MULHERES MACHONAS - PRA ENCERRAR

Bom, Ju, eu volto a dizer que preguei contra o exagero - tanto é que no próprio texto elogiei, por exemplo, a Michelle Yeoh em 007 - O Amanhã Nunca Morre, que funciona muito mais que o execrável As Panteras. Mais uma vez e de uma vez por todas: o problema é que se trocou totalmente uma coisa pela outra. Algumas mulheres podem lutar (eu nunca disse que não podiam, mocinha) e algumas mukheres têm que ser salvas. Hoje em dia, elas não podem ser salvas porque é "politicamente incorreto". E aí - exatamente aí, só aí - está o problema. Mas se você quer saber como as mulheres podem lutar sendo femininas, por favor, assista a Abaixo o Amor.

E vamos mudar de assunto porque feminismo em excesso é um assunto enervante. Como disse o Millor Fernandes, "o melhor movimento feminino ainda é o dos quadris" (risos).

NATALIE HEPBURN

Natalie Portman posando de Holly Goolightly, a personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961), para a Harper's Bazaar americana. Não ficou linda?

ESTRÉIAS EM JP

- Muito Gelo e Dois Dedos d'Água - Comédia de Daniel Filho, com roteiro de Alexandre Machado e Fernanda Young, sobre duas irmãs que seqüestram a própria avó para se vingarem do tratamento rígido que a velha impunha na adolescência delas. Daniel responde pelo maior sucesso de bilheteria no Brasil este ano (Se Eu Fosse Você) e conta com um bom elenco: Mariana Ximenes, Paloma Duarte, Ângelo Paes Leme, Thiago Lacerda e a grande Laura Cardoso.

- Jogos Mortais III - Terceira parte das aventuras de um psicopata que gosta de torturar as pessoas. Agora, ele tem uma ajudante (que surgiu no segundo filme) e rapta uma médica obrigada a mantê-lo vivo para que continue seus joguinhos perversos. Mais um no subgênero "tortura física". Há quem goste - e esses não devem se decepcionar.

- Efeito Borboleta 2 - Se você é um dos fãs do primeiro filme, não se engane: nem a dupla de diretores-roteiristas e nem o elenco do primeiro filme permancem na continuação. Aliás, é uma história totalmente diferente, onde apenas a premissa permanece: uma alteração mínima no passado poderia causar eventos imprevisíveis no presente. Aqui, é um sujeito que tem a chance de impedir a morte da namorada, ocorrida um ano antes.

O LADO NEGRO DE JIMMY

A notícia é estarrecedora para qualquer um que tem fé na humanidade. Uma biografia recém-publicada nos Estados Unidos afirma que James Stewart também tinha um lado negro! Personificação da ética no cinema, passando longe de escândalos ao longo dos anos (não se conhece um caso extraconjugal do ator), servindo por espontânea vontade como aviador na II Guerra (voltou condecorado), marcado pelos personagens íntegros à toda prova do início da carreira (mesmo que o leque tenha variado na maturidade, sob a direção de Hitchcock e Anthony Mann), cujo Oscar de melornator foi enviado ao pai para que ficasse na vitrine da loja de ferragens do velho em sua cidadezinha natal... Nunca houve nada que maculasse o caráter do ator - até que Michael Munn, no livro James Stewart - The Truth Behind the Legend, viesse a afirmar que ele foi um delator do FBI.

Jimmy Stewart, um delator? Veja bem: você pode não estar ligando o nome à pessoa, mas o bom-mocismo inerente aos personagens de Tom Hanks fizeram com que ele fosse chamado de... novo James Stewart. O ator clássico foi um dos mais assíduos às fábulas humanistas de Frank Capra nas décadas de 1930 e 1940, em papéis-símbolo como o Jefferson Smith de A Mulher Faz o Homem (de 1939, onde ele era um líder dos escoteiros alçado à condição de senador por seu estado por causa de uma intriga política, mas que, uma vez no Congresso, enfrentou corajosamente a corrupção da casa) e o George Bailey de A Felicidade Não Se Compra (de 1946, em que ele é um homem que troca os seus sonhos de ganhar o mundo porque não consegue deixar de ajudar os habitantes da sua cidadezinha contra um banqueiro sovina).

O livro diz que em 1947 Jimmy começou a colaborar com o FBI, com o intuito de barrar a ascensão do crime organizado - mas não demorou muito para que os olhos se voltassem para os comunistas (na época, chamados mais de anti-americanos). Segundo o autor, Stewart colaborou livremente com a caça às bruxas promovida pelo senador Joseph McCarthy contra os “vermelhos”. O abalo sísmico que essa notícia provoca na crença de que há pessoas acima de qualquer suspeita pode ser calculado em megatons. Ora, se não podemos confiar nem em James Stewart, vamos confiar em quem?

