SÉRIES PREFERIDAS - 26


26. Profissão: Perigo (MacGyver, 1985-1992)

Havia um vazamento de ácido sulfúrico, mas ele deteu isso com uma barra de chocolate. Usou duas moedas, um gerador e um cabo de bateria para montar uma solda elétrica. Consertou um fusível com papel laminado e goma de mascar. E isso sempre com suas armas inseparáveis: um canivete suíço e uma fita adesiva. MacGyver não usava armas, mas era um tormento para os criminosos, graças a muita inteligência e criatividade. Era uma agente de uma certa Fundação Phoenix, sem uma função muito definida, mas sempre chamado para resolver algum pepino. Profissão: Perigo foi um dos seriados de aventura mais originais de sua época ao fugir do esquema correria-tiroteio que era comum - privilegiava o cérebro e encantava justamente por isso. "MacGyver" virou apelido para qualquer um que exiba grande destreza em uma situação com poucos elementos para ajudar. Os feitos do personagem acabaram ficando folclóricos e os anos 1990 os viram com cinismo. Pois saibam que todos tinham, no mínimo, um fundamento com base científica - dois consultores ajudavam a série nisso. O próprio protagonista (interpretado por Richard Dean Anderson) era um grande boa-praça, mas haviam alguns coadjuvantes esporádicos que eram uma delícia quando apareciam, como o aviador trambiqueiro Jack Dalton (Bruce McGill) e a pára-raios de confusões Penny Parker (Teri Hatcher, que depois seria a Lois de Lois & Clark e estaria em Desperate Housewives), amigos de MacGyver que só arrumavam problemas.

Aqui está a abertura com a grande música tema (essa não é a "Tom Sawyer", do Rush, que era a que abria os episódios na Globo).

Série número 27: A Feiticeira

PRÉVIA/ FESTA 80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Roy Orbison é um cara mais dos anos 1960 que dos anos 1980, é verdade. "Only the lonely", "Crying", "Oh, pretty woman" e "Love hurts", por exemplo, são daquela época. Depois de duas dpecadas em baixa, ele faleceu em 1988, de ataque cardíaco. Mas antes voltou a gravar e deixou um disco lançado postumamente, Mystery Girl (1989) capitaneado pela ótima, ótima, ótima "You got it".

Então, senhoras e senhores, Mr. Roy Orbison, com  "You got it"

CRÍTICA/ 'A CASA MONSTRO'
 

A la Harry Potter

Renato Félix

Por mais que se badale, o avanço tecnológico do “motion capture” ainda não disse a que veio na animação. A Casa Monstro (Monster House, Estados Unidos, 2006), de Gil Kenan, é divertido, mas parece muito recurso para pouco resultado, como no anterior, O Expresso Polar (2004).

No filme, três crianças de uma vizinhança descobrem que a casa velha do outro lado da rua tem vida própria. Como ninguém mais acredita, elas resolvem investigar por si mesmas. É um conto de horror para crianças, até bem eficiente no que dosa os elementos. Mas é calcado demais na série Harry Potter, com um trio de protagonistas cuja dinâmica lembra muito Harry-Hermione-Rony: líder tímido, menina inteligente e meio arrogante e um melhor amigo divertido e medroso.

Mas o que sobra nos originais e falta nos daqui é carisma. Os personagens de A Casa Monstro não são de forma alguma memoráveis e nem mesmo há um sequer que seja bonito.

E para um filme surgido de uma técnica que tem por objetivo fazer os movimentos e expressões dos personagens, os mais próximos possíveis da realidade, o resultado parece mais “falso” do que o costumeiro. É de se pensar que, se o objetivo é ser o mais próximo possível da realidade, por que não fazer o filme logo com atores reais? E que movimentos perfeitos de personagens humanos já eram conseguidos à mão em Branca de Neve e os Sete Anões (1937) e, principalmente, Cinderela (1950). Então, será que o avanço é mesmo tão grande?

Só para constar: o “motion capture” tem sido melhor aplicado quando é o caso de inserir um personagem digital num filme com atores, como no caso de King Kong (2005).

A Casa Monstro. Monster House. Estados Unidos, 2006.  ***  Direção: Gil Kenan. Vozes originais: Mitchel Musso, Sam Lerner, Spencer Locke, Steve Buscemi, Maggie Gylenhaal, jason lee, Kevin James, Catherine O’Hara, Kathleen Turner.

