LIGAÇÃO KGB-GOTHAM CITY

...E sempre se acreditou que quem financiava a KGB era a Rússia... Olha a prova nessa foto da sede do serviço secreto de lá, com Putin olhando para o símbolo no chão:

Bruce Wayne está por trás da KGB, como diz o Omelete!

MUDA O DISCO!
Alguém aí também não agüenta mais Ana Carolina?
ENTREVISTA/ LUIZ FERNANDO CARVALHO


Foto: Divulgação TV Globo/ Renato Rocha Miranda

Luiz Fernando Carvalho andou atarefadíssimo durante a última semana de trabalho. Nem teve tempo de receber o repórter do JORNAL DA PARAÍBA, como na ocasião anterior. Precisava avaliar com a equipe a filmagem do dia e preparar a de terça. Mas, sempre atencioso, respondeu as nossas perguntas por e-mail na manhã da terça.

Como tem sido filmar uma obra com tantos detalhes visuais a céu aberto, sem tanto controle da luz como em um estúdio?
LUIZ FERNANDO CARVALHO – Ao contrário do que fiz em Hoje É Dia de Maria, estou procurando usar o mínimo de luz artificial. Optei por filmar em película por causa de minha busca por uma textura nas imagens debaixo de uma fonte luminosa tão poderosa como a do sol.

Faltando poucos dias para o fim das filmagens, você está satisfeito com o trabalho? Está ficando da maneira que você concebeu?
Ainda não sou capaz de definir meu trabalho, estou no meio de um processo de criação, que só termina com a edição final. Poderia dizer simplesmente que estou, de um certo modo, reagindo à minha constatação de que a leitura que se faz do Sertão tem sido repleta de clichês. Na grande maioria das vezes, a forma como o Nordeste nos é apresentado tomou um rumo lamentável: em vez da diversidade étnica e estética, cultural, lingüística e comportamental, mostra-se um empobrecimento generalizado que faz com que os nordestinos pareçam medíocres, numa ânsia obsessiva de ora os tornar atração exótica, ora os igualar a padrões que não correspondem às suas tradições – e que nascem com a consolidação dos valores da cultura de mercado.

Você é um diretor que gosta de repetir as tomadas para achar um ponto ideal? Ou o processo de ensaio minimiza isso?
Eu sou um improvisador. Improviso o tempo todo, seja na câmera, seja na luz ou na direção dos atores. Pouca coisa me satisfaz inteiramente e, então, vou modificando, retocando, jogando contra a parede para ver se encontramos coisa melhor.

O que você pode dizer dos atores paraibanos que estão no elenco, como Mayanna Neiva, Everaldo Pontes, Márcio Tadeu e Tavinho Teixeira? Como você avalia o desempenho deles?
Meu trabalho e minha alegria são o de estar criando um processo de trabalho a partir dos talentos locais. É o que no momento se torna cada vez mais necessário e imprescindível para mim. São milhares e milhares de talentos que se desperdiçam a cada dia em função de uma visão centralizadora do eixo Rio-São Paulo. Soaria tristemente imitativo falar de um Brasil tão profundo de uma forma tão oficial. Existe muita pesquisa, muito rigor, mas é, principalmente, um caminho cheio de sensações e traçado a partir do trabalho e da sensibilidade dos atores locais.

Quanto tempo de pós-produção está previsto até tudo esteja pronto?
Aproximadamente três meses de edição e sonorização.

Você improvisa no set? Novas idéias acabam modificando o trabalho enquanto está sendo filmado?
Não existe refúgio para a criação. Tenho a impressão de que estou mesmo sempre começando. Quando iniciamos os ensaios, dentro daquele galpão lotado de atores improvisando, eu disse para mim mesmo: “Lá vou eu outra vez...” Para onde? Se você me perguntasse eu realmente não saberia lhe responder exatamente. Por outro lado, os grandes textos são para nós, atores, diretores, enfim, todos que lidam com eles, imensos faróis. Eles nos iluminam em meio à imensidão do mar, às dimensões humanas. Então, fora o texto, tudo é improviso.

