
Para quem achava que não ia acontecer (ou até para quem não sabia), está aí: a Turma da Mônica Jovem, em uma edição especial de lançamento (um "número 0" para ser distribuído em eventos). É uma nova revista, mostrando os personagens aos 16 anos e em um estilo próximo ao mangá. Também há mudanças comportamentais nos personagens, dos quais eu já sei alguma coisa, mas não em detalhes.
Me parece que a Magali continua comilona, mas agora só de alimentos saudáveis, o Cascão passou a tomar banho (mas a contragosto) e o Cebolinha fez um tratamento com uma fonoaudióloga para falar direito (!) e virou o rei da internet (ah, e agora é só Cebola). E a Mônica? Bom, que ela não é mais baixinha e gorducha, mas continua dentuça, vê-se pela capa. O vestidinho vermelho também foi aposentado. O Sansão está lá. E o gênio, continuará o mesmo? E esse abraço sugestivo aí na capa?
Sinceramente, a estética mangá nunca me agradou muito. Também não gostei da maioria dessas mudanças de comportamento, que "descartunizam" bastante a turminha e parecem simplesmente outra batalha perdida para o politicamente correto. Mas não deixa de ser uma experiência interessante. E a Mônica ficou bonitinha.
- Arquivo X - Eu Quero Acreditar: Depois de anos afastados do FBI (e seis anos após o fim da série), Mulder e Scully voltam a se encontrar para resolver um caso que envolve o desaparecimento de uma agente e um padre pedófilo. Só no Box.
- Banquete do Amor: Morgan Freeman é um professor que vê o desenrolar dos romances na comunidade em que vive. Só no Iguatemi, em Campina (!).
- Space Chimps - Micos no Espaço: Animação com macacos que a Nasa manda ao espaço para investigar a vida alienígena. Só no Box.
1 - KATE WINSLET (PECADOS ÍNTIMOS)
Como uma dona de casa de subúrbio que participa de um grupo de leitura com as vizinhas e encontra, a personagem de Kate Winslet em Pecados Íntimos vê sua própria condição ao discutirem Madame Bovary: ela também tem um caso com um vizinho casado - e olhe que esse vizinho tem, como esposa, uma mulher que é interpretada por ninguém menos que Jennifer Connelly, nossa quarta colocada do ano. Mas Kate, com um vulcão interno prontinho para entrar em erupção, desinibida e sem culpa, conquista cada cena para si. Sua personagem pode até ser julgada, mas não o talento e os encantos da atriz. Para ver também: Almas Gêmeas; Titanic; Fogo Sagrado; Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças; Contos Proibidos do Marquês de Sade; Razão e Sensibilidade.
Outras musas de 2007 (procure nestas páginas):
2 - Scarlett Johansson (Scoop - O Grande Furo)
3 - Tainá Muller (Cão sem Dono)
4 - Jennifer Connelly (Diamante de Sangue)
5 - Cate Blanchett (Notas sobre um Escândalo)
6 - Dira Paes (Baixio das Bestas)
7 - Gong Li (Hannibal - A Origem do Mal)
8 - Débora Falabella (O Primo Basílio)
9 - Naomi Watts (O Despertar de uma Paixão)
10 - Beyoncé Knowles (Dreamgirls - Em Busca de um Sonho)
11 - 12 - 13 - 14 - 15
Musas de 2006

1 - Scarlett Johansson (Ponto Final - Match Point; Dália Negra; O Grande Truque)
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10
2 - Anne Hathaway (O Segredo de Brokeback Mountain; O Diabo Veste Prada); 3 - Penélope Cruz (Volver); 4 - Mia Kirshner (Dália Negra); 5 - Claire Danes (Garota da Vitrine); 6 - Juliana Knust (Achados e Perdidos); 7 - Uma Thurman (Os Produtores); 8 - Eva Green (007 – Cassino Royale); 9 - Gong Li (Miami Vice; Memórias de uma Gueixa); 10 - Keira Knightley (Orgulho & Preconceito).
Musas de 2005
1 - Naomi Watts (King Kong)
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2 - Maria Bello (Marcas da Violência); 3 - Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel); 4 - Paz Vega (Espanglês); 5 - Natalie Portman (Closer - Perto Demais); 6 - Kirsten Dunst (Tudo Acontece em Elizabethtown); 7 - Jennifer Tilly (O Filho de Chucky); 8 - Alice Braga (Cidade Baixa); 9 - Catalina Sandino Moreno (Maria Cheia de Graça); 10 - Diane Lane (Procura-se um Amor que Goste de Cachorros).