PRÉVIA/ 80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Quem lembra que o Kid Abelha já foi um quarteto? Quando o grupo estourou, o Leoni também fazia parte e era responsável pelas principais letras. Leoni, saiu, montou o Heróis da Resistência, sumiu e há pouco voltou na esteira da nostalgia oitentista, com um CD acústico. Já o Kid Abelha se tornou um dos poucos grupos que se manteve no topo, atravessando as trevas dos anos 1990.

E os quatro estão juntos aqui, em pleno Cassino do Chacrinha, em "Como eu quero" e "Seu espião".

E fiquem atentos para definição da próxima festa 80 Músicas dos Anos 1980!

CRÍTICA/ 'A DAMA NA ÁGUA'

Conto-de-fadas frustrado 

Renato Félix

É triste dizer isso, mas M. Night Shyamalan parece ser mesmo prisioneiro do seu sucesso repentino com O Sexto Sentido (1999). Depois do só razoável A Vila (2004), ele poderia dar a volta por cima com A Dama na Água (Lady in the Water, Estados Unidos, 2006), mas o filme é uma bomba sem precedentes em sua carreira.

Escrito, produzido e dirigido por ele, o filme tenta ser um conto de fadas para adultos. Como de hábito, o cineasta tenta causar estranheza com a história e despertar a curiosidade do espectador, temperando com sustos eventuais. Mas a trama parece forçada desde o início e nunca chega a convencer.

Uma moça é encontrada na piscina de um condomínio pelo zelador do lugar. Ela diz que pertence a um mundo mágico e precisa da ajuda dos moradores do lugar para enfrentar um inimigo poderoso e feroz.

Um dos principais problemas é que a narrativa exige demais da boa vontade do espectador, pedindo para que certas cenas sejam encaradas com a inocência de uma criança. Alguns filmes conseguem fazer isto com competência, mas não este. Nem o ótimo Paul Giamatti consegue escapar de um momento constrangedor.

Há que se registrar também a falta de modéstia do diretor, que se escala para um personagem destinado a mudar o mundo e coloca na história outro, que é um crítico de cinema arrogante. A brincadeira é divertida no começo, mas a insistência posterior nisso revela que Shyamalan não engoliu as críticas que A Vila recebeu.

No fim A Dama na Água tenta mostrar que todos podem ser especiais, mas enrola muito para chegar até lá. O Sexto Sentido parece cada vez mais produto de um golpe de sorte.

A Dama na Água. Lady in the Water. Estados Unidos, 2006.  *  Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Paul GIamatti, Bryce Dallas Howard.

CRÍTICA/ 'SEUS PROBLEMAS ACABARAM'
 

Excesso de piadas

Renato Félix

Por mais que as críticas de que o cinema brasileiro está absorvendo a linguagem da televisão sejam muitas vezes injustas, essa afirmação cai como uma luva sobre Seus Problemas Acabaram (Brasil, 2006), o novo filme da trupe do Casseta & Planeta. Ao fazer um derivado do programa humorístico, o grupo acertou em alguns pontos, mas errou em outros.

Se por um lado o uso dos personagens do programa facilita a identificação da platéia e sua entrada na brincadeira, a estrutura quase de quadros torna a narrativa frágil. Parece estranho dizer isso de uma comédia, mas o excesso de piadas atrapalhou: as boas acabam quase sumindo entre as várias fracas, que parecem que estão lá só para compor o filme.

De novo, os integrantes (Cláudio Manoel, Marcelo Madureira, Beto Silva, Hubert, Reinaldo e Bussunda - aqui em seu último trabalho a estrear) se revezam em vários personagens, mas, ao contrário do anterior A Taça do Mundo É Nossa (2004), deixou o protagonismo para outra pessoa: o ator Murilo Benício. Ele é o advogado que processa as Organizações Tabajara pelos efeitos colaterais estranhos que seus produtos estão provocando.

A opção em não tratar temas da atualidade - um dos fortes do programa - para não datar o filme também foi errada. Além de ser uma preocupação que soa estranha para um grupo que decidiu fazer seu primeiro filme se passar durante a ditadura, as versões do presidente Lula e do terrorista Bin Laden poderiam render ótimas piadas.

Com Maria Paula mais uma vez subutilizada e participações de Luana Piovani e Juliana Paes sem muito o que contribuir, o filme não deixa de ser engraçado, mas a sensação é de que poderia render bem mais.

Seus Problemas Acabaram. Brasil, 2006.  ***  Direção: José Lavigne. Elenco: Bussunda, Cláudio Manoel, Hélio de la Peña, Marcelo Madureira, Beto Silva.

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