DIÁRIO CARIOCA - DIA 4

DIA 4, QUINTA

Na noite da quarta, fui ao apartamento da Socorro, no comecinho de Copacabana. Na quinta, fiz uma expedição no bairro até a Modern Sound. Já tinha andado bastante na Barata Ribeiro e na Nossa Senhora de Copacabana na terça e na quarta. E foi um prazer e tanto reencontrar o Rio da Zona Sul. A quantidade incrível de velhinhos na rua. O paraíso da banca de jornais - uma em cada esquina! Comprar O Globo e o JB direto lá (aqui nem deve ter graça assinar jornal). Uma loja de suco pra onde você olha. Que beleza!

Depois da Modern Sound (caaaaaaaara!), fui procurar uma Americanas que eu tinha visto nos dias anteriores pra comprar uns DVDs que achei. Andei um bocado na Barata, até me dar conta de que ela ficava mesmo é a N. Sra. de Copacabana. Quando passei pra rua certa e continuei andando, comeceui a achar que não estava mais reconhecendo as fachadas (melhor: ora reconhecia, ora não). dei de cara com o charmoso cinema Roxy ("como eu não tinha visto antes?", pensei) e só parei quando cheguei ao Arpoador! Aí, me dei conta de que talvez tivesse passado as Americanas...

Bom, aí peguei um ônibus de volta e fui para o Rio Sul, onde marquei com a Socorro, pra comprar os DVDs na Americanas de lá e umas roupas (porque não vim prevenido para essa esticada).

Mas beleza, comprei uns três DVDs duplos na faixa dos 20-25 reais, fora outras pechinchas.

DIÁRIO CARIOCA - DIA 3

 

DIA 3, QUARTA

Nos ofereceram dois dias pra ficar, para acompanhar a gravação do clipe do Nassiri (aliás, se está curioso para saber como é a música dele, é só clicar aqui). Aquela coisa: criancinhas e o Pão de Açúcar ao fundo. Pelo menos, deu pra papear mais com os colegas de imprensa (coisa que não deu pra fazer da outra vez que eu vim, em novembro, num evento da Petrobras).

Pela manhã, tomei a decisão: mudar minha passagem e ficar até segunda. Dei uma escapada, peguei um metrô até a Cinelândia e resolvi tudo na agência da TAM, pagando 40 reais. Depois, peguei um ônibus até a praia de Botafogo e encontrei o pessoal na gravação. Comuniquei à Socorro (que tinha se oferecido pra me hospedar), à minha mãe à minha namorada da mudança de planos), ficamos mais um tempinho ali, e depois fui ao Estação assistir a Pecados Íntimos e me esbaldar na lojinha de cinema que fica lá.

PS: Pecados Íntimos é bom, mas estranho. Está mais para a tragicomédia sobre adultos que agem como crianças quando se tratam dos seus relacionamentos. Tem Kate Winslet, esplêndida e linda, e Jennifer Connelly (para quem "linda" é cada vez mais um eufemismo medíocre).

DIÁRIO CARIOCA - DIA 2

DIA 2, TERÇA

Na primeira noite, chegamos ao hotel muito tarde. Então, não fizemos nada - eu mesmo só fui até o outro lado da rua, no calçadão, com os dois acreanos. O hotel, na Avenida Atlântica, foi o Luxor Regente. Não sei se é quatro ou cinco estrelas, mas me pareceu mais chique que o Glória, onde fiquei em novembro (evidentemente, também com tudo pago por quem promovia a coletiva de então), embora sem o mesmo charme.

O quarto foi o 502, de frente pro mar. A vista, uma beleza (como vocês podem conferir, Pão de Açúcar, de costas, ao fundo). O hotel fica no posto 5, quase no Arpoador, já. O quarto, com uma ótima cama de casal, mas pouco útil para quem viajou sozinho.

A entrevista estava marcada para as 11 horas, em outro hotel próximo, ainda mais chique. A questão é: perguntar o quê ao de Nassiri. Bom às apresentações: Nassiri é um bilionário iraniano que - segundo ele - tem mais dinheiro do que pode gastar, daí resolveu estudar filosofias e religiões e entrou numa cruzada pela paz através da música: compôs músicas, as gravou e agora está gravando um videoclipe com imagens de vários países (com criancinhas em frente a seus cartões postais) e divulgando o trabalho. O nome do disco é Love Sees No Color.

