DUAS HISTÓRIAS DO CHICO BENTO

O aspecto meio industrial das revistas da Turma da Mônica - são seis revistas mensais - não permitem histórias sempre acima da média (afinal, como eu sempre digo, ninguém é gênio todo dia). Mas hoje eu li duas lindas, graças à comunidade da Turma da Mônica no Orkut. As duas tratam da irmãzinha do Chico Bento. A segunda, em especial, foi escrita pelo sempre gente-fina Paulo Back e termina com essa cena maravilhosa aí de cima: Chico e Rosinha adultos e casados, com uma filhinha. As duas estão no site da Mônica: Uma Estrelinha Chamada Mariana O Presente de uma Estrelinha.

CIRCUITO DOS BLOGUES

Faz tempo que não faço o circuitão dos blogues. Vejamos o que anda sendo escrito por aí:

- No blog da namoradinha mais linda deste e de qualquer mundo, a torcida dela para Pequena Miss Sunshine no Oscar: "Passei a vida inteira ouvindo uma cantada barata em que diz que nos 'menores frasquinhos estão as melhores fragrâncias'. Pois bem, hoje uso essa expressão tão manjada para falar de algo extremamente original e belo: Pequena Miss Sunshine, filminho americano de baixo orçamento, indicado ao Oscar esse ano". (23/1)

- Diana, no imperdível e de fôlego Maldito Mal-Escrito (novidade em breve na listinha aí ao lado), reflete sobre a arte de ler no século 21 (além de outra porção de coisas) direto da Espanha: "Se na última década se produziu mais informação do que nos anteriores 5.000 anos de história, tenhamos bom-senso para poupar a humanidade de nossas irreflexões e vaidade intectual. Será mais fácil a vida quando a auto-crítica passar a censurar os atentados à mínima inteligência alheia". (10/1)

- O Longe Daqui comemora a chegada da neve em terras britânicas.

- A última do Parem as Máquinas é dizer que a TV Tambaú entrou na onda do jornalismo trash do You Tube, com a entrevista de uma mulher acusada de arrombamento: "Ela confessa risonhamente o crime e ainda se sai com outros arroubos humorísticos". (31/1)

- A querida Ione lá nos States... Agora como voluntária da Cruz Vermelha (ou "Cruz Vermeia", como ela chama, pra evitar que as pessoas que usem o Google pra conseguir informações sobre a instituição acabem dando no blog dela), ela tenta imaginar como preencher suas seis emocionantes horas, entre colocar endereços em convites, passando fax, pegando foto na internet ou digitando lista de contatos: "Tem esse telefone lá, ele apita e pisca luzinhas quando alguém está me ligando de outro telefone no escritório. Aí era minha chefe e, tipo, o telefone é tão especial e mágico que eu sei que é ela, porque a luzinha do ramal dela pisca luzinhas pra mim. E eu disse 'alô'. Mas 'alô' não era suficiente, porque eu tenho que dizer 'Cruz Vermeia, RP'. Juro pra você. Da segunda vez que ela me ligou, eu disse 'Cruz Vermeia'. E ela ressaltou que eu tinha que dizer RP. E eu, tá. Ela ligou de novo e eu disse as palavras mágicas, mas eu quase disse também 'oi, você sabia que eu sei que é você me ligando? e que o seu telefone também faz as mesmas mágicas? E que se eu sei que é você e você sabe que você está me ligando, então eu poderia somente dizer 'alô''? Mas não. Então eu salvo vidas dizendo 'Cruz Vermeia, RP' também". (25/1)

- Lá em Monteiro, a Magali se derrete pelo Jude Law em O Amor Não Tira Férias"Rapaz, o viúvo feito por Jude Law é a perfeição em pessoa. Um homem exatamente como não existe em lugar algum do universo. O sorriso, o sotaque, o bom humor, o peito peludo, o tom de pele, os olhos... E aquela declaração de amor, o que foi aquilo? Ah, fala sério! Se é pra sonhar com coisas impossíveis, sonho logo com a mais impossível de todas!" (16/1)

- Em Recife, a Mariana deu uma sumida do blog. A causa é mais do que nobre: a chegada do amor dela, Leo, que mora longe. "O Preto chegou atrasado, da sexta 12 para o sábado 13, e de lá pra cá temos nos reacostumado um ao outro, tentado resolver questões de trabalho dele, e visto um pouco do que é o Recife". (29/1)

