ESTRÉIAS NOS CINEMAS EM JP

- O Céu de Suely - O filme brasileiro foi figurinha razoavelmente fácil em listas de melhores do ano passado. Melhor filme, direção e atriz (Hermila Guedes) no Festival do Rio, tem as paraibanas Zezita Matos e Marcélia Cartaxo no elenco. A história é a da mulher que volta de São Paulo para sua cidadezinha no interior do Ceará, espera pelo namorado - que não volta - e, sem perspectivas, resolve rifar uma noite de sexo com ela como meio de conseguir dinheiro para cair fora dali. Eu vi ontem e, sinceramente, achei um bom filme, mas não essa coca-cola toda, não. Mas vale a ida ao cinema.  

- Filhos da Esperança - É do Alfonso Cuarón, e parece meio pretensioso: a Humanidade fica à beira da extinção quando nenhuma mulher consegue mais engravidar. Mas aí uma engravida e pode ser a salvação da espécie e um ex-casal descobre e deve protegê-la. Tem Clive Owen e Julianne Moore no elenco, que são sempre boas referências. Se desenvolver bem a idéia, será um filmão, mas o tema é uma arapuca.

- O Ilusionista - Como O Grande Truque, também é sobre mágicos de palco, também se passa na Europa do século 19 e também envolve mistério na trama. Aqui, um mágico se envolve com a noiva de um príncipe, que contrata um investigador para desmascarar seus truques. Os fantásticos Edward Norton e Paul Giamatti lideram o elenco.

- O Mar Não Está pra Peixe - A animação por computador é mais fácil de fazer do que aquela feita à mão - e a prova é que agora são lançados filmes animados de um monte de produtoras. Por tabela, a qualidade também não sempre ótima. Pela sinopse, este filme parece requentar idéias de Procurando Nemo e O Espanta-Tubarões. Pra piorar, sabe quem são os dubladores? Felipe Dylon e Grazielle Massafera! Não pode dar certo...

- A Menina e o Porquinho - Pra começar, tem Dakota Fanning. Mas parece ser uma produção bem competente de um dos contos infantis mais conhecidos lá pelos Estados Unidos. O chato é que há um elenco de peso fazendo as vozes dos animais (Julia Roberts é a aranha Charlotte, Robert Redford é um cavalo...) e o filme só passa aqui dublado. A princípio, parece Baby III, mas vamos confiar.

25 ANOS SEM A MAIOR CANTORA DO BRASIL

Já faz 25 anos e a Pimentinha de 1,53 metro continua firme no posto de maior cantora do Brasil. A morte trágica de Elis Regina em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos, certamente contribuiu para a criação de uma aura de mito em torno dela, mas os fatores que são determinantes para isso são mesmo a personalidade forte, marcante e o vigor e intensidade de suas interpretações. Porque Elis, mais do que uma cantora, era uma intérprete.

Elis continua em evidência. Há um vasto material sobre o trabalho da cantora, com quase todos os seus discos disponíveis em CD. E agora a era do DVD começa a disponibilizar para o público imagens históricas, em apresentações e entrevistas - muitas delas, numa iniciativa de resgate de seu filho, João Marcelo Bôscoli, embora a palavra “resgate” não se adeqüe muito bem aqui.

“A Elis não precisa disso”, diz por telefone João Marcelo Bôscoli, de seu escritório na Trama, em São Paulo. “Se eu não fizesse nada, os discos continuariam saindo e teriam os especiais na Globo do mesmo jeito”.

O que João Marcelo - filho mais velho da cantora, do casamento com o compositor Ronaldo Bôscoli - faz é viabilizar o lançamento de novos produtos da mãe e antigos produtos melhorados, através da Trama. Foi sua empresa, em parceria com as gravadoras originais, que lançou o DVD-áudio Elis & Tom e os DVDs da coleção Ensaio e Grandes Nomes.