* Publicado no Jornal da Paraíba, no dia 24 de dezembro de 2006

A MAGIA GANHA VIDA EM TAPEROÁ


Foto: Divulgação TV Globo/ Renato Rocha Miranda

A câmera se aproxima rapidamente, enquanto a carroça gira no próprio eixo. Quando ela pára e a porta desce, aparece o velho Quaderna, protagonista da microssérie A Pedra do Reino. Ele surge após uma dança, a mandala, e apresenta a história que vai se desenrolar nos oito capítulos previstos para irem ao ar na Rede Globo em junho do ano que vem, baseados na obra Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna, e que dão partida ao Projeto Quadrante. Idealizado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, o projeto pretende rodar microsséries pelo País, com temas, elenco e mão-de-obra locais. As cenas que irão primeiro ao ar foram filmadas segunda, dia 18, na última semana de trabalho da equipe em Taperoá (a 250,8 quilômetros de João Pessoa), dia em que a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA acompanhou o trabalho.

Quase todos os 60 atores participam da dança que abrirá a microssérie. Com palmas, eles anunciam a chegada de Quaderna (o pernambucano Irandhir Santos), como o ator de uma caravana mambembe. A filmagem começou às 10 horas – a equipe técnica chegou à cidade cenográfica, erguida em uma rua da cidade, às 9. “O Quaderna, que na minha leitura do romance me pareceu entrelaçado ao narrador, é um personagem duplo, ou melhor, quádruplo, quaternário, como um ser de duas cabeças, com olhos voltados para frente e olhos voltados para trás”, diz Carvalho, que idealizou o projeto Quadrante. “Ele é esse velho ator, velho rei, velho palhaço que, ao mesmo tempo em que continua nas estradas atrás de um tesouro deixado por seus antepassados, permanece no centro da arena contando sua história”.

A cena é rodada sob um belo céu azul com poucas nuvens, mas também à mercê de um calor implacável, que provavelmente é multiplicado embaixo do pesado figurino medieval. “Tá um calor enorme, mas a gente nem sente”, minimizou Tavinho Teixeira, que interpreta o personagem Luiz do Triângulo e é um dos 12 paraibanos no elenco. “É uma adrenalina tão grande que a gente sublima isso”. Seu personagem é o dono da fazenda onde está localizada a Pedra do Reino. Uma história intrincada de um rei que é morto, de um julgamento, de um príncipe que volta como um salvador – com a influência das diversas culturas que formam o povo brasileiro.

Às 16 horas, começa a filmagem da “estranha cavalgada” – cerca de 40 cavalos cenográficos, alguns expelindo fogo pelo nariz, construídos com ossos de animais, palitos de sorvete, palha, bandejas de alumínio, retalhos e madeira. As engenhocas estão perfiladas na porta da igreja, também cenográfica, para a entrada em cena, todas montadas por seus cavaleiros. É uma visão que impressiona, mas, na primeira tomada, um dos cavalos emperra, obrigando todos a recuarem e a cena a ser refeita. É uma corrida contra o tempo: as repetições se estendem até o sol se pôr, lá pelas 17h30. E aí, a conclusão fica para o dia seguinte.

Atores passaram três meses isolados e viveram uma ‘experiência intensa’

Mayanna Neiva, que foi destaque em uma matéria em O Estado de S. Paulo no domingo 17 pelo trabalho promissor em A Pedra do Reino, aparece vestida pelo corpo com tinta, palha e madeira, logo após a cena da “estranha cavalgada”. Os cabelos estão vermelhos e curtíssimos. Ela interpreta dois personagens: a donzela Heliana e a morte encarnada pelas entidades Onça Caetana e Moça Caetana. “É para lembrar ‘cabelo de bicho’, mesmo”, contou ela. “O Luís Fernando passou por mim um dia e simplesmente passou a mão nos meus cabelos e disse: ‘Tenho uma proposta para te fazer’. Eu perguntei o quê e ele respondeu: ‘Daqui a três dias, máquina três’”.

A atriz paraibana, que chegou a participar da montagem de A Pedra do Reino por Antunes Filho, em São Paulo, prefere dar o crédito da repercussão antecipada do trabalho ao projeto todo. “Eu fico feliz que os olhos se voltem para uma idéia como essa e de fazer parte dele”, afirmou. Márcio Tadeu ostenta uma vistosa barba para o personagem do Frei Simão, o frei-cangaceiro. “Consegui superar um grande desafio hoje, porque tenho pavor a cavalo e pavor a altura”, confessou, reafirmando a importância da repercussão de um trabalho desses, que será assistido por milhões de pessoas. “Não posso deixar de dizer que existe o lado do sonho do artista de estar em um grande veículo de comunicação, mostrando o que sabe fazer”.

Os atores passaram três meses em Taperoá, completamente isolados do dia-a-dia habitual. “A gente foi trazido pra cá pra se isolar. Até o tempo vago aqui é um trabalho”, disse Mayanna. “Por não ter a rotina de sua casa, as horas vagas assentam a experiência forte da filmagem. É um mergulho profundo dentro de você mesmo, não tem como não ser intenso”.