Na entrevista, falou-se muito de buscar a paz e bem pouco sobre qualquer possível atributo artístico do camarada. mas, enfim, fizemos nosso trabalho: perguntamos e depois saímos pensando em que diabo de texto escreveríamos (o meu sai amanhã no Jornal da Paraíba). A programação ainda teria o acompanhamento opcional de uma visita de Nassiri à Rocinha.

Mas, sinceramente? Tinha que encontrar a Socorro e pegar A Rainha no cinema depois! Aliás, que filme bom! Na medida: nem mais, nem menos da conta da dramaticidade e a sensação estranha de ver personagens vivos retratados na tela, num caso tão recente. E a Helen Mirren, uma deusa, simplesmente. Finalmente, está tendo o reconhecimento que merece há, pelo menos, uns 25 anos.

DIÁRIO CARIOCA
DIA 1, SEGUNDA
Bom, na verdade, do dia -3 ao 1: Eu estava muito tranqüilo indo para a casa dos pais da Lalá em Patos, em plena curtição das férias. Quando, saindo da zona fantasma da estrada, na qual o celular não pega, tem uma 25 ligações lá de casa e outras 10 de um número do Rio. Ligo pra casa: é a assessoria que convidou o JP para uma coletiva no Rio de um sujeito de quem nunca tinha ouvido falar. Tinha ficado combinado que, mesmo de férias, eu iria, já que o jornal não poderia mesmo mandar mais ninguém. E, pô, é o Rio. Mesmo por dois dias valeria a pena.

Enfim, eles estavam ligando para confirmar a passagem... para segunda! Não bastasse isso, quando vejo no e-mail a confirmação da passagem, o vôo não seria à noite - como tinham me informado -, mas às 15h! Ainda bem que já tínhamos resolvido voltar de Patos no domingo à tarde, mas, mesmo assim, foi uma correira a segunda de manhã, com a sessão de tortura, digo, com a academia e mais outras coisas pra resolver. Cheguei em casa em cima da hora, joguei um monte de coisa na mochila e corri para o aeroporto.

No Galeão, à noite, fui o primeiro dos jornalistas a chegar. Logo deposi, chegaram o Andreh e a Paula, de Fortaleza (de 'O Estado' e 'O Povo'), o Yuri, de Natal (do 'Diário'), a Renata e seu fotógrafo, de Rio Branco (do 'Página 20'), a Marta, de Campo Grande (de 'O Estado de MS'). A maioria tinha sido pêga de surpresa com o horário, também.

Na mesa, enquanto esperávamos outros chegarem, a pergunta era a mesma: alguém já ouviu falar nesse tal de Nassiri?
CRÍTICA/ 'A CONQUISTA DA HONRA'

 

O heroísmo em xeque

 

Os dois filmes que Clint Eastwood dirigiu ano passado sobre a batalha de Iwo Jima têm sido apontados como dois lados da mesma moeda – mas até isso é menosprezar o impressionante talento do homem. A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, Estados Unidos, 2006), o lado americano, não é meramente o mesmo filme em negativo de Cartas de Iwo Jima (2006), o lado japonês. São filmes com abordagens diferentes.

 

Cartas de Iwo Jima (que deve estrear na semana que vem, se tivermos sorte) parte de cartas dos soldados japoneses para casa quando retrata os temores, as dores e o código de honra nipônico no conflito. A Conquista da Honra tem seu ponto de partida numa foto – a famosa imagem de cinco fuzileiros e um médico da marinha erguendo a bandeira americana – e na trajetória de três soldados que ficaram famosos por causa dela.

 

O que Eastwood faz, na verdade, é a demolição de um mito, ao mostrar que a colocação daquela bandeira no morro naquela ilha do Pacífico não significou vitória alguma – até porque a imagem aconteceu logo que os americanos chegaram ao local e muita batalha ainda estava por vir.

 

Três dos homens que a ergueram morreram ainda em Iwo Jima. Os outros três foram mandados para casa, para percorrer o país em uma campanha para incentivar a doação de bônus de guerra. E, nesse ponto, o filme alterna os demônios pessoais dos soldados – que são tratados como heróis, mas que sabem que não fizeram nada mais do que outros combatentes que ainda estavam na ilha, além de erguer uma bandeira – com a manipulação de informações do governo para não deixar a campanha por dinheiro esmorecer.

