MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (XVI)

Tootsie (Tootsie, 1982). Direção de Sydney Pollack; roteiro de Larry Gelbart e Murray Schisgal, baseado em história de Larry Gelbart e Don McGuire. Também colaboraram (não creditados) Robert Garland, Barry Levinson e Elaine May.

Michael Dorsey (Dustin Hoffman) é um ator de teatro que dá aulas de atuação, mas não consegue um emprego na área. A situação está tão difícil que, desesperado, tenta uma saída arriscada: disfarçado de mulher, Dorothy Michaels, tenta uma vaga para atriz em testes para uma novela de televisão. Não só consegue a vaga, como se torna uma coqueluche nacional, em um sucesso grande e inesperado. Mas a coisa se complica ao se apaixonar por uma colega de elenco, Julie Nichols (Jessica Lange), que encontrou em Dorothy uma grande amiga. Quando Michael revela tudo, Julie, naturalmente, não o perdoou. Ainda assim, ele resolve esperá-la na saída da emissora. Ela o vê e caminha para o outro lado para não falar com ele, mas Michael vai atrás e a acompanha.

Michael - Oi. Eu... Eu vi o seu pai. Eu, hã, fui até o bar onde ele vai sempre.

Julie - Ele não vai sempre lá.

Michael - Ah, é. Eu, eu esqueci. Como está Amy?

Julie - Bem. 

Silêncio. Ela não está a fim de papo e nem olha para ele, mas Michael insiste.

Michael - Seu pai e eu... hã... tomamos cerveja e jogamos bilhar. Foi bem divertido.

Mais silêncio.

Michael - Como estão as coisas?

Julie - Terry Bishop voltou ao programa. April perdeu sua licença...

Michael (interrompendo) - Perguntei de você.

Julie - Eu sei.

Mais silêncio.

Julie - Ficou famoso após a revelação, Michael. Qual o seu próximo triunfo?

Michael - Bom, vou fazer uma peça com uns amigos...

Julie (interrompendo e se afastando para atravessar a rua) - Legal, preciso pegar um táxi, Michael.

Michael - Julie!...

Ela pára e olha para ele.

Michael - Não quero atrasar você. Eu só fiz isso pelo emprego. Nâo quis magoar ninguém. Principalmente você.

Ela pensa um pouco.

Julie - Sinto falta da Dorothy.

Michael - Não precisa. Ela está bem aqui. E ela sente a sua falta.

Ela apenas olha para ele.

Michael - Olha, você nunca me viu mais gordo... mas fui melhor homem com você como mulher do que jamais fui com uma mulher como homem. Entende o que eu digo?

Ela apenas faz que não com a cabeça.

Michael - Só preciso aprender a fazer isso sem o vestido. Nesse ponto da nossa relação é vantagem eu estar usando calças.

Ela finalmente abre um sorrisinho. Ele também.

Michael - A parte difícil já acabou, sabe? Nós já éramos bons amigos.

Ela fica ainda um instante em silêncio.

Julie - Você me empresta aquele vestidinho amarelo?

Michael (desconfiado) - Qual?

Julie - O Halston.

Michael - O Halston?! Ah, não... (começando a caminhar; ela acompanha) Você vai estragar...

Julie - Michael!

Michael - Vai derramar vinho nele.

Julie - Não vou!

Michael - Eu empresto, mas tem que me devolver, hein?

Julie - Ora, você vai usá-lo para quê?

E seguem caminhando abraçados.

*Outras declarações:
- Da 1ª à 4ª, 
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- Da 5ª à 8ª, 
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- A 9ª, 
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- A 14ª, 
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- E a 15ª, nesta página aqui.

CRÍTICA/ ELA DANÇA, EU DANÇO
 

Pouca vitalidade

Renato Félix

O título é uma tristeza, tentando capitalizar em cima de um sucesso do funk, mas Ela Dança, Eu Danço (Step Up, Estados Unidos, 2006) não é tão ruim. É um filme razoável sobre a dança como instrumento de controle dos próprios demônios e possibilidade de crescimento.

Na história, Tyler (Channing Tatum) é preso por depredar uma escola de arte com alguns amigos. É condenado a prestar serviços comunitários na própria escola, mas, bom na dança de rua, acaba ajudando a aluna Nora (Jenna Dewan), que está sem parceiro para um importante recital.

O romance entre eles é o paralelo para a combinação entre balé moderno e o hip hop. Em geral, nada muito diferente do que já foi visto recentemente em Vem Dançar (2005), com Antonio Banderas como o professor que dá aulas de dança a alunos rebeldes de uma escola pública. Mesmo que ali o hip hop seja mesclado com a dança de salão, e não com o balé moderno, mas a filosofia é a mesma nos dois casos.

Infelizmente, o filme poderia alçar vôos maiores e não o faz. Musicalmente é bastante limitado e as danças tem algum interesse, mas não vão muito além das pobres coreografias de videoclipes do gênero na MTV.

A história também tem pouca disposição para fugir dos clichês: o namorado que vira vilão, porque é preconceituoso e egocêntrico, o amor não correspondido que se resolve, porque a garota pega o namorado com outra, o protagonista perde a vaga e a recupera no momento final... Nada muito inspirador, mas também nada que seja prejudicial demais.

Ela Dança, Eu Danço. Step Up. Estados Unidos, 2005. Direção: Anne Fletcher. Elenco: Channing Tatum, Jenna Dewan, Rachel Griffiths.

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