Uma dúvida é saber por que esse dado nunca apareceu antes. Afinal, de Elia Kazan há algum tempo se sabe que dedou meio mundo ao macartismo. Jimmy pode até ter sido meio inocentemente usado por J. Edgar Hoover, o chefe do FBI, coisa que o livro supõe, segundo as matérias a respeito. Mas sendo isso verdade, não sei, não, se isso o inocenta. A única coisa que poderia salvar James Stewart seria o fato de que o autor exagerou - ou especulou demais sobre - um fato que na verdade não foi tudo isso. Mas isso não saberemos até que - quem sabe? - outra biografia o desminta.

Outra surpresa sobre James Stewart também surgiu esta semana. Quem diria que ele foi um grande conquistador? Um mulherengo mesmo, comparável a Clark Gable e Gary Cooper. A informação está no delicioso livro Um Filme É para Sempre, de Ruy Castro, num artigo muito apropriadamente chamado “Aquilo que, às vezes, nós pensamos que sabemos”. Mas, pelo menos aí, Stewart continua com o bom-mocismo intocado: os registros são de que, depois de casar com a mulher, Gloria, ele se aquietou e nunca mais se envolveu com outra.

*Publicado no Jornal da Paraíba, em 2 de novembro de 2006

CRÍTICA/ 'VÔO UNITED 93'
 

Documental e emocionante

Renato Félix

Em tudo Vôo United 93 (United 93, Estados Unidos, 2006) é a antítese de As Torres Gêmeas (2006). Ambos os filmes, em cartaz em João Pessoa, falam de aspectos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 aos EUA. Mas enquanto, em As Torres Gêmeas, Oliver Stone elege como seus protagonistas dois personagens da tragédia, tenta ser solene e transforma a história em um poço de pieguice e tédio, o filme do inglês Paul Greengrass assume um tom documental, não tem atores famosos - e é impactante, emocionante, um dos melhores filmes do ano.

Dos quatro aviões que foram seqüestrados por terroristas naquele dia, dois atingiram as torres do World Trade Center, em Nova York, e um o Pentágono, em Washington. O quarto ficou pelo caminho. O que teria acontecido a esse vôo? É essa a história contada em Vôo United 93. A história desse seqüestro em particular, a reação atônita dos passageiros ao descobrirem o que estava acontecendo no país e a total incapacidade dos controladores de vôo, em terra, em lidar com o problema.

Uma das grandes qualidades do filme é conseguir nos levar de volta à total perplexidade a respeito daquele dia. Um sentimento angustiante de incredulidade. E quando os passageiros começam a ligar para os parentes para avisar do seqüestro e recebem de volta a notícia dos aviões que bateram no World Trade Center se vêem frente a frente com a verdade implacável: eles serão jogados em alguma coisa e morrerão. Estão condenados. E vão ter uma atitude de raro heroísmo nesses tempos cínicos.

As famílias dos 40 passageiros do avião colaboraram com a produção e os controladores de vôo reais daquele dia aparecem em seus papéis, conferindo ainda mais realismo a um filme que, em certos detalhes, pode apenas ter imaginado o que aconteceu.

Você sabe o que vai acontecer e quando, mas não consegue deixar de se impressionar com os acontecimentos. Ao mesmo tempo, Greengrass confia na história e não dá nenhum realce narrativo para explorar o sentimentalismo: nem mesmo com a trilha sonora, que é bem discreta. Acertou em cheio.

Vôo United 93United 93/ Vol 93. Estados Unidos/ Inglaterra/ França, 2006.  ****  Direção: Paul Greengrass. Elenco: Christian Clemenson, Trish Gates, David Alan Basche, Cheyenne Jackson.

* Publicado no Jornal da Paraíba, em 31/10/2006

TAVA DEMORANDO...

Bom, até demorou alguma reação mais séria sobre o "Salvem as mocinhas" (risos)...

Juli, que parte de "Nada contra as mulheres independentes" e de "exagero" você não entendeu? Essa idéia de que as mulheres são iguais aos homens em tudo é um bobagem histórica do feminismo. As mulheres não são iguais aos homens, e aí está a graça da coisa. Evidente que tanto representantes um gênero quanto o outro podem ser capazes (ou incapazes) intelectualmente, estrategicamente e até fisicamente. Isso, no entanto, não nega um fato que é da natureza:

1 - Em geral - repetindo: em geral; ou seja: nem sempre, mas na maioria das vezes - os homens são mais fortes fisicamente que as mulheres. Portanto, estão - a princípio - mais talhado para matérias físicas, desde erguer o puxadinho da casa até esmurrar o vilão que seqüestrou a mocinha. Cameron Diaz pode fingir que luta artes marciais, mas não vai mudar essa realidade.

2 - Achar que isso é sinônimo de inferiodidade das mulheres é pura bobagem. Releia o texto, Juli: eu não disse que as mulheres têm que ser sempre salvas. Mas digo, sim, que elas não tem que sempre se salvar. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E mais: não tem sempre que se salvar lutando como homens, com feminilidade zero.

Ficar nessa defensiva automática a ponto de chamar isso de machismo, me perdoem, é um baita feminismo. No pior sentido.

[ ver mensagens anteriores ]