Em dezembro saiu Elis, o último álbum de estúdio da cantora, lançado em 1980, remixado a partir das fitas originais, masterizado em Nova York, com versões mais longas para canções como “Se eu quiser falar com Deus” e “Vivendo e aprendendo a jogar” e ainda duas faixas à capela. Além disso, o CD traz um DVD bônus com a última entrevista de Elis, ao programa Jogo da Verdade, 15 dias antes da sua morte, por overdose de cocaína e álcool.

Na entrevista, Elis Regina mostra uma de suas características: não tinha papas na língua. “Você vai ficar assustado com a contemporaneidade da entrevista”, diz João Marcelo. “Quem chega e responde na lata essas coisas, peita o governo militar, a gravadora, os artistas?”.

É verdade que já era 1982 e a abertura “lenta e gradual” estava em pleno andamento. Mas em 1969 ela já tinha dado uma entrevista dizendo que o Brasil era “governado por gorilas”. E gravou “O bêbado e o equilibrista”, ainda em 1979, que se tornou um hino pela anistia. Mas foi bombardeada pela esquerda quando cantou o Hino Nacional nas Olimpíadas do Exército, em 1972.

Uma de suas grandes marcas é a de reveladora de grandes compositores. Gravou Gilberto Gil, Milton Nascimento, Renato Teixeira e João Bosco & Aldir Blanc e foi a partir daí que eles começaram a conhecer o sucesso.

Explosiva, Elis falava o que pensava na hora e não tinha medo de se contradizer depois. Brigou muito vida afora. Ninguém entendeu porque ela casou com Ronaldo Bôscoli, a quem detestava. Numa briga, jogou todos os discos de Frank Sinatra dele pela janela.

‘Falso Brilhante’ em DVD-áudio

“Um grande músico pode ser um grande mau-caráter, não confunda as coisas”, dizia Elis para o pequeno João Marcelo Bôscoli. É uma das lembranças do presidente da Trama sobre a mãe, de quem lembra como “uma supermãe, reconhecidamente boa cozinheira, levava a gente na escola, fazia o café da manhã...”. Era linha dura? “Era um pouco, mas só lembro de ter levado uns beliscões e uns tapinhas na bunda bem sem-vergonhas. Mas eu aprontava muito e quando falava meu nome inteiro era problema: ‘João Marcelo Bôscoli!!’”, lembra.

João Marcelo e seus dois irmãos, Pedro Mariano e Maria Rita (ambos cantores e do casamento de Elis com César Camargo Mariano) mantêm ainda mais vivo o legado de Elis, cada qual ao seu modo. A Trama lança este mês mais um DVD-áudio, Falso Brilhante. Além de acompanhar o CD, o DVD-áudio (que pode ser executado em qualquer aparelho de DVD) tem as músicas distribuídas em som em qualidade 5.1.

Falso Brilhante é um show de 1975 que ficou mais de um ano em cartaz e teve mais de 300 apresentações. “Eram dois atos: um colorido e outro em preto-e-branco. Em cada música, ela fazia um personagem. E tinha grandes efeitos”, conta João Marcelo.

Para a Trama, Elis também tem sido do abre-alas de produtos e séries pioneiras, provando a viabilidade dos DVD-áudios e das séries Ensaio, da TV Cultura, e Grandes Nomes, da Globo.

Registros imprescindíveis para estar mais próximo de uma artista que foi controversa em seu tempo, e que chegou a ser chamada de arrogante, mesmo dando demostrações seguidas de generosidade. “Se ser geniosa, exigente e não gostar de ser passada para trás é ser mau-caráter, então eu sou”, dizia, numa espécie de autodefinição, a maior cantora do Brasil.

'O CÉU DE SUELY' EM JP!

Tem pré-estréia do elogiado O Céu de Suely amanhã, no MAG, às 21 horas. É só para convidados, mas aqui vai a boa notícia: a Funjope está disponibilizando 40 ingressos para quem for lá na sede da Fundação pegar. Assim, não percam tempo!