Mesmo assim, ela contou que os atores criaram rotinas como comer tapioca em uma casa da cidade ou cair no forró em um clube local. Em outras ocasiões, organizaram as próprias festas temáticas, como o sarau que originou as apresentações de surpresa em shoppings, restaurantes e até na festa do Prêmio Criatividade em Campina Grande, que oito deles fizeram para arrecadar cestas de Natal para a periferia de Taperoá, somando mais de R$ 11 mil.

Uma experiência que se torna profunda até para quem é veterano. Everaldo Pontes, que já esteve em filmes como Central do Brasil (1998), recebeu a reportagem enquanto ouvia repetidamente a gravação de Ella Fitzgerald para “Get out of town”, de Cole Porter. “Estou tentando decorar a letra”, conta.

O ator conta que para ele a “reclusão” de três meses em Taperoá também é uma experiência forte. “Eu sempre acho que é uma coisa nova. É o maior tempo que já passei em um lugar em prol de um processo de trabalho, depois de Abril Despedaçado (2001), que foi de quatro meses”. Ele também reforça o lado humano da jornada, maior do que se pode imaginar. “No mínimo, é renovador”, disse. “É preciso estar aberto para uma troca do ponto de vista da humildade, da delicadeza”.

* Publicado no Jornal da Paraíba, em 24 de dezembro de 2006

MENSAGEM DE NATAL

É véspera de Natal. Hoje eu trabalho, tenho plantão na TV à noite. Mas eu nem ligo: eu assisti hoje cedo A Felicidade Não Se Compra e se alguém que assiste o filme de Capra na véspera de Natal encara a data de mau humor, deve ter pulado o guichê do coração na hora de nascer.

A frase do final, que acontece numa noite de Natal, após um milagre, é a dedicatória em um livro:

"Querido George,
Lembre-se de que ninguém é um fracasso se tem amigos.
Obrigado pelas asas,
Clarence"

Um pouco antes, um brinde a George, "o homem mais rico da cidade". Sua riqueza são os amigos. E a vida é assim, mesmo: o dinheiro é importante, mas - pense bem - o Tio Patinhas já era quaquilionário, mas não passava de um velho amargurado e sozinho até conhecer os sobrinhos.

Quer dizer: a gente precisa de alguém, esse é o verdadeiro tesouro. A gente está aqui nesse mundo pra isso: encontrar alguém para amar e ser feliz - sendo amizades ou romance. E, falando em romance, no mundo das extraordinárias coincidências, combinar de amar e ser amado exatamente pela mesma pessoa! Que incrível, já pensou?

Quais as chances de isso acontecer? É como um alinhamento de planetas.

Portanto, meu caro, minha cara, aproveite quando isso acontecer. Não desperdice. Um amor retribuído e verdadeiro desperdiçado deve até contribuir para aumentar a camada de ozônio.

E claro que o espírito do Natal envolve solidariedade, comunhão e, antes de tudo, ser fundamental bom. Mas é preciso que você seja bom com os outros e também consigo mesmo - não desperdice o que é importante.

Os planetas se alinharam pra mim este ano, mas tão certinhos, tão certinhos que o Hubble só poderia ver todos se tivesse visão de raio X embutida - e Plutão está lá também, dando uma força, mesmo tendo perdido o seu posto. E, podem apostar: desperdício, nem pensar. Eu já fui muito desperdiçado para saber dar valor a uma coincidência dessas: meu milagre de Natal que aconteceu em fevereiro.

Feliz Natal pra todos e um 2007 sem desperdícios!

Bonus: Uma versão de A Felicidade Não Se Compra em 30 segundos e com coelhos!

SÉRIES PREFERIDAS - 25

25. Smallville (Smallville, 2001-ainda em produção)

A série "traduziu" parte da mitologia do Super-Homem para o universo das séries adolescentes. É como se Clark Kent de repente se tornasse o protagonista de Dawson's Creek ou The O.C. - Um Estranho no Paraíso. Exagero nas liberdades à parte, a série tem o mérito de injetar popularidade no universo do herói e se tornar emocionante quando se dedicou a tratar do desenvolvimento de elementos dessa mitologia - principalmente na segunda temporada, quando sua origem kryptoniana foi revelada e um episódio contou com a emocionante participação de Christopher Reeve. Infelizmente, a série se perdeu nas temporadas seguintes e chegou a um ponto em que é impossível unir a trama da série ao que se conhece do Super-Homem. Mas vale pelos grandes momentos do segundo e terceiro anos. E ainda criou uma personagem ótima: a irresistível (menos para Clark) estudante Chloe e sua queda para o jornalismo.

