SINTONIZANDO O DIAL

Que legal! Hoje tem show da Rádio de Outono em João Pessoa. É no Parahyba Café, às 21 horas. Vamos, né?

Quer saber do que estou falando? Então, clique aqui e aqui.

PS: Tem matéria minha no JP de sábado.

ESTRÉIAS NOS CINEMAS

Os filmes que estréiam em João Pessoa:

Almas Reencarnadas - Outro terror oriental, desta vez japonês (país que iniciou a onda desse subgênero). Uma atriz que vai fazer um filme sobre uma tragédia real (um professor universitário que matou onze pessoas num hotel) começla a ter pesadelos e alucinações com a história. Não sei vocês, mas eu acho que já vi esse filme... No Box.

A Hora do Rango - O título nacional é imbecil e o filme nem promete tanto (jovens que trabalham num restaurante passam o tempo conversando sobre sexo e sobre o futuro), mas tem um detalhe que me dá vontade de conferir: no elenco, está a Alanna Ubach. Como assim, "Alanna quem?"? Ela foi: a) a primeira ajudante do Beakman, em O Mundo de Beakman; b) a protagonista da ótima comédia Denise Está Chamando (1995). No Tambiá.

Protegida por um Anjo - Três anos depois de sua última aparição no cinema e seis depois de protagonizar um filme, Demi Moore estrela esta mistura de romance e suspense. É a escritora cujo filho morreu aos sete anos e que se isola num vilarejo. Lá, passa a receber estranhas mensagens do filho morto, dizendo que ela está em perigo. A-hã... No Box e no MAG.

CRÍTICA/ 'CLICK'

Comédia que é melhor quando drama 

Em certa medida, Click (Click, Estados Unidos, 2006), se parece muito com Como se Fosse a Primeira Vez (2004), outro filme com Adam Sandler. Os dois começam com uma boa idéia, mas também como filmes de uma piada só e os mais rasteiros possíveis. Mas, do meio para o fim, acertam a mão onde menos se esperaria: no drama. Resolvem tratar seriamente - e bem - os problemas de que falam. Chegam a ter finais realmente bonitos.

É uma atitude corajosa. Não é todo mundo que se arrisca a decepcionar quem entra no cinema esperando encontrar apenas algumas piadas grosseiras para rir fácil, no estilo que marcou a carreira do ator. No caso de Click, a boa idéia é o controle remoto universal que cai nas mãos de Michael Newman, um arquiteto estressado e sem tempo para a família - universal mesmo, capaz de controlar o mundo à volta do personagem, avançando, retrocedendo e pausando cenas, e até acessando o menu da vida do sujeito.

Pois bem, a partir daí o filme alterna bons momentos (Michael se vingando infantilmente do arrogante filho dos vizinhos endinheirados; ou congelando a esposa - a sempre belíssima Kate Beckinsale - e retrocedendo os capítulos para ver a música que estava tocando quando eles começaram a namorar) com outros absolutamente dispensáveis e que mostram que Sandler avançou na carreira, mas nem tanto (o arquiteto soltando gases na cara do chefe).

Mas aí o filme começa a mostrar que essas facilidades todas na vida de Newman - avançar brigas domésticas, engarrafamentos, a massagem na mulher antes do sexo - acaba se refletindo em um afastamento da própria família, com resultados terríveis no futuro - que chega cada vez mais rápido.

Com a clara lição de que não se deve ignorar a família por causa do trabalho e de que mesmo os maus momentos da vida são importantes nos relacionamentos, o filme traz grandes cenas que mostram a relação de Newman com o pai, com os filhos e com a esposa. O filme não se esquiva de ter que transmitir a sensação do desperdício de uma vida.

Nesse ponto e até o final, o filme de Frank Coraci mostra a inspiração em A Felicidade Não Se Compra (1946), mas também há algo de A Canção de Natal, o conto clássico de Charles Dickens sobre o avarento que revê sua vida quando recebe a visita dos fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro.

Coraci não é Frank Capra nem Charles Dickens, então é bom não esperar demais. Talvez já esteja bom demais que Click siga a receita de Como se Fosse a Primeira Vez, onde o problema da perda de memória recente - a personagem de Drew Barrymore acordava pensando ser sempre o mesmo dia, sem lembrar do anterior - deixava de ser um pastelão para ser um romance de primeira: como namorar uma mulher que não lembra de você no dia seguinte?

Em Click, a pergunta é: o que você faria se, de repente, percebesse que deixou de viver a vida ao lado de sua família por estar sempre apático, no “piloto automático”?