Para quem não conseguir, o filme entra em cartaz normalmente na sexta.

GLOBO DE OURO EMBOLA TUDO

A versão no estilo Broadway para um grupo musical sessentista nos moldes das Supremes rendeu a Dreamgirls - Em Busca de um Sonho (2006) a posição de filme mais premiado do Globo de Ouro, com três prêmios (Filme/ comédia ou musical e ator e atriz coadjuvantes). As quatro histórias que versam sobre a globalização e a falta de comunicação no mundo rendeu a Babel (2006) o prêmio de melhor filme/ drama, mas foi o único que recebeu na premiação da imprensa estrangeira em Hollywood - a segunda em importância na indústria do cinema.

A cerimônia aconteceu na segunda à noite e, já pensando no Oscar, consagrou alguns favoritos e embolou o meio de campo no que se refere a algumas categorias. Por exemplo: as vitórias de Babel e Dreamgirls os colocam na briga pelo prêmio de melhor filme, mas não como favoritos - já que são seus primeiros prêmios da temporada pré-Oscar, que já viu filmes como Cartas de Iwo Jima (2006), Vôo United 93 (2006) e Os Infiltrados (2006) serem eleitos os melhores do ano.

Em compensação, se uma certeza sai deste Globo de Ouro é a de que Martin Scorsese está mais perto do que nunca do Oscar que escapou tantas vezes do diretor. A premiação de segunda à noite como melhor diretor do ano, por Os Infiltrados (2006), foi sua 11ª da temporada - incluindo o National Board of Review e as associações de críticos de várias cidades americanas.

Havia quem apostasse em Leonardo DiCaprio como melhor ator em drama - ele concorria por Diamante de Sangue (2006) e Os Infiltrados (2006), mas o que tem sido quase unânime na temporada é a vitória de Forest Whitaker, como ditador de Uganda Idi Amin, em O Último Rei da Escócia (2006).

Unanimidade mesmo é a de Helen Mirren, melhor atriz em drama com seu papel de Elizabeth II em A Rainha (2006) - ela foi eleita a melhor do ano por 20 diferentes associações de críticos dos Estados Unidos. Ela não só ganhou na categoria no Globo de Ouro, como foi premiada duas vezes: também foi a melhor atriz de minissérie ou telefilme, nas categorias destinadas à televisão, por Elizabeth I, como outra rainha, a que dá nome à produção. É franca favorita ao Oscar.

Outra atriz que vem ganhando quase tudo é Jennifer Hudson, por Dreamgirls, como coadjuvante. Mas ela pode ter uma oponente forte: Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada (2006), a melhor na categoria atriz/ comédia ou musical, mas que pode ser indicada como coadjuvante ao Oscar. Este foi seu sexto Globo de Ouro, na 21ª indicação - um número impressionante.

Na categoria ator coadjuvante, uma surpresa: o comediante Eddie Murphy levou o prêmio por sua recriação de James Brown no personagem James "Thuder" Early em Dreamgirls. Com isso, ele pode ter assegurado sua entrada na briga pelo Oscar, numa categoria que tradicionalmente é equilibrada.

Outros filmes também saíram premiados, como Carros (2006), melhor filme de animação, e Cartas de Iwo Jima (2006), a versão japonesa de Clint Eastwood para uma das batalhas definitivas da II Guerra, foi o melhor filme de língua não inglesa. Outrora um dos favoritos ao Oscar, Clint tem visto sua versão japonesa - e não a americana, A Conquista da Honra (2006) - ser premiada. O resultado é que sua força parece ter enfraquecido nas últimas semanas - mas, do jeito que as apostas andam emboladas para o Oscar, ele pode até reverter isso. E - veja só - Sacha Baron Cohen deixou para trás estrelas como Johnny Depp (Piratas do Caribe - O Baú da Morte) e faturou o Globo de Ouro de ator/ comédia ou musical, por Borat!