 

Eastwood não conta tudo isso de maneira linear – e, assim, nos poupa de uma longa série sem fim de tiroteios na linha de combate. A narrativa do diretor vai e volta no tempo, quase sem aviso, pulando entre a ação americana na ilha, a turnê pelos bônus e o tempo presente, onde o filho do médico escreve o livro que acabou originando o filme. É levemente ousado, mas não vai confundir o espectador com um mínimo de atenção ao filme.

 

É mais um ótimo Clint Estwood em fase magnífica de sua carreira como diretor, que já foi tão cheia de altos e baixos. E dizem que Cartas de Iwo Jima é ainda melhor do que A Conquista da Honra...

 

A Conquista da Honra. Flags of Our Fathers. Estados Unidos, 2006.  ****  Direção: Clint Eastwood. Elenco: Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach.

CRÍTICA/ 'À PROCURA DA FELICIDADE'

 

Inevitável pieguice

 

Seria mesmo pedir demais que Hollywood resistisse à tentação de não filmar a história real de Chris Gardner. A questão é: se a própria história em que se baseou À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, Estados Unidos, 2006) é sentimental ao extremo, ser melodramático é um defeito ou uma qualidade do filme?

 

Difícil dizer. Difícil imaginar por que outro caminho a trama de um sujeito falido (Will Smith), abandonado pela esposa (Thandie Newton) e com um filho pequeno para criar (Jaden Smith), que aposta todas as fichas num programa de estágio para corretores da bolsa – mesmo não remunerado, acarretando mais dificuldades financeiras (pai e filho chegam a passar noites em abrigos para sem-teto e em um banheiro do metrô). Tudo com a esperança de conseguir um bom emprego no futuro. É aquela coisa: a busca do sonho, acima de tudo.

 

É o sonho americano, aquela história de “nesta terra, qualquer um pode chegar lá”? Em parte é, mas por outro lado, não deixe de olhar para a gigantesca fila do abrigo e veja que o caso de Chris Gardner não é tão comum assim.

 

Will Smith está indicado ao Oscar pelo papel, e ele realmente o defende com unhas e dentes. E precisa, porque o diretor italiano Gabriele Muccino não se esforça muito para reduzir o caráter melodramático do filme. Inclusive, se apóia como pode no pequeno Jaden, que é mesmo filho de Will Smith. O garoto é encantador e demonstra personalidade.

 

À Procura da Felicidade não foge de fórmulas, nem é ousado. Mas pelo menos tem dois bons atores que sustentam o filme inteiro. E se é para ser edificante, pelo menos há a desculpa de que tudo se trata de uma história real.

 

À Procura da Felicidade. The Pursuit of Happyness. Estados Unidos, 2006. Direção: Gabrielle Muccino. Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton.

MAIS DOIS PRÊMIOS

Rapidíssimo porque tenho uma viagem para o Rio daqui a pouquinho:

1 - Saiu a premiação do Sindicato dos Roteiristas. E adivinha? Pequena Miss Sunshine ficou com o prêrmio de roteiro original e Os Infiltrados com o de roteiro adaptado. Considerando, mais uma vez, que todos os membros desse sindicato são também membros da Academia, vai ficando cada vez mais provável que a disputa será mesmo entre esses dois filmes.

2 - O Bafta - prêmio da Academia Britânica - também saiu e o melhor filme foi o (britânico) A Rainha. Os atores favoritos ao Oscar também tiveram sua prévia aqui: Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia), melhor ator; Helen Mirren (A Rainha, atriz); Jennifer Hudson (Dreamgirls), atriz coadjuvante. O de melhor ator coadjuvante não foi pra Eddie Murphy, mas para Alan Arkin em Pequena Miss Sunshine (será que ele tem chance no Oscar?). O melhor diretor foi... não, não foi Scorsese. Foi Paul Greengrass, por Vôo United 93.

3 - Aliás, Ana Maria Bahiana conta que a estréia no novo filme de Eddie Murphy, a grossíssima comédia Norbit, bem nas semanas em quem os acadêmicos estão se decidindo pode atrapalhar a corrida do comediante ao Oscar. O filme é sucesso de bilheteria, mas podiam ter esperado mais um pouquinho, né, não?

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