PRÉVIA FESTA 80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Bom, está decidido.

A data da próxima festa 80 Músicas dos Anos 1980 é dia 7 de outubro. Local: o nosso Parahyba Café, tão querido. A hora: 21h. O preço: os três reaisinhos básicos, uma pechincha.

Para comemorar a fixação da data, um momento especial das nossas prévias:

Os Goonies é um filme muito legal, por uma série de motivos. Um deles é, claro, a canção-tema, de ninguém menos que Cyndi Lauper. "The Goonies are good enough" é a mais divertida canção de Cyndi (perde só para "Girls just want to have fun" e, mesmo assim, não para todo mundo). O clipe tem 12 minutos, se somarmos as duas partes dele. É uma grande tiração de onda em curta-metragem, em suma, com o tema do filme - incluindo a participação dos atores-goonies e de Steven Spielberg! A segunda parte é ainda mais divertida que a primeira - e aqui há a inusitadíssima ponta das Bangles!

Uma curtição só: aqui a primeira e a segunda partes de "The Goonies are good enough"!

PRÉVIA/ FESTA 80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Já foram feitas muitas tentativas, mas nunca houve - nem antes, nem depois - uma reunião de cantores pop na mesma música igual ao "grupo" USA for Africa. Inúmeros cantores, de vertentes diversas: do country ao blues, passando pelo rock; dos monstros sagrados aos ídolos da moda; dos eternos aos efêmeros. Todos juntos gravando uma música para arrecadar fundos para serem doados às crianças famintas do continente africano. Clássico entre os clássicos oitentistas, "We are the World", no que tem de bem intencionado, exagerado, bonito e pitoresco, é um marco histórico por reunir, em trechos da música, duplas improváveis que funcionaram à perfeição (como Bruce Springsteen e Stevie Wonder, só para dar um exemplo).

A idéia foi de Harry Belafonte, em 1985, criando uma versão americana para o Band Aid, que reuniu estrelas britânicas no ano anterior. Ele telefonou para três de seus amigos - Lionel Ritchie e Michael Jackson, que compuseram a música, e o produtor Quincy Jones - e a gravação reuniu 45 vocalistas em 28 de janeiro.

Assim, fiquemos com a antológica "We are the World"!

Quem consegue identificar os cantores que aparecem no clipe?

CRÍTICA/ 'OBRIGADO POR FUMAR'
 

O poder do verbo

Renato Félix

Narrativa ousada não é sinônimo de inteligência. Mas as duas coisas não faltam em Obrigado por Fumar (Thank You for Smoking, Estados Unidos, 2005), de Jason Reitman, que navega habilmente entre o politicamente incorreto e a sátira, sem criticar ou fazer apologia a ninguém. Um equilíbrio admirável do diretor - filho do também diretor Ivan Reitman, por coincidência também em cartaz em João Pessoa com Minha Super Ex-Namorada (2006).

Obrigado por Fumar, baseado no livro de Christopher Buckley, investe tanto contra o policiamento antitabagista quanto contra o próprio tabagismo. O personagem principal é alguém que está num dos empregos mais antiéticos que podem existir: o lobista da indústria de cigarros Nick Naylor (Aaron Eckhart). Um sujeito que é pago para defender os fabricantes de cigarros enquanto ocupa o cargo de vice-presidente da Associação de Estudos do Tabaco - um órgão que estuda os possíveis males do produto, mas que é financiado, veja só, pela própria indústria.

Bom de papo, Naylor defende também a si mesmo, quando diz que até um assassino merece uma boa defesa (e a relação com a indústria tabagista aqui não é só um exemplo) e que ele precisa pagar a hipoteca fazendo o que sabe fazer bem: falar. E ele precisa convencer o filho pré-adolescente de que o que faz é tão digno quanto qualquer outra profissão.

Se é ou não é, o filme não toma partido nessa questão. O que Obrigado por Fumar faz é mostrar todos os ângulos de uma maneira aguda e divertidíssima. Em um debate na TV, Naylor contesta a acusação de que o cigarro é o causador do câncer de um jovem presente. “Assim nós perderíamos um cliente e não é isso que queremos”, diz.

Com alguns dos melhores diálogos do ano, o filme também tem uma narrativa que brinca com a linearidade, freqüentemente congelando as cenas para fazer comentários ácidos.

Todo mundo odeia Nick Naylor. Mas ele tem amigos: Polly Bailey (Maria Bello), lobista da indústria de bebidas, e Bobby Jay Bliss (David Koechner), dos fabricantes de armas de fogo. Eles se sentam à mesa em um bar e comparam o número de mortes que acontecem por dia por causa de seus produtos e qual deles estaria mais provável a ser alvo de um atentado. E ele ainda é entrevistado por uma jornalista e vai para a cama com ela - que não é nenhuma santa.

A manipulação da informação é chave no filme. Há ainda situações em que se imagina uma cena de filme como propaganda para o cigarro e um senador que faz campanha contra, alertando seu assessor de que precisariam encontrar alguém com câncer terminal. Mentiras (ou omissões, o que dá no mesmo) e distorções fazem parte do jogo. Assista Obrigado por Fumar e escolha o seu lado.

Obrigado por Fumar. Thank You for Smoking. Estados Unidos, 2005.  ****  Direção: Jason Reitman. Elenco: Aaron Eckhart, Katie Holmes, William H. Macy, Maria Bello, David Koechner, Robert Duvall, Rob Lowe, Cameron Bright, Adam Brody, Sam Elliott, J.K. Simmons.

CRÍTICA/ 'A CASA DO LAGO'
 

Esperto túnel do tempo

Renato Félix

A Casa do Lago (The Lake House, Estados Unidos, 2006) é um filme bem arriscado. A improvável história de um casal que troca cartas, mas estão separados por dois anos - ele em 2004, ela em 2006 - podia simplesmente não convencer. mas o filme é hábil e a verdade é que a direção do argentino Alejandro Agresti e o roteiro de David Auburn escapam das armadilhas e compõem um “romance fantástico” bem interessante.

Keanu Reeves é um arquiteto frustrado. Sandra Bullock é uma médica. Ele aluga a tal casa do lago e encontra um bilhete dela para o novo inquilino na caixa de correio com cuidados que ele deve ter. Ele responde pela mesma caixa de correio e os dois começam a trocar bilhetes. Logo descobrem, no entanto, que ela morou lá dois anos depois dele.

Essa espiral do tempo não é explicada pelo filme e nem é necessário. A atmosfera é meio de conto de fadas mesmo, mas num tom mais realista no que diz respeito aos sentimentos e motivações dos personagens. A progressão do romance é contada sem pressa e é sempre legal quando se vê pessoas que se apaixonam levando em conta mais que a atração sexual.

Engenhoso, o filme brinca à vontade com as idas e vindas no tempo. Uma das melhores cenas é quando ela pede que o namorado “virtual” encontre um livro que ela esqueceu numa estação naquele dia, no ano dele. Ele vai até lá e a vê com um namorado da época, encontra o livro e até tenta devolver na hora, mas não consegue.

Novos fatos no passado vão repercutindo no presente como aquelas memórias das quais se lembra de repente. A troca de cartaz depois também é simbolizada por diálogos do casal numa mesma praça ou num mesmo restaurante. Enfim, sem almejar ser um grande filme romântico, A Casa do Lago já é um dos melhores do ano no gênero.

A Casa do Lago. The Lake House. Estados Unidos, 2006.  ***1/2  Direção: Alejandro Agresti. Elenco: Keanu Reeves, Sandra Bullock, Shoreh Aghdashloo, Christopher Plummer, Ebon Moss-Bachrach.

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