Nos prêmios referentes à televisão, não teve para 24 Horas, Lost ou Heroes. As três perderam o prêmio de série/ drama para Grey’s Anatomy (2005), seriado médico que é fenômeno na TV americana. E quem levou na categoria comédia ou musical foi Ugly Betty, a versão americana da novela mexicana Betty, a Feia! Pelo papel, a atriz America Ferrara também ganhou como atriz/ comédia ou musical. Elizabeth I, que deu um dos Globos da noite a Helen Mirren foi eleita a melhor minissérie ou telefilme do ano.

A INIMIGA NÚMERO 1 DA INTERNET

Foi em 18 de setembro que surgiu no You Tube o famoso vídeo em que Daniela Cicarelli transa com o namorado, Tato Malzoni, no mar de uma praia de Cádiz, na Espanha. Deve ter sido o maior evento da internet brasileira em 2006, o ápice de um ano em que um mico maior que o outro, novo ou antigo, acabou parando no site de vídeos. Teve aquele do Fernando Vannucci grogue em um programa da RedeTV, a apresentadora do SBT Brasil que, no encerramento do jornal, não sabia o que vinha depois na programação, a menina que conta uma piada suja para Sílvio Santos (uma do fundo do baú para o Homem do Baú). Mas nenhuma supera a rapidinha da Cicarelli em público (dentro d’água, mas em público, mesmo assim).

Cicarelli já tinha a imagem arranhada desde o bafafá em seu casamento relâmpago com Ronaldo. Mas o caso ficou basicamente transitando entre Ronaldo e a Caras, sem mexer muito com a vida de ninguém. E agora que, por causa dessa rapidinha (em última instância), quase cinco milhões de brasileiros ficaram ameaçados de ter o acesso ao You Tube bloqueado (e, de fato, tiveram por algumas horas, por causa de uma decisão da Justiça, depois derrubada).

O flagra do paparazzo espanhol logo começou a fazer estragos na carreira da modelo e apresentadora. A Chevrolet rapidinho tirou do ar os comerciais estrelados por ela. Mas colocou de novo em pauta até onde vai o limite entre jornalismo (mesmo que fofoca) e invasão de privacidade. Se bem que, aqui para nós, este limite já foi mais ultrapassado que a fronteira do Iraque.

Mas não é isso o que interessa porque, nesse caso, Daniela Cicarelli não tem muito do que reclamar. Fez sexo em público, à luz do dia (o que já é passível de ser flagrado por qualquer um com uma câmera e jogado na internet) e no país em que seu ex-marido é um dos maiores ídolos do esporte. E ela acha que ia passar despercebida?

Mas isso também não é o que interessa. O que interessa é que a modelo deu o pontapé inicial na ação que ameaçou tirar - e tirou por algumas horas, em vários Estados - o You Tube do ar no Brasil. Com isso, teve apontada para si a fúria de milhões de internautas brasileiros atingindo ou só ameaçados pela notícia. Mais uma vez as dores de cabeça vieram on-line, já que os protestos tomaram força nos milhares de e-mails que inundaram as caixas postais da MTV e no blog Boicote a Cicarelli - Brasil sem Censura (http://www.boicoteacicarelli.com).

Ela foi ao Jornal da Globo e jogou a culpa no namorado, dizendo que ele foi o autor da ação. Mas não adiantou. Primeiro, porque ela disse que nem sabia da ação - o que, no mínimo, mostra que esse romance precisa de mais diálogo, já que um assunto desse porte não foi nem comentado. Segundo, porque isso foi desmentido depois: a ação judicial leva o nome dos dois, embora o pedido de proibição tenha saído só dos advogados de Malzoni.

E terceiro, porque ela só foi a público dar as explicações por pressão da MTV, para que a modelo pusesse um ponto final na confusão. Sorte dela que o protesto em frente à emissora, pedindo a demissão da modelo, no sábado passado, não rendeu.

