DROPS/ FESTA 80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Se não tivesse atravessado os anos 1990 sempre no topo, Madonna seria identificada como um mito vivo dos anos 1980. Foi no começo da década que ela explodiu para o mundo, com "Everybody", "Holiday", "Lucky star" e "Borderline". Em seguida, veio "Like a virgin" e o resto é história. Da menina espevitada cheia de penduricalhos a material girl, daí a blonde ambition, daí amusa erótica, daí a diva zen-eletrônica, a camaleonica artista ainda tem alguns de seus melhores momentos lá atrás, nos descompromissados e divertidos anos 1980.

Por exemplo, aqui, em um de seus primeiros sucessos: "Borderline".

E lembrem-se: a nova festa 80 Músicas dos Anos 1980 já está marcada! É sábado, dia 7, no Parahyba Café, às 21h.

CRÍTICA/ 'O MAIOR AMOR DO MUNDO'

 

Descoberta com falta de humor

 

Renato Félix

 

Foi preciso o astrofísico Antônio descobrir ser portador de um câncer em estágio avançado, vir ao Brasil para receber uma medalha e encarar uma surpreendente revelação do pai adotivo, de que ele conhecia sua mãe biológica, para que o astrofísico Antônio (José Wilker), protagonista de O Maior Amor do Mundo (Brasil, 2006) viesse a conhecer as alegrias e misérias da vida – e do Brasil, seu país. O novo filme de Carlos Diegues é basicamente essa viagem: a de um homem maduro que se isolou em si mesmo e no seu trabalho desde garoto e simplesmente não conhece sua família, seus colegas e nem seu país. Com a morte apontando no horizonte e uma pista de suas origens verdadeiras, ele parte em busca da mãe e, acaba, desajeitadamente, descobrindo a vida e o Brasil.

 

Diegues narra sem pressa cenas do passado sem ordem fixa enquanto mostra a trajetória de Antônio da Zona Sul do Rio de Janeiro à Baixada Fluminense. Lá, ele descobre que existe tráfico de drogas e mortes banais, que crianças inteligentes não tem educação nem perspectiva, mas também descobre a amizade e o sexo. Mas descobre pouco o romance e o humor - duas das delícias da vida que fazem falta no filme. O sexo é quase gratuito, e fica meio por isso mesmo depois. E Antônio chega a fazer uma ou outra piada numa cena em que ajuda a personagem de Taís Araújo, o que certamente é fundamental para que ela o achasse minimamente interessante.

 

Poderia apontar uma certa mudança de tom do personagem, uma abertura maior para a vida, mas acaba colidindo com a reta final dramática do filme. Em tom trágico, suavizado pela imagem etérea de Anna Sophia Folch, esse conto de Carlos Diegues clama pelo carpe diem, mas não mostra muito como ele é.

 

O Maior Amor do Mundo.  Brasil, 2006.  ***1/2  Direção: Carlos Diegues. Elenco: José Wilker, Taís Araújo, Anna Sophia Folch, Léa Garcia, Sérgio Britto, Sérgio Malheiros, Marco Ricca, Deburah Evelyn, Hugo Carvana, Stepan Nercerssian.

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