LISTA/ DEZ NÚMEROS DE DANÇA A DOIS

*Esta lista foi publicada na revista A Semana e no Portal Bip em abril do ano passado.

1 – Gene Kelly e Cyd Charisse (Cantando na Chuva, 1952). Cyd faz uma participação especial no filme, mostrando toda a sensualidade que Deus deu a ela, num número (“Broadway Melody Ballet”) que conta totalmente através da dança o nascimento e o fim de um romance.

2 – Fred Astaire e Cyd Charisse (A Roda da Fortuna, 1953). O número de dança mais romântico de todos os tempos: “Dancing in the dark”, onde Astaire e Cyd resolvem suas diferenças trocando passos em pleno Central Park.

3 – Joe E. Brown e Jack Lemmon (Quanto Mais Quente Melhor, 1959). Um hilariante tango entre o milionário apaixonado Brown e Lemmon, como Jerry – ou melhor: Daphne.

4 – John Travolta e Uma Thurman (Pulp Fiction – Tempo de Violência, 1994). A cena em que o capanga de um gângster e a esposa viciada do patrão dançam desajeitadamente ficou emblemática para as novas gerações.

5 – Fred Astaire e Eleanor Powell (Melodia da Broadway de 1936, 1936). A melhor sapateadora de todos os tempos cria um momento mágico com o mais elegante dos dançarinos. Tudo num palco, sem cenários. E precisa? A música: “Begin to beguine”, de Cole Porter.

6 – Woody Allen e Goldie Hawn (Todos Dizem Eu Te Amo, 1996). Allen e Goldie citam Gene Kelly e Leslie Caron em Sinfonia de Paris (1951), dançando às margens do Sena, em Paris. Ela canta “I'm through with love” e flutua magicamente.

7 – Gene Kelly e Judy Garland (O Pirata, 1948). A dupla celebra o mundo do circo no final do filme, vestidos de palhaço e fazendo mil estripulias.

8 – Fred Astaire e Ginger Rogers (O Picolino, 1935). Astaire e Rogers foram a mais perfeita dupla de dança do cinema. Estão tão sublimes em "Cheek to cheek" que o número foi elemento-chave nos filmes A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um Milagre (1999).

 

9 – John Travolta e Olivia Newton-John (Grease – Nos Tempos da Brilhantina, 1978). A desconjuntada coreografia, ao som de “You're the one that I want”, só deixa mais animado o final do ingênuo musical sobre os jovens dos anos 1950.

10 – Gene Kelly e Vera-Ellen (Um Dia em Nova York, 1949). Um marinheiro convida uma dançarina para conhecer sua cidadezinha natal – mas sem sair da sala onde ela ensaia. Singelo e lindo.

CRÍTICA/ 'SEPARADOS PELO CASAMENTO'

 

Alguma reflexão

Renato Félix

A primeira coisa a notar em Separados pelo Casamento (The Break-Up, Estados Unidos, 2006) é que o relacionamento do casal vivido por Jennifer Aniston e Vince Vaughn se deteriora em míseros dois anos. Um reflexo da efemeridade das relações atuais? De como as pessoas tomam precipitadamente uma decisão tão séria como morar junto com alguém? Dificilmente o filme tem a intenção de discutir esses fenômenos, mas consegue dizer uma ou outra coisa sobre esses problemas.

Que fique claro que a comédia se concentra mesmo é na guerra dos sexos que surge da imaturidade do casal, incapaz de resolver sem estresses se vão ou não ter uma mesa de sinuca na sala ou quem lava os pratos em determinada noite. Nisso, o filme até que se sai bem, graças à simpatia de Jennifer e às tiradas de Vaughn - embora sua persona de malandro irresponsável e machista já esteja cansando.

Também ajuda o fato de que Peyton Reed é um diretor talentoso, mesmo quando o material de que dispõe não seja muito inspirador - ao contrário de seu filme anterior, o excelente Abaixo o Amor (2003). Aqui, ele faz o que pode para que o filme não seja apenas mais uma comédia romântica entre as dezenas da temporada. Assim, o filme começa um breve prólogo com a primeira paquera entre os protagonistas, e todo o romance é contado nos créditos de abertura, por fotografias (ao som de “You’re my best friend”, do Queen). Depois, é só briga.

Ironicamente, essa boa saída estética acaba tornando-se um problema narrativo, já que - fora pela convenção hollywoodiana do final feliz - não se vê motivo para que o casal fique junto no fim. Cadê o amor que os uniu e que eles - quando sozinhos - dizem ainda sentir?

Mas nas frestas da sitcom, o filme deixa passar com propriedade dois problemas de comunicação comuns na maioria dos relacionamentos: o homem não se preocupa em partilhar dos interesses da esposa, a não ser que ela peça; e a mulher não consegue dizer o que quer claramente - fica “dando sinais” que ninguém é obrigado a decifrar. Ô, gente complicada...

Vale um comentário também para a trilha sonora - que tem boas canções oitentistas, mas se destaca também por trazer “Lá vem a baiana”, de Dorival Caymmi. Por alguma razão, Hollywood descobriu a música brasileira. Doze Homens e Outro Segredo (2004), Ladrão de Diamantes (2004) e Closer - Perto Demais (2004), entre outros, também tiveram canções nossas na trilha: respectivamente “Sentado à beira do caminho”, numa versão italiana, “Agora só falta você”, com Maria Rita, e “Samba da bênção” e “Tanto tempo”, com Bebel Gilberto.

Separados pelo Casamento. The Break-Up. Estados Unidos, 2006.  **1/2  Direção: Peyton Reed. Elenco: Vince Vaughn, Jennifer Aniston, Joey Lauren Adams, Cole Hauser, Jon Favreau, Jason Bateman, Judy Davis, Ann-Margret.

SÉRIES PREFERIDAS - 28


28. Esquadrão Classe A (The A-Team, 1983-1987)

Quatro ex-combatentes no Vietnã são condenados pelo exército americano por um crime que não cometeram. Conseguem fugir e se tornam mercenários, errantes pelo país. O Coronel Hannibal, o Cara-de-Pau, o louco Murdock e o troglodita B.A. Baracus formavam o Esquadrão Classe A, uma das séries mais divertidas dos anos 1980. Eles eram contratados para qualquer tipo de serviço que envolvia ação e sempre levavam o serviço no bom humor (menos o B.A., sempre carrancudo). Cada componente tinha uma habilidade: o Coronel era o líder e o estrategista; o Cara-de-Pau (o nome verdadeiro do personagem era Templeton Peck), como o nome já diz, era mestre em disfarces; Murdock era o piloto, hiperativo (para dizer o mínimo); e a força bruta ficava com B.A. Os elementos cômicos eram vários: as maluquices de Murdock sempre tiravam B.A. do sério e o grandão tinha um medo de altura tal que os companheiros sempre davam um jeito de dopá-lo quando precisavam entrar em um avião. A abertura tinha um tema musical empolgante, que vinha logo após a introdução que contava a história do grupo e terminava com "Se você tem algum problema, se ninguém pode ajudá-lo e se conseguir encontrá-los, talvez você possa contratar o Esquadrão Classe A!".

Olhaí a abertura original!

Série número 29: Jornada nas Estrelas - A Nova Geração

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