Click. Click. Estados Unidos, 2006.  ***  Direção: Frank Coraci. Elenco: Adam Sandler, Kate Beckinsale, Christopher Walken, David Hasselhoff, Henry Winkler, Julie Kavner, Sean Astin, Jennifer Coolidge.

CRÍTICA/ 'SENTINELA'
 

Ficou na promessa

Poderia ser, sim, um grande filme de ação, mas Sentinela (The Sentinel, Estados Unidos, 2006) fica só na intenção. O filme tenta passar verossimilhança quanto ao trabalho do serviço secreto americano, mas consegue derrapar em detalhes básicos, como o andamento das investigações no filme e um romance extra-conjugal dispensável entre a primeira-dama dos EUA (Kim Basinger) e seu guarda-costas (Michael Douglas).

Sentinela demora para começar de verdade, se alongando no preâmbulo da história até que ela realmente dê a partida: o agente vivido por Michael Douglas acaba virando suspeito de tramar contra o presidente e precisa pegar os assassinos e, ao mesmo tempo, fugir dos colegas. Quem lidera a investigação para pegá-lo é seu ex-melhor amigo (Kiefer Sutherland), que agora o odeia por achar que a ex-esposa teve um caso com ele.

Nenhum personagem chega a ser bem desenvolvido - o agente que não segue as regras, por exemplo, está muito mais opaco aqui do que o vibrante tira do mesmo Michael Douglas em Instinto Selvagem (1992). Não é uma questão de idade ou físico, mas de atitude e direção: lá era Paul Verhoeven; aqui, o insosso Clark Johnson. Ele tenta imprimir ritmo à narrativa, mas nos momentos errados, como nas seqüências das mensagens de ameaça ao presidente, apresentadas como coisa de quem tem um distúrbio cerebral – quando, na verdade, não se trata de nada disso.

A rusga entre os personagens de Douglas e Sutherland nunca parece pegar fogo para valer – nem mesmo quando um deles atira no outro, da mesma forma, a resolução final pareceu fácil demais. Sentinela carece de uma melhor amarração de suas partes. Como está, por pouco não é um desperdício do elenco.

Sentinela. The Sentinel. Estados Unidos, 2006. ** Direção: Clark Johnson. Elenco: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Eva Longoria, Martin Donovan, Ritchie Coster, Kim Basinger, David Rasche, Gloria Reuben.

CRÍTICA/ 'ZUZU ANGEL'
 

Protagonista forte

A força do filme Zuzu Angel (Brasil, 2006) está mesmo em sua protagonista. Isso até poderia parecer óbvio, já que Patrícia Pillar está em quase todas as cenas e dribla habilmente os muitos clichês que o filme tem. A atriz/personagem é melhor que o filme.

Patrícia está brilhante. Mostra glamour, força e tristeza na medida quando necessário e nem mesmo sofre com as frases feitas do diálogo, como outros atores do filme. Não que essas frases feitas sejam exatamente um problema. Elas são mais um elemento de época, quando essas frases feitas estavam mesmo na boca dos jovens que almejavam derrubar os militares.

Com ótima reconstituição de época, o filme passa com eficiência o clima que se vivia no regime militar dentro das casas e não só entre guerrilha e militares. Há, também, um bom jogo narrativo, onde o filme é contado em flashback, com direito a outros flashbacks dentro deste, o que o torna mais movimentado.

A luta contra a ditadura não é um tema novo para o diretor Sérgio Rezende, que filmou Lamarca (1994) e colocou o personagem numa “participação especial” em Zuzu Angel. Mas desta vez, ele o faz pelo olhar de alguém que não está diretamente envolvida com essa luta: Zuzu Angel não quer, a princípio, mudar o Brasil; ela quer reaver o filho e, depois, pelo menos expor o governo quanto às torturas que existiam e sempre foram negadas.

Ele lida, no entanto, com uma dificuldade extra, já que se trata de uma história sabidamente com final infeliz. Rezende tenta compensar isso, primeiro, com um sonho de Zuzu com o filho e, depois, com uma débil utilização de “Apesar de você”, de Chico Buarque. Como se quisesse dizer: “Olhem, militares, vocês fizeram isso, mas vamos vencer no final”. Ficou forçado.

Zuzu Angel. Brasil, 2006.  ***  Direção: Sérgio Rezende. Elenco: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Leandra Leal, Luana Piovani, Regiane Alves, Alexandre Borges, Elke Maravilha, Othon Bastos, Ângela Vieira, Ângela Leal, Paulo Betti, Nélson Dantas, Caio Junqueira, Antônio Pitanga.

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