Rivais em família
Houve outra Bolena além de Ana, a mulher por quem Henrique VIII se separou de Catarina de Aragão - rompendo, também, com a Igreja Católica - e mãe de Elizabeth, rainha inglesa que “estrelou” dois filmes com Cate Blanchett. Esta foi Maria, sua irmã, A Outra (The Other Boleyn Girl, Reino Unido/ Estados Unidos, 2008) do título do filme de Justin Chadwick.
Ou “a outra” seria Ana? A trama mostra como vítima a bem menos famosa das irmãs, que virou primeiro amante do rei, só depois vendo Ana ocupar seu lugar - para chegar a ser coroada rainha da Inglaterra. Apesar de ser bastante fiel ao andamento dos fatos históricos, o filme acaba sofrendo por causa desse maniqueísmo: enquanto Maria é incapaz de uma má intenção, desejosa de uma vida simples e, depois de forçada a se entregar ao rei (Eric Bana), se apaixonar mesmo por ele, Ana aparece apenas como vingativa e ambiciosa.
Natalie Portman, como Ana, acaba se aproveitando disso e tem uma atuação que impressiona muito mais do que Scarlett Johansson, como Maria. O filme ganha, porém, pela trama em si, que é um pedaço importante de um dos períodos mais interessantes da história do Reino Unido - e que, sem exagero, mudou os rumos do mundo (dividiu a Inglaterra entre católicos e protestantes, o que influenciou a política externa do império daí para a frente).
Sem ser extraordinário, A Outra integra-se bem ao vasto painel da dinastia Tudor no cinema, cujos primordios estão nas versões de Henrique V (1944 e 1989), passam pelos vários filmes com Henrique VIII e suas esposas (foram seis), como O Homem que Não Vendeu Sua Alma (1966) ou Ana dos Mil Dias (1969) e chega até Elizabeth (1999) e Elizabeth - A Era de Ouro (2007), com o fim da dinastia.
Frase
MARIA BOLENA: "Você sabe que eu o amo!".
ANA BOLENA: "Bem, talvez você deva parar".
A Outra. (The Other Boleyn Girl). Reino Unido/ Estados Unidos, 2008. Direção: Justin Chadwick. Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana, Jim Sturgess, Mark Rylance, Kristin Scott Thomas, Ana Torrent. Atualmente em cartaz no MAG Shopping.

Um jogo de luz e trevas
Como Batman, Bruce Wayne pode ir aonde nenhum outro homem pode. Mas isso dá a ele o direito de ultrapassar certos limites? Em última instância, é sobre isso que trata Batman, o Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, Estados Unidos, 2007), o segundo da série dirigida por Christopher Nolan (e iniciada por Batman Begins, 2005). O Coringa arrasador e desconcertante de Heath Ledger está no filme para isso: para testar o herói, testar o incorruptível promotor público Harvey Dent, testar os habitantes de Gotham City e, por fim, testar a própria platéia do cinema.
A ética e a responsabilidade são fatores fundamentais no filme. Batman (Christian Bale) se pergunta se o que faz é realmente necessário, se está trazendo mais mal ou bem à cidade que quer defender. O Coringa, pelo contrário, aparece para bagunçar o coreto, para ver "o circo pegar fogo", como diz o mordomo Alfred (Michael Caine). É um anarquista, que não está nessa por dinheiro. Em certo momento, diz que não segue regras ou planos - mas não é bem verdade. O plano do palhaço do crime é enlouquecer uma cidade inteira e suas ações, num crescendo, vão efetivamente levando a isso.
Ledger cria um Coringa para não se esquecer jamais - e, sejamos justos, isso já vinha sendo antecipado muito antes da morte do ator, em janeiro. Com ele, o espectador vai do riso ao choque, e de volta, em vôos sem escalas. Com ele, não há limites ou censura - e para os que querem caçá-lo? Há também os que mantêm os pés no chão em meio à espiral de loucura, as âncoras para os heróis em meio à tempestade: Jim Gordon, Alfred e Lucius Fox, todos esplendidamente interpretados respectivamente por Gary Oldman, Michael Caine e Morgan Freeman, graças também à direção generosa, que deu espaço a todos eles. Bale também está ótimo ao mostrar o super-herói em dúvida - uma humanidade que faz muito bem ao personagem - e Maggie Gyllenhall mostra o quanto Batman Begins perdeu ao escalar equivocadamente Katie Holmes como a mocinha.
O filme é calcado não só na ação, mas nas relações humanas - o principal ponto de realismo do filme, e onde todos esses grandes atores fazem diferença. É isso o que faltava nos dois filmes de Tim Burton, e Nolan já ensaiava no Batman Begins para atingir a plenitude neste Batman, o Cavaleiro das Trevas. Ele se apoiou em duas das melhores histórias do Homem-Morcego, combinando elementos de A Piada Mortal, na qual o Coringa quer provar que basta um dia ruim para enlouquecer alguém, e O Longo Dia das Bruxas, focada em Harvey Dent (Aaron Eckhart, no filme). Os momentos de diálogo entre Batman e Coringa são emblemáticos, explorando o circular jogo de luz e trevas entre eles - só esses momentos já dariam a esse filme o lugar de melhor adaptação do Homem-Morcego já feita para o cinema. Mas há muito, muito mais, em um resultado difícil de ser alcançado por qualquer filme de super-heróis. Ou por qualquer filme e ponto final.
Frase
CORINGA: "Esta cidade merece uma classe melhor de criminosos".
Batman, o Cavaleiro das Trevas. (The Dark Knight). Estados Unidos, 2008. Direção: Christopher Nolan. Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Monique Curnen, Cillian Murphy, Eric Roberts, Anthony Michael Hall. Atualmente em cartaz no Box Manaíra, MAG Shopping e Tambiá Shopping, todos em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.
* Versão estendida da crítica que será publicada amanhã no JP.