Mesmo assim, pela trapalhada jurídica, pelo namorado com quem não discute o processo e pela mentirinha no telejornal, Cicarelli já ganhou o status de musa ao contrário da internet brasileira. Uma verdadeira inimiga número 1. E tudo por uma rapidinha...

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Aliás, vocês viram a sátira do vídeo feito pela secretaria da saúde do Rio Grande do Sul para uma campanha de prevenção contra a dengue? Procurem no You Tube, é engraçadíssimo! Principalmente o final. Daniela merece...

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E, resgatando uma homenagem do Kibe Loco:


CRÍTICA/ 'DIAMANTE DE SANGUE'

Um filme e uma missão

Diamante de Sangue (Blood Diamond, Estados Unidos, 2006) é um filme com uma missão. O diretor Edward Zwick se cercou de muitas informações para passar o melhor que pôde a sensação do caos completo que imperou em Serra Leoa durante os anos de guerra civil no país africano. Ele recebeu até uma consultoria informal de um cineasta local. E deve ter dado resultado porque o filme realmente impressiona, muito mais do que as poucas reportagens que se fizeram sobre o assunto. Nisso, lembra muito O Jardineiro Fiel (2005).

Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador que não tem nada a ver com o governo e nem com as forças rebeldes, mas mesmo assim vê sua aldeia massacrada, é separado de sua família, forçado a trabalhar na mineração e é preso. Mas descobre um grande diamante, que consegue esconder. Mas a história vaza e atrai o interesse de Danny Archer (Leonardo DiCaprio), traficante de diamantes que vê a possibilidade de ir embora dali. Ele troca a possibilidade de encontrar a família de Vandy pela localização do diamante. Juntos, e acompanhados pela jornalista idealista Maddy Bowen (Jennifer Connelly, linda e boa atriz) eles atravessam o país em busca de seus tesouros (o dela é uma reportagem que faça a diferença).

É um filme de aventura, mas com um painel de fundo aterrador. Crianças são treinadas para pegar em armas e matar indiscriminadamente homens, mulheres e outras crianças, a burocracia emperra a busca por familiares e o caos é completo por quase todo o país.

Além de tudo, há os diamantes, cuja extração é usada para financiar a guerra. Numa cena emblemática, Vandy vê um colar exposto na vitrine de uma joalheria: ali, revestido de belza e status está uma das razões de tanto sofrimento. E dali a aguns instantes, ele pode estar enfeitando o pescoço de alguma madame.

O roteiro é exemplar nessa química difícil entre o didatismo e as preocupações com os personagens. Mas eles são bem desenhados, e nem o idealismo de Maddy parece forçado. Zwick não perde a mão do filme nem quando começa a mostrar o interesse entre DiCaprio e Connelly. E Hounsou está, como sempre, ótimo. A combinação do trio dá a alma a Diamante de Sangue.

Diamante de Sangue. Blood Diamond. Estados Unidos, 2006. Direção: Edward Zwick. Elenco: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly.

CRÍTICA/ 'UMA NOITE NO MUSEU'

Nonsense histórico

Um pai que precisa ser uma boa imagem para o(s) filho(s). Esse é um ponto de partida cada vez mais recorrente em Hollywood (desde, pelo menos, Uma Babá Quase Perfeita, 1993) e não falta também em Uma Noite no Museu (Night at the Museum, Estados Unidos, 2006): é para ter um emprego fixo e não deixar de ver o filho que o inventor frustrado Larry (Ben Stiller) aceita o cargo de vigia noturno do Museu de História Natural de Nova York.

O que ele não sabe é que as estátuas, animais empalhados e esqueletos do lugar ganham vida à noite. E nem é avisado disso pelos três veteranos que estão sendo aposentados e cedendo o lugar: Cecil, Reginald e Gus, interpretados por Dick Van Dyke, 81 anos, Bill Cobbs, 71, e Mickey Rooney, do alto de seus 86 anos - eles mesmos, três “peças de museu” de Hollywood (no melhor sentido).