- O Juneldo há tempos não aparece no Caderno 2. Mas deixou um texto interessante sobre inutilidades tecnológicas e o direito de ser simples: "Eu quero apenas um celular para falar, que pode ser um modelo não tão avançado. Aí a vendedora me diz que o novo modelo da marca tal vem com uma capa em couro, um fone de ouvido, 150 níveis de volume, discagem inteligente por comando de voz, um chip com sistema de bloqueio que permite apenas chamadas feitas pelo dono do aparelho". (1/1)

- A Alana não escreve no Flores do Mais há (desculpem o trocadilho) mais de um mês. Mas estão lá fotinhos de Acossado, uma pequenina declaração de amor ao filme do chato do Godard (mas esse filme é bom mesmo).

- O André presenteia os leitores de seu blog com um novo miniconto. Este é o comecinho: "Acordou com a sensação incômoda de estar sobrando no apartamento. Os músculos doíam, respirava com dificuldade. Abriu lentamente os olhos, fez um gesto de levar a mão ao rosto, mas o braço nem sequer se mexeu: estava entalado no corredor, os dedos roçando a minúscula porta do seu quarto". (31/1)

O circuito continua...

OLHAÍ, PHILIO!
Pô, finalmente!
ANTES DA FAMA (MAS NEM TANTO)

Falando em Abigail Breslin, aposto que vocês não lembram dela em Sinais (2002). Olha ela aqui:

Tudo bem, porque eu também não lembrava. Tem uma matéria muito boa sobre ela aqui.

O SOL BRILHA PARA MISS SUNSHINE

Amanhã começa pra valer o "segundo turno". Os envelopes para os acadêmicos votarem nos indicados ao Oscar começam a ser enviados. E como anda a disputa até agora?

O blog da Ana Maria Bahiana dá uma luz e diz mais ou menos o que eu penso também. Fala, por exemplo, que quando a temporada pré-Oscar começou, todo mundo apostava em A Conquista da Honra, do Clint Eastwood, e no musical Dreamgirls - e agora os dois estão fora do páreo.

Eastwood acabou sabotando ele mesmo, porque Cartas de Iwo Jima, o outro filme que fez sobre o mesmo assunto (o ponto de vista japonês sobre uma batalha decisiva da II Guerra) foi considerado por todo mundo superior a A Conquista da Honra, que é o ponto de vista americano. Mas, até porque é falado em japonês, acaba tendo chances reduzidas, mesmo indicado a melhor filme.

Aí, ontem saíram os SAG - os prêmios do Screen Actor's Guild (ou Sindicato dos Atores de Cinema). Lá é assim: os sindicatos também fazem suas premiações: produtores, diretores, roteiristas, atores... Só que o setor de atores é de longe o maior da Academia: 1 277 integrantes contra 375 dos diretores, o segundo maior, num universo de 5 830 acadêmicos (como conta a Ana Maria). Ou seja, se os atores fecharem com um filme, é muito difícil que ele não ganhe o Oscar.

Essa é uma das explicações que tem mais fundamento para, por exemplo, explicar a surpreendente vitória de Crash - No Limite (2005) no ano passado. É um filme que privilegiava o elenco e os atores votaram em peso nele.

Pois quem ganhou o principal prêmio do SAG - o de melhor elenco - não foi o antes mero azarão Pequena Miss Sunshine? Com Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carrell, Paul Dano e os indicados ao Oscar de codjuvante Alan Arkin e Abigail Breslin (de dez anos de idade), o filme já tinha surpreendido todo mundo ganhando o prêmio do Sindicato dos Produtores.


Greg Kinnear, Alan Arkin e a pequena Abigail Breslin recebendo o prêmio do Sindicato dos Atores de Cinema, ontem

Com a premiação no SAG, de quase carta fora do baralho (Ana diz que as justificativas eram de que ele seria "pequeno demais", "estreou no primeiro semestre e ninguém se lembra mais dele", e é "tipo Sundance"), Pequena Miss Sunshine vira um concorrente para ser levado a sério na disputa pelo Oscar, podendo surpreender os favoritos Os Infiltrados e Babel.