O tapete que será puxado
Walter Neff acha que é mais esperto que a maioria dos ursos. É um bom vendedor de seguros, tem o respeito do esperto chefe, está numa boa. Mas quando Phyllis Dietrichson aparece de toalha no alto da escada da casa em que ele foi ver um cliente e não consegue tirar os olhos dela, ele deveria reconhecer que também tem suas fraquezas. É a trama típica dos filmes noir: um sabichão se mete onde não deve ou dá um baita azar e vida puxa-lhe o tapete. A mulher fatal (o próprio sexo em pessoa andando em ondas em frente ao nosso protagonista), os diálogos cínicos e cortantes e a atmosfera sombria (uma representação da alma dos personagens e, talvez, do mundo inteiro) – está tudo em Pacto de Sangue (Double Indemnity, Estados Unidos, 1944), mas tão perfeitamente combinado que o filme segue o modelo do gênero.
Walter é Fred MacMurray, Phyllis é Barbara Stanwick. Ele não é um ator de muitos recursos, mas para o que Billy Wilder quer aqui, é perfeito: um sujeito que gosta de demonstrar que está no controle da situação mesmo quando sabe que não está. Walter não se dá conta disso imediatamente: na maior parte do tempo ele acha que é quem comanda as ações do casal, em sua trama de assassinato. Ela quer o marido morto e juntos armam um plano em que o agente vende uma apólice à futura vítima de um modelo em que a indenização é dupla no caso de morte por acidente (daí o título original). Ele planeja o todo o elaborado golpe – mas é Phyllis que, no fundo, o controla, usando todo o sex appeal que possui para enredar Walter.
Nenhum segredo nisso: Pacto de Sangue já começa pelo final, com Walter fazendo sua confissão em um ditafone no escritório, para que depois seu chefe a ouça. “Você não percebeu esta porque o homem que estava procurando estava muito perto – bem à frente da sua mesa”, ele diz. Keyes, o chefe vivido por Edward G. Robinson, não acredita um minuto sequer na história do acidente, na trama contada toda em flashback. “Aquele pequeno ser dentro do meu estômago me diz isso”, diz. Neff o respeita, e talvez a parte mais difícil na coisa toda seja decepcioná-lo. Keyes é esperto, um elemento do qual o plano perfeito de Neff a qualquer momento pode não dar conta.
A história é de James M. Cain, autor de outra trama noir exemplar: O Destino Bate à Sua Porta, filmado na América em 1946 (com Lana Turner e John Garfield), em 1981 (com Jessica Lange e Jack Nicholson) e na Itália em 1942, como Ossessione, por Luchino Visconti. Wilder sempre gostou de escrever com um parceiro e chamou o escritor policial Raymond Chandler para co-roteirizar o filme. Se não foi ódio à primeira vista, demorou pouco para acontecer (uma das histórias sobre os dias em que os dois ficaram trancados na sala pensando e escrevendo o roteiro diz que uma das irritações de Chandler dava-se porque Billy levanta-se para ir ao banheiro o tempo todo; e Billy fazia isso porque não agüentava ficar 15 minutos na mesma sala com Chandler).
Seja lá como tenha sido, o resultado é um primor. Chandler, criador de Philip Marlowe, um dos dois detetives mais famosos da literatura policial (o outro é Sam Spade, de Dashiell Hammett) e autor de livros como O Sono Eterno e Adeus, Minha Adorada, imprimiu toda a crueza que já dominava e uniu seu cinismo ao de Wilder, que por sua vez é o campeão do mundo de frases antológicas no cinema. Há uma série longa delas do primeiro ao último minuto de Pacto de Sangue. O clima do filme ainda ganhou muito com a fotografia definitiva para o gênero de John Seitz – não só por ter mais sombras que luz, mas por sacadas como o uso das persianas, e a luz que passa por elas projetando um efeito nos personagens que evoca o uniforme dos presidiários.
Conta-se também que ninguém em Hollywood estava muito interessado em filmar Pacto de Sangue (a história original é de 1930). O Código Hayes estava à toda e aquela história sórdida – um coquetel explosivo de assassinato e sexo adúltero – ia contra todos os valores “familiares” que o código “defendia”. Wilder encarou tudo e moldou a trama para que os censores do estúdio (a Paramount) não se metessem. Mostrou que a sordidez pode estar em qualquer lugar: se você está fazendo compras em um inocente supermercado de subúrbio, a pessoas na prateleira ao lado podem ser cúmplices de um frio assassinato. E se dava para mostrar abertamente, por exemplo, que Walter e Phyllis transaram, Wilder tratou de colocar lá um indício forte: a maneira como eles se beijam e, depois de um fade, estão esparramados no sofá (ela, se recompondo). Driblar esses impedimentos era o esporte preferido de Billy Wilder.
Frase
WALTER: “Eu o matei por dinheiro. E por uma mulher. Não consegui o dinheiro. Também não consegui a mulher”.
Pacto de Sangue. (Double Indemnity, Estados Unidos, 1944). Direção: Billy Wilder. Elenco: Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Edward G. Robinson, Porter Hall, Jean Heather. Em DVD, pela Versátil.