Os velhinhos são adoráveis, mas poderiam ter momentos que mostrassem realmente sua grandeza. Ao invés disso, o diretor Shawn Levy se concentra em Ben Stiller, que está bem, nos efeitos visuais e em seus coadjuvantes de luxo: o velho chapa Owen Wilson e Robin Williams (como o presidente Teddy Roosevelt).

Uma das melhores sacadas do filme envolve justamente o personagem de Wilson: integrante de um cenário em miniatura do velho oeste cujos personagens estão sempre em pé de guerra com os pequenos soldados romanos do painel ao lado. Puro nonsense que anima mais Uma Noite no Museu.

Uma Noite no Museu. Night at the Museum. Estados Unidos, 2006. Direção: Shawn Levy. Elenco: Ben Stiller, Robin Williams, Owen Wilson, Carla Gugino.

SHOWZINHO CHATO

Deu o que pensar o show de Arnaldo Antunes no sábado passado, no Busto de Tamandaré, em João Pessoa. Até porque só se envolveu com o show quem é fã mesmo - quem não é teve tempo de sobra para pensar em vários assuntos de tão desinteressante que foi a apresentação. Qualquer - disco e show - tem sido elogiado, mas ficou claro, no mínimo, que não se tratava para um show naquele espaço - e, sim, para um recanto fechado e com cadeiras.

A voz monocórdia do cantor e compositor parecia tentar alcançar a delicadeza e limpidez do baixo volume de João Gilberto. Mas João Gilberto é João Gilberto, ele tem voz suficiente para não usá-la. E uma coisa que Arnaldo Antunes não tem é voz. Na linha dos compositores sem voz que cantam, ele perde de goleada para, digamos, Chico Buarque ou Tom Jobim.

A mise-en-scène de Arnaldo no palco, com suas piruetas que lembravam os momentos mais punk dos Titãs, simplesmente não combinava com o que estava sendo oferecido ao público. Não que fosse “falso”, porque poderia ser uma egotrip do músico, mas era como se Mick Jagger estivesse dançando “Satisfaction” ao som de uma valsa de Strauss.

O ambiente não favorecia ao aspecto intimista da obra, onde as letras certamente devem ser um componente forte na receita. Mas era preciso muita boa vontade e uma considerável dose de esforço para prestar atenção nelas - já que a música, em si, não ajudava. A frase de um amigo foi definitiva: “Se tivesse efeitos de luz no palco, eu teria medo de estarmos sendo hipnotizados”.

Compositor admirável, Arnaldo Antunes certamente não decepcionou àqueles que conhecem e gostam de seu disco mais recente - e que o ouviriam até à capela na hora do rush. Mas que o tom ficou bem aquém do que poderia esperar, para a principal atração da semana no evento, ninguém pode negar. Certamente, mais sorte tiveram os que foram ao Centro Histórico conferir Naná Vasconcelos no dia anterior.

* Publicado no JP de hoje.

TRAJE A RIGOR

Não é um amorzinho?
RANKING '24 HORAS'

24 Horas no ar pela Globo e a sexta temporada já em curso nos Estados Unidos. Com uma ajudinha do Imdb dá pra fazer uma coisa interessante: um ranking sobre quem mais apareceu na série. Com coadjuvante entrando e saindo o tempo todo, quem tem sido mais importante ao longo das cinco temporadas e pouco (127 episódios) de 24 Horas?


1 - Jack Bauer (Kiefer Sutherland, 127 episodes, 2001-2007)

Claro que o protagonista leva o primeiro lugar. Bauer esteve presente em todos os episódios do seriado, vivendo cada uma dessas 127 horas até agora.


2 - Tony Almeida (Carlos Bernard, 95 episodes, 2001-2006)

O fiel escudeiro de Bauer na UCT demorou a entrar em ação no quarto ano da série e no quinto saiu de cena. Mas a superatividade desde a primeira temporada ainda o garante no segundo lugar.