Aliás, Ana aponta Babel como a terceira força nessa briga (a despeito de ele ter vencido o Globo de Ouro de filme dramático). Ela diz que é o que sente na "ala dos oráculos onde põe mais fé". Ainda não vi Babel (já estreou no Brasil, mas segue inédito por aqui), mas sinto cheiro de Crash no ar: um filme pretensioso demais, com resultado de menos. Não sei, espero estar enganado, claro.

Mas talvez essa sensação seja pela minha torcida cada vez maior por Pequena Miss Sunshine e também por Os Infiltrados, que sempre houve. Mas aqui me contento com a estatueta de diretor para Scorsese.

Em tempo: o SAG confirmou todos os favoritos para os prêmios de atuação. Forrest Whitaker ganhou como ator (por O Último Rei da Escócia), Helen Mirren como atriz (por A Rainha), Eddie Murphy e a revelação Jennifer Hudson como coadjuvantes (por Dreamgirls) - um xerox do Globo de Ouro. Qualquer alteração aqui será uma surpresa no Oscar.

ALERGIA?

Incrível! É só o Nicolau dos Santos Neto entrar em alguma cadeia ou cela da polícia federal e ele fica doente! E tem que voltar para casa para se recuperar... O pobre...

CRÍTICA/ 'PERFUME - A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO'

O cheiro do filme

Alguns cineastas já disseram que o livro O Perfume, de Patrick Süskind, seria infilmável. Pois bem: Tom Tykwer (de Corra, Lola, Corra, 1998) conseguiu, até onde é possível, filmar o cheiro em Perfume - A História de um Assassino (2006), a ótima versão para o cinema do best seller alemão.

A história acompanha a trajetória de Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw), com seu olfato ímpar, que o ajuda a viver na nada agradável Paris do século 18, enquanto tenta uma busca obsessiva pela tentativa de prender e perpetuar os odores - principalmente os das belas mulheres, mesmo que tenha de matá-las.

Com uma ótima reconstituição de época e sem concessões na adaptação do livro, Tykwer consegue mais do que manter a atenção na condução da história - consegue reproduzir visualmente as sensações mais difíceis de serem reproduzidas desta forma. E isso sem o recurso de vistosos efeitos especiais (que geralmente acabam caindo no exagero). O diretor, porém, acerta o tom e, até retira de cena a narração em off de John Hurt quando ela se torna desnecessária.

Perfume - A História de um Assassino. (Perfume - The Story of a Murderer/ Parfum - Die Geschichte eines Mörders/ Le Parfum - Histoire d’un Meurtrier/ El Perfume - Historia de un Asesino). Alemanha/ França/ Espanha, 2006.  ****  Direção: Tom Tykwer. Elenco: Ben Whishaw, Dustin Hoffman, Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Sian Thomas

CRÍTICA/ 'A GRANDE FAMÍLIA - O FILME'

Comédia agridoce

A Grande Família (2006) foi ao cinema refletir sobre a vida. O tom de comédia simples e rápida da série, que funciona com perfeição há seis anos, está mantido no filme de Maurício Farias, mas não o tempo todo. Há também drama no meio da comédia e o tom é, quase sempre, agridoce.

Também pudera. Lineu (Marco Nanini) passa mal e acha que vai morrer. Ele se preocupa com o futuro da família, o que o leva a brigar feio com Tuco (Lúcio Mauro Filho), o filho boa-vida, e Agostinho (Pedro Cardoso), o genro picareta - mesmo que tenha recebido a feliz notícia de que vai ter um filho.

Acaba levando Nenê (Marieta Severo) a sair com um antigo pretendente (Paulo Betti), o que o leva a rever os fatos e ter uma nova oportunidade de corrigir os erros - numa situação meio Feitiço do Tempo (1993). Aí, sobram piadas que brincam com a repetição (ou não) de situações e como uma coisa deságua na outra - mas isso é usado para mostrar várias facetas dos personagens (defendidos com honras por um elenco sempre perfeito) e, de certa forma, fazer um resumão do que é o seriado. O resultado é um passatempo despretensioso, mas que surpreende e deixa saldo bem positivo.

A Grande Família - O Filme. Brasil, 2007.  ***1/2  Direção: Maurício Farias. Elenco: Marco Nanini, Marieta Severo, Pedro Cardoso, Guta Stresser, Andréa Beltrão, Lúcio Mauro Filho, Paulo Betti, Tonico Pereira, Marcos Oliveira, Dira Paes, Mary Sheila, Wagner Santisteban, Keli Freitas.

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