Conforme combinado com meus colegas de Vida & Arte - Astier e André Cananéa, aqui vão umas primeiras impressões de Batman, o Cavaleiro das Trevas, ainda sob o impacto do filme (cinco horas após o término da sessão). André já escreveu no blog dele e Astier também o fará ainda neste fim de semana. É preciso dizer, antes de mais nada, que há uma discussão antiga aqui - que vem desde Batman Begins, precisamente. Resumindo: André odiou porque achou tudo psicológico demais, pouco super-heróico e chato; eu adorei porque psicologicamente é o primeiro filme a entender realmente o Batman, é super-heróico de um jeito adulto e empolgante.
Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto citado no blog dele e que fala de mim, particularmente. Tem uma frasezinha incômoda lá: "Renato defende o filme antes de vê-lo sustentado nas opiniões ilibadas de críticos como Luiz Carlos Merten. Pô, esses caras são completamente falíveis".
Pode até não ter sido a intenção, mas isso fica parecendo que minha aposta no filme é baseada apenas pelo fato do Merten - ou outros críticos de opiniões ilibadas - dizerem "a" ou "b". Desculpe, não sou tão ingênuo. O Merten é meu crítico preferido, sim, por dois motivos: as opiniões dele costumam bater com as minhas e o texto dele combina talento, fluência e ótima análise.
Mas claro que ele e outros caras são completamente "falíveis" - como eu e como o Cananéa também. E eu entendo por "falível", aqui, o simples fato de que um filme que ele elogie, eu posso não achar tão bom (e posso até achar muito ruim). De vez em quando acontece, não é algo assim tão raro. É óbvio (ou deveria ser) que minha aposta (e não defesa antecipada) em Batman, o Cavaleiro das Trevas vem da conjunção de uma série de fatores, a saber:
- O pedigree da equipe criativa;
- O fato de que esta é um continuação e eu posso usar o anterior como base (já que a equipe criativa é a mesma);
- As notícias em torno do filme, sobre sua filmagem e o desenvolvimento da história;
- Os trailers, fotos e primeiras cenas divulgadas na internet;
- E, sim, as primeiras críticas de profissionais em quem confio.
É claro que eu confio na opinião do Luiz Carlos Merten (ou da Ana Maria Bahiana, ou do Rodrigo Fonseca, ou do Roger Ebert, ou do Ruy Castro, ou de tantos outros) tanto quanto não confio na do Rubens Ewald Filho (que já mostrou que se interessa por um tipo de análise mercadológica que eu dispenso). O que não quer dizer que eu não possa ocasionalmente discordar do Merten e concordar com o Rubens. Minha aposta no filme (e não defesa antecipada, repito) é bem mais embasada do que seguir uns críticos como cordeirinho.
Isto posto, vamos ao filme. É simplesmente uma das experiências cinematográficas do ano. O Coringa de Heath Ledger é mesmo tudo o que andam dizendo: uma força do caos, imprevisível, desconcertante, arrotando um humor nigérrimo que deixa o espectador entre a estupefação e a gargalhada. É diferente do Coringa que Jack Nicholson interpretou com genialidade no Batman (1989) de Tim Burton, que era mais circense, galhofeiro. Este aqui não deixa de ser um palhaço, mas sua periculosidade aumenta em níveis estratosféricos.
Um dos motivos para que esse efeito aconteça é o seguinte: este Batman se passa em um mundo de verdade, palpável. Gotham City é Chicago (como Metrópolis é Nova York nos filmes do Super-Homem) e não uma cidade clamorosamente de mentirinha como nos Batmans de Tim Burton e (deixa eu me benzer) Joel Schumacher. Esse ar de veracidade - que mistura o gênero policial, com suspense e até elementos de espionagem - é ainda maior aqui que no Begins, para benefício deste filme.
Isto porque as relações humanas também passam veracidade - e é aí que os filmes do Morcego de Christopher Nolan ganham de goleada dos de Tim Burton. Nicholson era um Coringa ótimo num filme que era bonzinho e olhe lá. Ledger é sensacional num filme em que absolutamente tudo dá certo. O elenco contribui com o máximo de seus talentos - Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman são alicerces firmes para que Christian Bale construa o Batman mais humano que já se viu no cinema. Todos, aliás, são beneficiados por construções perfeitas de seus personagens no decorrer do filme.
Se o Begins era o único filme até então a entender bem quem é o Batman e por que ele faz o que faz, O Cavaleiro das Trevas dá um passo adiante: agora ele vai se perguntar se a sociedade precisa mesmo dele, se ele não inspira mais o mal do que o bem, até onde ele pode ir sem se corromper pela violência como seus inimigos, se não é só mais um louco num hospício cada vez maior. Limites que os maus roteiristas de quadrinhos muitas vezes ignoram, transformando o Homem-Morcego muita vezes em um verdadeiro sociopata. O Coringa está no filme para levar os bons ao limite de sua ética. Não só Batman ou o promotor Harvey Dent, mas todos nós na platéia, nos levando a pensar: até onde iríamos?
Ao contrário do que meu amigo Cananéa acredita, essas perguntas são parte fundamental do Batman e não tiram dele seu caráter de super-herói. Se este Batman pede um espectador mais adulto, há outros produtos do personagem por onde as crianças podem começar até chegar neste estágio (a excelente Batman - Animated Series, por exemplo, que não deixa de abordar questões fundamentais do Homem-Morcego, para censura livre).
Há super-heróis e super-heróis. Batman é diferente do Super-Homem, que ajuda a humanidade porque é bom - e isso o define plenamente (porque ele é a matriz do heroísmo). O Super-Homem é um personagem que conserva uma pureza de espírito, um status de símbolo que ainda o permite salvar um gatinho preso em uma árvore mesmo nesses tempos pós-11 de setembro. O Batman pede uma abordagem mais sombria e complexa - do qual este O Cavaleiro das Trevas é o filme mais representativo até agora.
Um dia desses foi aniversário de morte do Monteiro Lobato. Fiz uma matéria pro JP, mas queria ter colocado um post que vem só agora: a Emília através dos tempos:

Lúcia Lambertini foi a Emília na versão da TV Tupi, que ficou no ar de 1952 a 1962 e em 1964 na Tv Cultura.

Zodja Pereira foi a Emíia da versão da Bandeirantes, entre 1967 e 1969.

Dirce Migliaccio estreou a versão da Rede Globo e foi a bonequinha na primeira temporada, em 1977.

A melhor das Emílias foi Reny de Oliveira, que entrou em 1978 e ficou até 1983.

Suzana Abranches assumiu o papel de 1983 até o fim da série em 1986.

Uma nova versão estreou na Globo em 2001, com Isabelle Drummond, sete anos, se tornando a primeira criança a interpretar a bonequinha. Ela deu conta do recado e ficou no papel até 2006.

Tatyane Goulart foi a Emília da última temporada do Sítio até agora, em 2007.
- Batman, o Cavaleiro das Trevas: Preciso mesmo apresentar? A continuação de Batman Begins traz o Coringa como uma força devastadora do caos que deve ser contida pelo Homem-Morcego e vai até fazê-lo questionar seus métodos. Elenco de primeiríssima: Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman estão de volta; Maggie Gyllenhaal substitui Katie Holmes (ainda bem); Heath Ledger e Aaron Eckhart são os novatos, como o Coringa e o promotor Harvey Dent, que... Ah, se você não sabe, é claro que não serei eu que vou contar. No Box, no MAG e no Tambiá.
Salvatore Cacciola disse em coletiva que confia na Justiça brasileira. É claro. Afinal, não foi a própria Justiça que concedeu o habeas corpus que permitiu que ele, em desabalada carreira, fugisse do país?
E, se ele estivesse lendo os jornais lá de Mônaco, certamente ficou tranqüilo ao ver a performance do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, no caso Daniel Dantas. Viu que a relação da Justiça com os banqueiros não mudou tanto assim.

Amanhã, dia em que estréia o aguardadíssimo Batman, o Cavaleiro das Trevas, também é o dia em que estréia o novo filme de Murilo Salles, Nome Próprio, estrelado pela magnífica Leandra Leal. O filme é baseado em dois livros da escritora e blogueira gaúcha Clarah Averburck e é sobre uma escritora paulistana em crise para escrever o primeiro livro. Enquanto não escreve, se entrega ao ao fumo e à bebida. E ao sexo. Ao que me consta são cenas fortes - até surpreendentes para quem se acostumou com uma imagem de certa candura quando se pensa em Leandra. É o que tem sido mais notícia a respeito do filme: Leandra fica nua ou quase por, pelo menos, metade do filme.
O caso é que o confronto de datas com o golias cinematográfico de Gotham City provocou uma curiosa convocação ufanista no blog da produção do filme. O chamado à ação é claro: o filme precisa fazer bilheteria no primeiro final de semana, ou será limado das salas. "É bem assim: se as pessoas forem ao cinema e o filme cumprir a ‘renda média’ ele continua em cartaz por mais uma semana. Se isso não acontecer, o filme será substituído por outro. Serão 4 anos de trabalho apaixonado entregues ao esquecimento", diz a mensagem.
"ESTAMOS PUBLICANDO ESSE POST para dizer que CONTAMOS COM VOCÊS e com
a CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO de vocês, que assistiram o filme e gostaram,
de vocês fiéis seguidores de nosso BLOGUE, vocês que assistiram nossos clips e
acharam bacana. PRECISAMOS DE VOCÊS!
Copiem esse POST, mandem para
os amigos, façam seus próprios Flyers, espalhem essa convocatória de
militância pela internet!
É militância SIM pela sobrevivência de um cinema
autoral, mais pessoal, mais digno.
Esse filme foi feito para essa turma
ENORME de gente muito especial, com sensibilidade à flor da pele! Quem é fã da
Clarah Averbuck, quem é fã da Leandra Leal, quem tem blog, quem é sensível,
inteligente e especial vai gostar do filme!"
Bom, o filme não entra em
cartaz neste fim de semana em João Pessoa - só o Morcegão, em cinco salas, mais
uma em Campina. Em todo caso, aqui vai a lista de onde Nome
Próprio estará em cartaz pelo Brasil neste fim de semana. Pessoal dessas
cidades que por acaso estejam passando por aqui, confiram. Parece que o trabalho
está muito bom e merece algo mais do que ficar uma semana só em cartaz.
São Paulo: Espaço Unibanco - Rua
Augusta; Artplex Unibanco - Shopping Frei Caneca
Rio de
Janeiro: Artplex Unibanco - Praia de Botafogo; Armazém Digital do
Rio Design Center do LEBLON
Belém: Shopping
Castanheira
Fortaleza: Dragão do
Mar
Natal:
Praia Shopping
Goiânia: Shopping
Bouganville
O filme chega a Recife na semana que vem. A Porto Alegre e Curitiba, após o Festival de Gramado. E a Salvador, no final de agosto. Quando for estrear por aqui (esperamos que chegue), eu aviso.
Trailer Nome PróprioCaros funcionários e funcionárias,
A diretoria comunica que está satisfeita com o empenho dos senhores e das senhoras para se adequarem às novas normas de tratamento definidas em reunião, com vistas a colocar em pé de igualdade e importância homens e mulheres. Todos e todas sabemos que nossas colegas defendem que a generalização no masculino é uma atitude machista e primitiva, até. Assim, funcionários e funcionárias devem adotar o novo tratamento, que os membros e as membras da diretoria consideram o politicamente correto.
Lá fora, a sociedade dá passos lentos para esse avanço. A humanidade e a mulheridade precisam vencer séculos de diferença entre os sexos. Todos nós e todas nós precisamos nos envolver nessa campanha. Convencer o colega e a colega, mesmo que ele ou ela se mostre reticente quanto à idéia. Nesta empresa, diretores e diretoras, secretários e secretárias, office-boys e office-girls, faxineiros e faxineiras e até o moço do cafezinho e a moça do cafezinho já demonstram que todos e todas abraçaram a idéia.
Eles e elas estão adequando seus discursos às necessidades dos tempos modernos. Os que decidirem não se adequar infelizmente terão que ser demitidos. E as que decidirem também: serão demitidas.
Atenciosamente,
Os diretores e as diretoras
PS: O começo do texto contém um erro. O correto é "caros funcionários e caras funcionárias".

