tem uma mais antiga que é um barato, uma mistura de Os Saltimbancos com os Beatles. Os Quatro Músicos:

Não ficaram bonitinhos vestidos de bichos? O Cascão está uma impagável com esse bico falso! É só clicar nos links pra ler.

CRÍTICA/ 'MÔNICA 3'

 

Na sala de aula

 

Na história aparece meio como se o fato tivesse estado sempre ali. Mas não se engane: depois de anos de especulação a respeito, finalmente a turminha mais famosa do país vai à escola, no número 3 da nova série da revista Mônica (Panini, 84 páginas, R$ 3,90).

 

As edições de março do gibi já estabeleceram como tradição a comemoração do aniversário da dentucinha - mesmo que, por essas coisas que só os quadrinhos podem oferecer, ela sempre faça a mesma idade. Pois a capa já anuncia: “aniversário na escola”. Por muitos, os leitores mais crescidos se perguntavam por que os personagens não apareciam em sala de aula - quando o Chico Bento, presumivelmente da mesma idade, já faz isso há anos.

 

Maurício de Sousa sempre respondia que já tinha planos de levar Mônica e seus amigos para a escola, mas só agora o estúdio parece ter se sentido preparado para esse novo passo nesses gibis. Não é um passo qualquer, já que significa incluir seus personagens regularmente em outro ambiente, observando normas chatas do politicamente correto, com as quais Maurício já se preocupa há tempos (aliás, um diálogo invocado isso é especialmente engraçado).

 

A saída para explicar na HQ por que só agora a turminha vai à escola foi acertada: não explicar nada. Assume-se, num pequeno flashback dos pais da Mônica, que eles sempre foram, desde o jardim de infância. E isso só não foi mostrado (mas os roteiristas do estúdio já disseram que deve haver uma história contando como foi o primeiro dia).

 

Vale destacar, também, a bela capa, que, como todas as outras das revistas de linha da turma na Panini, está bem trabalhada e linda.

O DESEJO SEGUNDO DEBORAH COLKER

Um dos maiores nomes da dança contemporânea no mundo, a coreógrafa brasileira traz o espetáculo ‘Nó’ a João Pessoa nesta terça e quarta, disposta a pensar grandes questões da humanidade

 

Renato Félix

 

O ser humano é movido por seus desejos e a submissão ou não a eles. Esse é o ponto de partida de , espetáculo da Cia. de Dança Deborah Colker que será apresentado terça e quarta-feira no Teatro Paulo Pontes, às 21 horas. Espetáculo que é, na própria opinião da coreógrafa, um divisor de águas em sua trajetória. “Ele me leva para um caminho novo”, afirma Deborah, do Rio, de onde conversou por telefone com o repórter do JORNAL DA PARAÍBA. “Eu vinha discutindo a relação movimento-espaço. Agora, eu tô trazendo um pouco a fi losofi a à condição humana, à existência humana. Cada vez mais eu tô interessada por isso: as grandes perguntas, as grandes questões humanas”.

 

O cenário do 1º ato traz uma grande “árvore” de 120 cordas amarradas, que se descortina em uma floresta de cordas. Para Deborah Colker, a corda (e, por extensão, o nó) é um símbolo do desejo. “A corda é um objeto fetichista”, explica a coreógrafa. “Há as amarrações eróticas, mas ela está carregada de várias metáforas: morte, no suicídio; força, com a corda que doma um cavalo, puxa um navio, e o nó de marinheiro, que sustenta um corpo; há a corda do instrumento; e pode ser uma extensão do corpo”.

 

Ela alerta que os desejos mostrados no palco através da dança são, às vezes, os inconfessáveis. “Esse espetáculo não fala do desejo de tomar sorvete ou ir à praia. É o desejo primitivo - por vezes, até proibitivo”. O tema continua no segundo ato, com uma enorme caixa transparente em cena. “Todos querem entrar dentro da caixa”, conta Deborah.

 

 

Relação entre movimento e espaço marca os espetáculos da coreógrafa

 

“O desejo amarra e solta, aprisiona e liberta, é violento e também pode ser delicado”, diz Deborah Colker. Desenvolvendo esse tema em , ela permanece buscando novos desafios cênicos. Em Velox, era uma parede de escalada, em Rota, uma roda  gigantesca, em 4 por 4, vasos espalhados pelo palco. “E tenho esse fascínio de botar o movimento frente ao espaço e o espaço frente ao movimento. Para cada espaço novo, eu tenho uma resposta de movimento”, conta.