Aqui, a abertura da série:"Somebody saaaaaaaave me!"

Série número 26: Profissão: Perigo

CRÍTICA/ '007 - CASSINO ROYALE'
 

Um James Bond mais para Jack Bauer

Renato Félix

007 – Cassino Royale (Casino Royale, Estados Unidos/ Alemanha/ Inglaterra/ República Tcheca, 2006) apresenta um James Bond para o século 21. O que era elegância nos anos 1960, tinha virado deboche nos anos 1970 e 1980 e se rendido aos efeitos especiais nos 1990, virou truculência nos 2000. Daniel Craig, o novo Bond de uma linhagem que teve, entre outros, Sean Connery, Roger Moore e Pierce Brosnan, mal dá um sorriso na pele do personagem.

Também é interessante notar que, assim como a série quarentona adquiriu uma cara própria de cada tempo, também foi recebendo influências. Nos anos 1970, após o sucesso de Guerra nas Estrelas (1977), 007 foi ao espaço (em 007 contra o Foguete da Morte, 1979). Nos 1980, a influência foi das peripécias de Indiana Jones em Os Caçadores da Arca Perdida (1981), que inspiraram 007 contra Octopussy (1983). Não é de estranhar, portanto, que o James Bond de 007 – Cassino Royale esteja bem mais para Jack Bauer.

Como Bauer na série 24 Horas, que redefiniu a ação na televisão, Bond é um agente que não tem como ser feliz fazendo o que faz. Sua licença para matar não é à toa: ele é uma máquina de assassinatos, sendo isto o que ele tem de mais eficiente. A classe ostentada por seus antecessores é um artigo bem secundário, quese inexistente, na composição do personagem.

A seu favor, estaria o fato de que o filme começa a história de James Bond do início, em sua primeira missão como 007. Ele ainda não é o personagem que ficou célebre. Não tem paciência para minúcias de escolher um martini, ainda está aprendendo a escolher o smoking ideal, e vai aprender a não confiar em ninguém – o que, de certa maneira, justifica a maneira machista de freqüentemente tratar mulheres como objetos no filmes anteriores. Não é à toa que o tema clássico de Monty Norman só seja ouvido plenamente nos créditos finais – só na última cena Bond estaria “formado”.

Pode ser, mas o fato é que Daniel Craig não parece ser capaz de um dia ostentar a finesse que faz de 007 um 007, afinal. Esse sempre foi o diferencial do personagem para os outros heróis de ação: já houve quem definisse Indiana Jones como um “James Bond que sujava a roupa”. Pois bem, este Bond suja a roupa – e geralmente com muito sangue.

É uma dose de realismo louvável – e não me entendam mal, o filme é muito bom –, mas até onde isso vale desfigurar o personagem que estrelou os 20 filmes anteriores? Será que o próximo filme terá um Bond mais próximo do que já vimos, ou estará mais próximo ainda de Jack Bauer? Será um Bond que conseguirá tempo para se divertir nas missões ou a cara de poucos amigos de Craig prevalecerá de novo?

Em termos de filme de aventura, 007 – Cassino Royale cumpre sua função com bastante competência. Há várias cenas de tirar o fôlego: a perseguição a pé no edifício em construção, a tentativa de evitar um atentado terrorista num aeroporto, a já famosa capotagem que entrou para o livro dos recordes.

Um grande momento é o jogo de pôquer, onde o diretor Martin Campbell (que já havia dirigido 007 contra GoldenEye, 1995) imprime grande suspense. E outros destaques são a presença estonteante de Eva Green, como a bondgirl que mais afetou Bond desde Diana Rigg em 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (1969) e, claro, Judi Dench como M, embora sua participação crie um paradoxo que sugere tristemente que todos os demais filmes devam ser ignorados (James Bond havia tido outros chefes antes que ela assumisse a função, em 1995).

Detalhes que devem ser levados em conta, mas que não negam ser este um dos bons filmes da série. Só poderia ser um pouco mais James Bond.

007 - Cassino Royale. Casino Royale. Estados Unidos, 2006.  ****  Direção: Martin Campbell. Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Caterina Murino, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini.

* Publicado no Jornal da Paraíba, em 19 de dezembro.

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