3 - David Palmer (Dennis Haysbert, 80 episodes, 2001-2006)

O mesmo vale para o presidente Palmer, que protagonizou um núcleo dramático à parte dentro da série por três temporadas e sua volta foi saudada com fogos na metade do quarto ano.


4 - Kim Bauer (Elisha Cuthbert, 72 episodes, 2001-2006)

A filha amada e odiada de Jack Bauer arrumou problemas em três temporadas, sumiu na quarta e voltou rapidamente na quinta. Eu, pelo menos, tenho saudades.


5 - Chloe O'Brian (Mary Lynn Rajskub, 69 episodes, 2003-2007)

Só entrou na série na terceira temporada e foi crescendo até o ponto de ser o braço direito de Jack Bauer. Já está perto de alcançar o quarto posto da história do seriado.


6 - Michelle Dessler (Reiko Aylesworth, 62 episodes, 2002-2006)

Ela começou devagarzinho na segunda temporada, mas chegou a comandar a UCT. Também faz falta.


7 - Mike Novick (Jude Ciccolella, 58 episodes, 2001-2006)

Surpresa! Os presidentes passam e o assessor político Mike Novick continua. Assim, ele aparece em sétimo lugar entre os mais-mais da série.


8 - Audrey Raines (Kim Raver, 48 episodes, 2004-2006)

O amor mais duradouro de Jack Bauer no seriado sobreviveu até a morte forjada de seu amado. Mas não à sua transferência para a série The Nine.


9 - Sherry Palmer (Penny Johnson, 45 episodes, 2001-2004)

A venenosíssima aspirante a primeira-dama, a quem adoramos odiar a cada odiosa armação planejada nas três primeiras temporadas.


10 - Curtis Manning (Roger R. Cross, 43 episodes, 2005-2007)

O grande Curtis é um dos bastiões morais de 24 Horas. Sempre pronto a agir e confiável acima de tudo, ele foi ganhando espaço na série ao longo dos últimos anos.

Outros mais cotados:

Aaron Pierce (Glenn Morshower, 40 episodes, 2001-2007)
Edgar Stiles (Louis Lombardi, 37 episodes, 2005-2006)
Bill Buchanan (James Morrison, 37 episodes, 2005-2007)
Nina Myers (Sarah Clarke, 36 episodes, 2001-2004)
Wayne Palmer (D.B. Woodside, 33 episodes, 2003-2007)
President Charles Logan (Gregory Itzin, 32 episodes, 2005-2006)
George Mason (Xander Berkeley, 27 episodes, 2001-2003) 
Kate Warner (Sarah Wynter, 25 episodes, 2002-2003)
Teri Bauer (Leslie Hope, 24 episodes, 2001-2002)
Chase Edmunds (James Badge Dale, 24 episodes, 2003-2004)
Ryan Chappelle (Paul Schulze, 24 episodes, 2002-2004)
Martha Logan (Jean Smart, 23 episodes, 2006) 
Habib Marwan (Arnold Vosloo, 17 episodes, 2005)
Andre Drazen (Zeljko Ivanek, 14 episodes, 2002)
Erin Driscoll (Alberta Watson, 13 episodes, 2004-2005)
Behrooz Araz (Jonathan Ahdout, 12 episodes, 2005)
Ramon Salazar (Joaquim de Almeida, 12 episodes, 2003-2004)
Dina Araz (Shohreh Aghdashloo, 12 episodes, 2005)
Christopher Henderson (Peter Weller, 11 episodes, 2006)
Vladimir Bierko (Julian Sands, 11 episodes, 2006)
Lynn McGill (Sean Astin, 10 episodes, 2006)
Mandy (Mia Kirshner, 7 episodes, 2001-2005)
Alberta Green (Tamara Tunie, 6 episodes, 2002)
Vice President Hal Gardner (Ray Wise, 6 episodes, 2006)
Victor Drazen (Dennis Hopper, 5 episodes, 2002)

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