Golpe básico
Kung Fu Panda (Kung Fu Panda, Estados Unidos, 2008) entrega o que promete: uma comédia sobre artes marciais. Nem vai muito além disso e nem é especialmente engraçado, embora funcione a maior parte do tempo. Mas, no conjunto, não há nada que já não tenhamos visto antes - e melhor - em Mulan (1998).
A sacada do filme é a união improvável de dois ícones chineses: o urso panda e o kung fu. Não deve ter sido difícil criar a partir daí a trama do gordinho que quer aprender a lutar, mas parece não levar jeito para a coisa. E interessante é a idéia de criar um grupo de lutadores inspirado em estilo de lutas de kung fu. Mas os “cinco furiosos” carecem de personalidade e expressão.
A humanização dos animais parecem ter sido feitas sem muita preocupação. Se personagens precisam ser grandes, são rinocerontes; se precisam ser pequenos e frágeis, são patos. Um momento de ousadia é colocar um pato como o pai do panda sem maiores explicações.
É dos poucos momentos em que Kung Fu Panda arrisca. No mais, se contenta em reproduzir o estilo visual do gênero - muito mais dos requintados épicos recentes de Zhang Yimou do que dos filmes trash da Hong Kong dos anos 1970. Entre câmeras lentas mais recorrentes do que o necessário e um roteiro preguiçoso, o filme se apóia no colorido, em algumas piadas e em seu protagonista, bem dublado no Brasil por Lúcio Mauro Filho.
Aliás, ponto contra para a distribuidora brasileira: nos créditos finais, o espaço reservado para os dubladores originais (Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu...) foi ocupado na versão nacional apenas pelos famosos Lúcio e Juliana Paes. Poderiam colocar também o nome dos demais, já que o espaço para isso está lá.
Kung Fu Panda. (Kung Fu Panda). Estados Unidos, 2008. Direção: Mark Osborne, John Stevenson. Vozes originais: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Ian McShane, Jackie Chan, Seth Rogen, Lucy Liu, Michael Clarke Duncan, Wayne Knight. Vozes na dublagem brasileira: Lúcio Mauro Filho, Juliana Paes. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e Tambiá Shopping, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