Mas ela diz que o diferencial, agora, é a carga ainda maior de conteúdo que traz. “A arte, por mais sofisticada que ela seja, tem a função de se comunicar com as pessoas”, afi rma. “Em todos os espetáculos, procuro ser movida pelas idéias”.

 

O sucesso e o respeito levou Deborah Colker a extrapolar as fronteiras da dança contemporânea. Por três anos, ela coreografou a comissão de frente da Mangueira, e por mais três a da Viradouro. Ano passado, foi convidada para desenvolver um espetáculo na Alemanha, sobre a Copa - surgiu Maracanã. Está estudando os convites para dirigir o Cirque du Soleil e criar uma coreografia para o Pan.

 

É o reflexo do talento da coreógrafa e seus dançarinos, mas, também, de muito trabalho duro. A companhia, patrocinada pela Petrobras, ensaia 7h45 por dia no Centro de Movimento Deborah Colker, escola montada há dois anos no Rio e novo xodó da coreógrafa, e mantém três espetáculos simultâneos: , em turnê no Nordeste; Dínamo (a união de Maracanã e Velox), no Sul; e Rota, para a Europa.

 

E reflexo, também, da relação com o público. “Artista que não se preocupa com o público devia fi car em casa”, dispara. “O espetáculo que vocês vão ver é exatamente o mesmo que fi cou 50 dias no Reino Unido. E a gente sempre volta porque respeita o público. É igual plantinha: a gente conquista e tem que fi car regando...”

 

. Da Cia. de Dança Deborah Colker. No Teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa – tel.: 3211.6280), terça e quarta, às 21h. Únicos dias. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

 

*Publicado no Jornal da Paraíba, de domingo.

 

 - E quem perder é mulher do padre!

CRÍTICA/ 'NORBIT'

 

Uma piada só

 

É óbvio que toda a carreira de Martin Lawrence parece espelhada em Eddie Murphy, mas agora o discípulo inspirou o mestre. Se Lawrence foi duas vezes a Vovó... Zona,  Murphy agora é a gigantesca Rasputia em Norbit (Norbit, EUA, 2007), onde também faz o papel título (e mais um: o de um velho chinês).

 

Os papéis múltiplos já vêm sendo exercitados pelo comediante desde Um Príncipe em Nova York (1988) e O Professor Aloprado (1996) e a técnica de interação entre eles continua perfeita. Mas desta vez está a serviço de uma história bem mais fraca, toda baseada em uma única piada: a desproporcional e brutal esposa e seu maridinho frágil.

Algumas vezes, ela até funciona, mas na maior parte do tempo o filme é rotina. Ainda há o mérito de que o diretor Brian Robbins foi até moderado na grosseria, diante das possibilidades que se apresentavam. Mesmo assim, Eddie Murphy já fez coisa melhor.

CRÍTICA/ 'LETRA E MÚSICA'

 

Filme para ouvir

 

Claro que um dia a nostalgia oitentista iria chegar ao cinema. Aliás, já havia chegado, em filmes como Afinado no Amor (1998) e Donnie Darko (2001), mas estes se passavam nos anos 1980. Letra e Música (Music and Lyrics, EUA, 2006) parte da situação de Alex Fletcher (Hugh Grant), um esquecido ídolo de um grupo do período que hoje sobrevive da antiga glória, aproveitando a onda nostálgica.

 

Aí, ele é convidado para compor um sucesso para uma cantora em alta e precisa de uma letrista urgente - acaba a encontrando em Sophie (Drew Barrymore), a moça que rega suas plantas. Ao lado da comédia romântica tradicional, reinam deliciosas referências à música pop de hoje e de ontem, - como quando Fletcher diz que verdadeira poesia é como a letra de “My girl”, dos Temptations, ou nos clipes engraçadíssimos de “Pop goes my heart” (no estilo oitentista) e “Budda’s delight“ (de hoje).

 

Com o tempero dos diálogos espertos do também roteirista Marc Lawrence, que segue fielmente o estilo consagrado em outros filmes com Grant. É o que dá sempre certo com o ator, não tem jeito. Parece até que ele tem sempre o mesmo roteirista!

 

Aliás, Grant não faz feio como cantor.  E nem tem medo do ridículo - sobrevivendo até ao visual new wave de “Pop goes my heart”.

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