Drama de época
Em outros tempos, um filme de Renato Aragão que tivesse elementos de artes marciais seria uma anárquica sátira em que essa cultura pop estrangeira seria devidamente carnavalizada por ele e seus companheiros Dedé, Mussum e Zacarias. Hoje, O Guerreiro Didi e a Ninja Lili (Brasil, 2008) passa longe disso. Não se pode nem mesmo dizer que o filme é uma comédia ruim porque, curiosamente, há muito pouco de comédia nele. Aragão e o diretor Marcus Figueiredo preferiram investir um pouco na ação e muito no sentimentalismo.
Pela trama, já dá para ter uma idéia. Lívian, filha de Renato, é a protagonista: uma menina cujo pai foi para a guerra e desapareceu. No Japão, ela é treinada por um mestre das artes marciais, mas acaba indo morar com a tia na Europa. Um ninja se oferece para acompanhá-la e protegê-la secretamente - este é Didi, que, ainda por cima, foi separado da namorada pela guerra. A tia (Vanessa Lóes) odeia crianças desde que foi abandonada no altar pelo noivo médico (Marcelo Novaes), porque ele teve que fazer um parto urgente.
Por fim, na Europa, Lili conhece um menino de rua órfão, obrigado a roubar por um patife que recolhe crianças e as ensina a bater carteiras para ele. Esta parte é nitidamente e confessadamente uma citação de Oliver Twist, de Charles Dickens. Aragão disse ao Luiz Carlos Merten, no Estadão, que não poderia fazer Oliver Twist pra valer porque é muito triste e seus filmes são "para cima". Nem tanto neste filme. Todo mundo sofre muito em O Guerreiro Didi e a Ninja Lili.
É um filme de época, se passa no começo do século 20. Como tal, a produção é requintada, para os padrões brasileiros. Talvez isso também tenha contribuído para a sisudez do filme, mas é só uma especulação. Há coisas que poderiam ser melhor explicadas, também: o que tantos ocidentais faziam juntos naquela região do Japão - Lili, seu pai (Werner Schunemann) que estava lutando na tal guerra, e o ninja Didi? E porque Danielle Suzuki aparece justamente na parte da Europa, e não no Japão? Ela é japonesa na trama?
E as cenas de luta são esforçadas, assumindo uma estética mangá (aliás, a abertura do filme, em quadrinhos, é boa), mas não chegam a ir muito além disso. A idéia da ambientação veio de uma pesquisa que mostrou que uma boa parcela do público infantil de Aragão queria ver uma aventura de artes marciais. O ator, que recebeu uma justíssima homenagem na cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro deste ano, decidiu atender seus pequenos fãs.
O Guerreiro Didi e a Ninja Lili. Brasil, 2008. Direção: Marcus Figueiredo. Elenco: Renato Aragão, Lívian Aragão, Cadu Fávero, Danielle Suzuki, Vanessa Lóes, Marcello Novaes, Werner Schünemann. Atualmente em cartaz no Box Manaíra e no Tambiá Shopping, em João Pessoa, e no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.

Batman, o Cavaleiro das Trevas estréia sexta-feira e seguimos no aquecimento. Ontem, o SBT exibiu Batman Begins para quem não comprou o DVD duplo por 20 reais ou não resistiu e assistiu de novo (eu vi uma boa parte, mas como já tinha visto com Lalá na semana passada, não fui até o fim). Bom, na semana passada aconteceu a primeira sessão para a imprensa brasileira. E aqui vai um pouco do que colhi de opiniões por aí:
"Amei. (...) É um filme essencialmente político, sobre a ética, a democracia. Uma tragédia sobre a renúncia e a perda, e o que se ganha com elas, além de danação eterna. Desculpem fazer este texto meio cifrado, mas vocês vão entender dia 18, quando o filme estrear. (...) Quero dizer que é possível se divertir com outros super-heróis, com o 'Iron Man', por exemplo, mas como tragédia, não têm como o Homem-Aranha de Sam Raimi nem o Batman de Christopher Nolan".
Luiz Carlos Merten, do Estadão
"De volta à sua zona de conforto, Nolan faz tudo o que não pôde fazer em Batman Begins. O pessimismo é quase insuportável, as cenas de ação (rodadas no sistema Imax, que lhes confere excepcional profundidade e nuance) são uma expressão do caos, e os reveses de Gotham se acumulam até o descontrole. Também o elenco encontra terreno mais bem preparado em que exercitar seus muitos pontos fortes".
Isabela Boscov, Veja
"Esse é um dos dramas do herói: um criminoso como Coringa só existe em Gotham City porque lá há um Batman. 'Bruce Wayne tem muita raiva dentro dele, e é tênue a linha entre o crime e a justiça feita fora da lei. A grande pergunta do filme é: quão longe se pode ir?', diz o co-roteirista Jonathan Nolan. Trazer essas questões morais para um blockbuster não é usual nem fácil – e, diga-se, só foi possível porque os efeitos especiais não sufocaram a história".
Marina Monzillo, IstoÉ
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